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Siron Franco abre grande exposição em São Paulo

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22.07.2017 - 15:28:46

 
Gavroche Fukuma
 
São Paulo – O artista plástico goiano Siron Franco recebeu neste sábado (22/7) amigos e convidados para a vernissage da mostra Siron Franco em 38 obras: 1974 – 2017, na Biblioteca Mario de Andrade, em São Paulo. A exposição, com curadoria de Gottfried Stützer e Matheus Araujo de Andrade, marca o retorno de Siron à capital paulista, depois de 7 anos de sua última mostra, Segredos, em 2010.

“Esta exposição não representa uma retrospectiva, mas sim um recorte expressivo da obra sironiana de modo também que a gente possa apresentar Siron a quem ainda não conhece a sua obra”, explica Matheus Araujo de Andrade, um dos curadores da exposição. Segundo ele, a proposta da exposição foi feita pelo diretor da Biblioteca Mario de Andrade, Charles Cosac. “Apesar do Siron ter iniciado sua carreira muito antes de 1974, nós nos baseamos nas obras que estavam disponíveis de seis colecionadores que disponibilizaram seu acervo particular para dar esse recorte”, conta ele.


Gottfried, Siron e Matheus (Foto: Gavroche Fukuma)

 
“Nesta exposição é possível ver como Siron tem uma obra que é formada por diferentes quebras e recomeços”, analisa Andrade. “Acredito que um dos destaques da exposição seja a obra O Ditador, que é uma peça participante da série Fábulas de Horror, da Bienal de 75, e que foi premiada, além de outras séries importantes dessa época também, até chegar nas obras mais atuais.”


Siron e Charles Cosac (Foto: Gavroche Fukuma)

 
“Uma das razões para esta exposição é fazermos uma grande homenagem a Siron Franco, que completa 70 anos agora, no dia 25 de julho”, explica Gottfried Stützer, amigo de Siron desde a década de 70, curador da exposição e também colecionador que empresta obras para a exposição. “Eu sou engenheiro agrônomo, mas sempre gostei de pintura”, conta Stützer. “Eu tinha cerca de 20 ou 21 anos quando vi uma obra de Siron pela primeira vez, no Rio de Janeiro. Era um quadro pequeno de um animal sobre uma bicicleta. Aquilo me impressionou tanto, mas eu não sabia quem era Siron. Depois eu só vim a ter novo contato com sua obra na Bienal de 75”, narra ele.


Sala que recebe a exposição de Siron Franco (Foto: Gavroche Fukuma)

 
No ano seguinte, em 1976, Stützer morava no Rio Grande do Sul e viu um anúncio sobre uma nova exposição de Siron Franco que estava em montagem. “Eu peguei o ônibus e fui até lá. Dei a sorte de chegar no momento em que a exposição ainda estava sendo montada e assim consegui conhecer pessoalmente o Siron. Ficamos amigos e eu virei colecionador da sua obra.”
 
Àqueles que pretendem visitar a exposição, Stützer dá uma dica. “Para aqueles que já conhecem o trabalho de Siron Franco, como eu, que já o acompanho praticamente desde o início da carreira, vale a pena conferir as obras mais recentes de Siron”, comenta ele. “De 2010 a 2017, eu não tinha visto mais nada de Siron. Sinceramente, eu fiquei muito impressionado com o que ele tem de mais recente. O próprio Siron cedeu 10 obras, sendo 7 delas de 2016 e 2017, e valem muito a pena serem vistas para entender esse seu novo momento.”
 
Siron por Siron
Prestes a completar 70 anos e depois de quase 10 anos sem expor em São Paulo, Siron afirma que, de 2000 em diante, passou a prolongar mais o tempo entre uma exposição e outra. “Deixei de fazer aquelas exposições de dois em dois anos para poder ter um tempo maior de reflexão”, analisa o artista. “O mais importante é que apesar de não estar expondo com frequência eu continuo trabalhando sem parar. Eu tenho feito de tudo: instalações artísticas, esculturas, cartazes, intervenções, até televisão e vídeos eu tenho feito. Se você chegar qualquer dia no meu atelier, às 9 horas da manhã, eu já estou lá trabalhando”, garante.
 
A vinda a São Paulo também não é uma novidade para Siron. “Eu estou sempre por aqui. Gosto de vir a São Paulo. Já morei aqui. Meu filho, André, nasceu aqui em 70. Eu me sinto muito bem e conheci muita gente importante que me ajudou muito na minha carreira. Sou apaixonado por São Paulo.”
 
Sobre o recorte dado à exposição, Siron acredita que a escolha de obras a partir de 74 se deve não apenas à disponibilidade dos colecionadores, mas também ao fato de que, após a década de 70, com prêmios nacionais e internacionais, sua obra passou a ganhar mais notoriedade.
 
Passeando pela exposição, assim como revisitando sites com sua obra, é possível notar um claro incômodo do artista com questões sociais: o desmatamento, povos indígenas, poluição, meio ambiente. Mas ao ser perguntado sobre o que mais o incomoda no nosso momento atual e que pudesse ser tema de um novo trabalho, o artista se mostra ainda mais decepcionado. “O mais triste é ver que os temas continuam os mesmos. Apesar da nossa indignação, os mesmos problemas de 20 anos atrás continuam aí até hoje”, lamenta Siron. “A única coisa que mudou é que a gente descobriu que não era só a piscina que estava cheia de ratos, era o palácio inteiro.”
 
Forte contestador da ditadura, tendo até obras que ironizavam ex-presidentes, Siron revela uma curiosidade sobre a obra O Figueiredo, que mostra um cavaleiro sem cabeça montando seu cavalo. “Essa obra não tinha esse nome. Aquele quadro tem um número, de uma série que eu fiz, chamada Os Semelhantes, mas as pessoas começaram a dizer que era uma alusão ao presidente Figueiredo, que gostava muito de cavalos”, relembra ele. “Na verdade, essa série falava não apenas sobre o Figueiredo, mas de todas as ditaduras do mundo. Para mim, tanto faz se é de direita ou de esquerda”, completa.
 
“Sobre as reformas trabalhistas e da previdência, eu não sei o que dizer porque eu nunca ouvi falar em artista que se aposentou. Eu entro no meu atelier todos os dias como se fosse a primeira vez. Desde menino, quando conheci DJ Oliveira e Cleber Gouveia, em Goiânia, eu tenho uma extrema paixão pelo fazer”, destaca.
 
Para Siron, a grande mudança da sociedade virá da educação e do investimento nas crianças. “Se não colocarmos nossas crianças para ficar 8 horas por dia nas escolas, não conseguiremos mudar de fato questões importantes em nossa sociedade. É uma preocupação de todos nós, mas acho que o Brasil vai sair dessa para melhor. Do jeito que está não pode ficar”, diz o artista.
 
Serviço:
Exposição: Siron Franco em 38 obras: 1974 a 2017
Curadoria de Matheus Araujo Andrade e Gottfried Stützer                         
Local: Biblioteca Mario de Andrade (Rua da Consolação, 94, Centro – São Paulo)                     
Quando:  De 22 de julho a 24 de setembro
Entrada gratuita

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por Yuri Lopes

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