Samuel Straioto
Goiânia – A política brasileira tem sido tomada por um debate ideológico entre esquerda e direita. Em Goiás, o setor produtivo tem questionado a ausência de discussões sobre temas considerados estruturantes para a população, como reforma tributária, industrialização e infraestrutura energética.
Representante do setor, o ex-deputado estadual Simeyzon Silveira (Mobiliza) pretende retornar à Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) e defende que o político precisa apresentar entregas concretas, além de posições ideológicas. Em entrevista concedida na sede do jornal A Redação nesta quarta-feira (9), em Goiânia, o candidato detalhou propostas para os setores produtivo, energético e tributário do Estado.
Para Silveira, é natural que o eleitor tenha uma identificação ideológica, mas isso não deveria substituir a cobrança por resultados. “Antes de você discutir as questões, qual ideologia que A ou B defende, pergunte primeiro quais são as suas entregas e quais são os temas estruturantes que você está discutindo”, afirmou.
Como exemplo da dificuldade de pautar esses temas, o candidato citou uma reunião promovida por entidades do setor produtivo — como Fecomércio, Fieg e Faeg — para discutir com parlamentares a reforma tributária e a escala 5×2. De acordo com o ex-deputado, nenhum dos parlamentares convidados compareceu ao encontro: “Sabe quantos foram discutir com a gente esse tema? Nenhum”, relatou.
Simeyzon Silveira destacou a necessidade de rediscutir pontos da Reforma Tributária. Foto: Sabrina Schreiner/ Jornal A Redação.
Industrialização e infraestrutura energética
Silveira defendeu a ampliação da industrialização em Goiás, argumentando que o Estado exporta grande parte de sua produção sem agregar valor. “As nossas riquezas vão embora in natura. Nós precisamos ter um Estado que transforma essas riquezas que nós produzimos em produtos”, disse.
Ex-presidente da Comissão de Minas e Energia da Alego, Simeyzon afirmou que Goiás não enfrenta hoje um problema de geração de energia, citando o avanço de fontes complementares como usinas fotovoltaicas e termelétricas a bagaço de cana.
Segundo ele, o gargalo está na distribuição: “O nosso grande gargalo hoje com relação ao setor energético é a transmissão”, afirmou, acrescentando que a limitação na rede elétrica pode inviabilizar a instalação de novas indústrias em algumas regiões do Estado.
Incentivos fiscais e reforma tributária
Sobre a reforma tributária aprovada em nível nacional, Silveira argumentou que o tema deveria ter sido discutido de forma diferente. Ele ressaltou que a questão deveria ter sido analisada em conjunto com o setor produtivo e não numa análise meramente política. Para ele, a mudança deve afetar a competitividade fiscal construída por Goiás nos últimos anos.
Simeyzon Silveira defendeu melhoria na infraestrutura para crescimento do setor produtivo em Goiás. Foto: Sabrina Schreiner/Jornal A Redação.
Escala 5×2 e E-commerce
Questionado sobre a proposta de escala de trabalho 5×2, o candidato disse que o setor produtivo é favorável à mudança, mas condicionou o apoio a uma contrapartida do governo para micro e pequenas empresas.
“Nós somos favoráveis à escala 5 por 2, desde que o governo faça a parte dele”, afirmou, alertando para o risco de aumento de custos e repasse de preços ao consumidor.
Sobre a regulação do comércio eletrônico, Silveira afirmou que o e-commerce é uma tendência irreversível, mas defendeu equiparação tributária entre o comércio físico e o digital, citando a chamada “taxa das blusinhas” como exemplo de assimetria. “Ou taxa todos ou desonera todos”, resumiu o candidato.