José Abrão
Goiânia – O Sicoob UniCentro Br lançou em Goiânia, nesta sexta-feira (29/5), o “Programa de Cultura Inclusiva”, iniciativa contempla a contratação de 16 pessoas com deficiência (PCDs) para atuação nas agências da cooperativa. O projeto é realizado em parceria com a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais, o Núcleo de Arte e Inclusão do Autista e a Associação Down de Goiás.
O evento ocorreu na agência da T-8, em Goiânia, e contou com a entrega de crachás aos novos funcionários e palestras com o procurador da Federação das Apaes de Goiás (FEAPAES-GO), Eduardo Mesquita, e o ativista e influenciador digital João Vitor de Paiva Bittencourt, que, sendo o primeiro aluno com Down da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC Goiás), atua com veemência para mostrar como é possível superar as barreiras do preconceito e promover a inclusão social.
O diretor-presidente do Sicoob UniCentro Br, Diogo Mafia, salientou que cerca de 20 pessoas com deficiência já integram os quadros da cooperativa e que o objetivo agora é ir gradualmente aumentando a presença dessas pessoas, valorizando seu potencial no exercício de trabalhos reais dentro da estrutura administrativa da instituição.

“Essa ação de trazer a inclusão social vem da raiz do cooperativismo. O cooperativismo é feito de pessoas para pessoas. E um movimento desse, de incluir pessoas com algum tipo de deficiência, com oportunidade real no mercado de trabalho, reforça os princípios cooperativistas, reforça a nossa premissa básica de se importar genuinamente com o impacto social que uma cooperativa pode gerar para melhorar a comunidade e o seu entorno”, avaliou Mafia.
O ativista João Vitor de Paiva pontuou: “O mercado de trabalho precisa de pessoas com deficiência. Elas precisam ser incluídas na sociedade, precisam ser respeitadas. Os colaboradores precisam saber que pessoas com deficiência podem tudo”.

Um dos jovens contemplados foi Athos Particheli, de 27 anos, que tem Síndrome de Noonan, uma condição genética rara, e que vai assumir a posição de agente administrativo. “Foi muito bom o Sicoob trazer as pessoas para cá. Isso torna as pessoas mais capacitadas. Elas não vão ficar ‘ai, eu não consigo’. Não! Todo mundo consegue! Todo mundo tem suas capacidades e seus limites, que podem contribuir com benefícios para a empresa. [Atitudes assim] ajudam muito a combater o preconceito. Eu estou muito realizado e alegre com essa oportunidade”, afirmou.
Em sua palestra, Eduardo Mesquita, da Federação das Apaes de Goiás, destacou alguns dados do último Censo sobre pessoas com deficiência no Brasil: mais de 18 milhões estão em idade de trabalhar, mas 57% estão fora do mercado de trabalho. “A perspectiva não é tão somente cumprir a lei de cotas, mas humanizar as relações da instituição, favorecer a inclusão e, obviamente, trazer melhor qualidade de vida para a nossa comunidade, para todos nós”, disse.

