Logo

Setembro Verde e a importância do diagnóstico precoce

WhatsAppFacebookLinkedInX
17.09.2024 - 09:17:40

O aumento do número de casos de câncer de intestino tem sido uma preocupação crescente. Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), no Brasil, para o ano de 2024 são esperados mais de 45.000 casos da neoplasia. O tumor é o terceiro mais frequente entre os homens, depois dos cânceres de próstata e pulmão, e o segundo mais incidente nas mulheres, perdendo apenas para o de mama. Neste ano, mais de mil goianos devem ser acometidos pela enfermidade.
 
Neste Setembro Verde, a campanha destaca não apenas a importância do diagnóstico precoce, mas também da adoção de hábitos de vida saudáveis, fundamentais na prevenção. A população pode desempenhar um papel crucial na luta contra essa doença. Dentre os fatores de risco associados ao tumor, podemos destacar a falta de uma dieta equilibrada, a ausência de fibras, alimentos com alto teor de gordura, principalmente carnes vermelhas e embutidos. Não podemos esquecer também do tabagismo, da obesidade que é caracterizada por um índice de massa corpórea acima de 30 e do histórico familiar.
 
Sinais da doença
Os tumores não apresentam sintomas na fase inicial, por isso destaca-se a importância dos exames de rastreio, mesmo em pacientes assintomáticos. Os sinais mais comuns dessa neoplasia são sangue nas fezes, dor abdominal, cólica, alteração do hábito intestinal, episódios de diarreia, anemia e perda de peso. A escolha do método para a identificação da doença depende de fatores, como idade, histórico familiar e presença de sintomas, mas os mais utilizados são a colonoscopia e a pesquisa de sangue oculto nas fezes. Todo paciente com mais de 45 anos independente dos sintomas deve fazer uma colonoscopia de rastreamento e prevenção do câncer de intestino. A pesquisa de sangue oculto, por exemplo, é muito simples e a detecção dos tumores de intestino pode chegar a mais de 90%.
 
No Brasil, o Ministério da Saúde recomenda iniciar o rastreio da população adulta de risco habitual na faixa etária de 50 anos, porém, as sociedades de oncologia, tanto a brasileira (SBOC) como a americana (ASCO) aconselham que esse acompanhamento se inicie a partir dos 45 anos devido ao aumento da incidência desse tumor em pessoas jovens. O preconizado para quem tem histórico familiar é que o exame preventivo seja feito 10 anos antes da idade do diagnóstico do parente acometido pela doença. Quando descoberto em fase inicial, a neoplasia tem taxa de cura acima de 90%.
 
Pesquisa apresentada na DigestiveDisease Week 2024 – maior encontro internacional de médicos e pesquisadores nas áreas de gastroenterologia – que aconteceu em maio nos Estados Unidos trouxe à tona dados preocupantes sobre esse crescimento. O estudo revelou que a taxa da doença em adolescentes entre 15 e 19 anos aumentou em 333% entre 1999 e 2020, ou seja, o número de casos triplicou em 20 anos em todo o mundo.
 
Avanços no tratamento 
O ano de 2024 está trazendo significativas novidades no campo do tratamento do câncer de intestino, oferecendo mais esperança e opções para os pacientes. As pesquisas e o desenvolvimento de novas terapias têm se intensificado, resultando em avanços promissores que visam aumentar a eficácia dos protocolos e melhorar a qualidade de vida daqueles que são portadores da doença. Entre eles destacam:
 
– Terapia-alvo que envolve medicamentos que se ligam a proteínas específicas das células cancerígenas, inibindo seu crescimento e proliferação.
– A imunoterapia utiliza medicamentos que ajudam o sistema imunológico do próprio paciente a reconhecer e atacar as células cancerígenas.
-Técnicas como a laparoscopia e a robótica permitem realizar cirurgias com menor trauma, resultando em menos tempo de internação e recuperação mais rápida, além de redução do risco de complicações pós-operatórias.
– Novas tecnologias, como a biópsia líquida, possibilitam detectar o câncer em situações em que ele ainda não se manifesta nos exames de imagem.
– A análise do DNA do tumor facilita a identificação de mutações específicas e direcionar o tratamento de acordo com as características individuais de cada paciente.

*André Ferrari é cirurgião geral da Oncoclínicas Goiás
*Fábio Alexandre é médico especialista em cirurgia do aparelho digestivo e endoscopia da Oncoclínicas Goiás
compartilhar
WhatsAppFacebookLinkedInX
por André Ferrari E Fábio Alexandre

*

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Postagens Relacionadas
Maria Clorinda Soares Fioravanti
09.10.2026
Educação superior, ciência e tecnologia no Brasil: de onde viemos, onde estamos e que futuro queremos?

A Medicina Veterinária, a docência e a pesquisa são dimensões indissociáveis da minha trajetória. Ao longo desses anos, acompanhei períodos de expansão, fortalecimento institucional, restrições orçamentárias e ameaças à autonomia universitária. Essa experiência consolidou minha convicção de que a educação pública de qualidade é um dever do Estado e investir em ciência e tecnologia é […]

Edemundo Dias de Oliveira Filho
09.10.2026
A voz que desafia o século da barbárie

O anúncio de Navi Pillay como vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2026 não é apenas o reconhecimento de uma biografia monumental. Em um tempo marcado pela brutalidade em escala universal — guerras que se arrastam sem perspectiva de solução, crises climáticas e sanitárias tratadas como pauta secundária, desigualdade que concentra renda e poder […]

Karina Picon
08.10.2026
Quem cuida de quem cuida?

Olhar para uma tomada cheia de adaptadores e cabos ligados ao mesmo tempo ajuda a entender o que acontece com a gente no dia a dia. Quando o cansaço bate forte, a gente costuma achar que a nossa força simplesmente acabou ou que não estamos dando conta. Mas quase nunca paramos para olhar o principal: […]

Rimene Amaral
08.10.2026
A riqueza não sobrevive à vida

A notícia de uma doença misteriosa que matou uma funcionária do Instituto de Pesquisa sobre a Peste Irkutsk (uma peste pneumônica), na Sibéria, colocou uma pulga atrás de muitas orelhas. A funcionária, de 28 anos, morreu na última semana devido a uma pneumonia, e as autoridades não divulgaram mais informações sobre a morte. O Rospotrebnadzor, […]

José Mário Schreiner
06.10.2026
Agro conectado, economia integrada

Durante muito tempo, era natural que os setores primário, secundário e terciário tivessem seus próprios espaços de discussão, negócios e exposição. Isso porque cada atividade tem suas particularidades, desafios e oportunidades. Mas a realidade mudou. As cadeias produtivas estão cada vez mais conectadas, e as fronteiras entre os setores, menos nítidas. É nesse contexto que […]

Sam Cyrous
06.10.2026
O que faz uma vida (e uma história) significativa?

Recentemente colegas e amigos têm pedido que explique o que o tal do StoryTelling — uma moda dos últimos anos no Brasil, e algo algo com o qual trabalho desde 2007. Pensei muito se escreveria sobre a minha formação com Peseschkian, o autor do clássico “O Mercador e O Papagaio”, a minha participação ativa com […]

Marcos Spadoni
05.10.2026
AVC em jovens: o risco também se constrói nos hábitos do dia a dia

Fast food em excesso, consumo frequente de bebidas alcoólicas, cigarro, sedentarismo, noites mal dormidas, estresse constante e ganho de peso. Hábitos que parecem fazer parte da rotina de muitos adultos jovens podem, ao longo do tempo, criar um terreno perigoso para a saúde vascular. Isso porque favorecem condições como hipertensão, diabetes, obesidade e alterações no […]

Ana Carla Abrão
03.10.2026
O país na segunda-feira

Ana Carla Abrão Há mais de dois mil anos, Aristóteles escreveu que nenhuma comunidade política se sustenta apenas sobre leis e instituições. Para que uma cidade exista de fato, dizia ele, é preciso haver entre seus cidadãos alguma forma de amizade. Não a amizade que nasce do afeto, da intimidade ou da afinidade. Mas aquilo […]