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Trump e governantes da América latina durante a cúpula "Escudo das Américas" (Foto: Reprodução/X)

Sem Brasil e México, Trump discute crime e imigração com governantes da América Latina

Encontro foi realizado na Flórida

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07.03.2026 - 16:23:57

São Paulo – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recebeu neste sábado (7/3), em seu clube de golfe na Flórida, vários governantes da América Latina e do Caribe para a reunião de cúpula “Escudo das Américas”, sobre o crime organizado, a imigração ilegal e a interferência estrangeira no continente.

O encontro acontece no âmbito do que o republicano chama de “Doutrina Donroe”, sua versão da histórica Doutrina Monroe, com a qual prometeu intervir para promover os interesses de Washington no hemisfério ocidental, aumentar a segurança do país e interromper a influência de potências como a China.

Um exemplo da aplicação da doutrina foi a operação das forças americanas que terminou com a captura do ex-ditador venezuelano, Nicolás Maduro, em 3 de janeiro em Caracas, ou o bloqueio imposto ao fornecimento de petróleo a Cuba.

Em Doral, perto de Miami, o presidente recebeu líderes de direita, incluindo aliados próximos como o argentino Javier Milei, o equatoriano Daniel Noboa e o salvadorenho Nayib Bukele, elogiado por Trump por sua bem-sucedida e polêmica campanha para reduzir drasticamente a violência das gangues.

Os convidados compartilham a preocupação de Washington com o avanço do crime organizado no continente, um fenômeno que afeta inclusive países que até recentemente eram considerados bastante seguros, como Chile e Equador, explica Irene Mia, especialista em América Latina no Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS, na sigla em inglês).

A situação, que ajudou a direita latino-americana a vencer eleições recentes, faz com que a política intervencionista dos Estados Unidos no restante das Américas não receba a rejeição que seria de se esperar, dada a longa história de intervenções de Washington no continente, acrescenta a analista.

Além de Bukele, Milei e Noboa, Trump convidou os presidentes da Bolívia, Costa Rica, República Dominicana, Honduras, Panamá, Paraguai, Guiana e Trinidad e Tobago, assim como o presidente eleito do Chile, José Antonio Kast.

Alguns governantes souberam aproveitar taticamente a boa relação com o republicano, além da afinidade ideológica. O hondurenho Nasry Asfura recebeu, por exemplo, um apoio importante do presidente americano nas eleições do ano passado.

No caso de Milei, sua boa relação com Trump ajudou na concessão, por parte de Washington, de uma linha de financiamento e ‘swap’ cambial de 20 bilhões de dólares no ano passado. Mas a coalizão de governos gera dúvidas sobre seu alcance e duração, segundo Irene Mia.

A analista ressalta que as propostas de Washington para a América Latina são baseadas em uma agenda puramente negativa. “Tudo se reduz às ameaças que a região representa para a segurança dos Estados Unidos: migração e crime organizado”, disse.

Ausência do México e do Brasil

Mia também aponta outra fragilidade da reunião de cúpula dedicada ao combate ao narcotráfico: a ausência de México e Brasil, governados pelos presidentes de esquerda Claudia Sheinbaum e Luiz Inácio Lula da Silva.

Os cartéis mexicanos comandam a cadeia global do narcotráfico e as organizações criminosas brasileiras controlam portos cruciais utilizados para o envio ilegal de drogas à Europa, explica Mia. Uma iniciativa sem eles “não conseguirá resolver os problemas”, acrescenta.

A analista também alerta para o risco de basear as alianças na proximidade ideológica, já que os governos podem mudar nas próximas eleições e estabelecer prioridades diferentes.

Para ela, o apoio dos Estados “é bastante frágil devido à relação problemática” entre a América Latina e os Estados Unidos. “É um equilíbrio muito delicado saber se a população aprovará a política de Trump e até quando”, conclui.

Nova ameaça ao Irã

Mais cedo, em postagem nas redes sociais, Donald Trump sugeriu que os Estados Unidos atacariam o Irã “com muita força”. Ele ameaçou ampliar as ofensivas e incluir novos alvos.

“Hoje o Irã será atingido com muita força!”, publicou Trump em sua plataforma Truth Social.

“Sob séria consideração para a destruição completa e morte certa, por causa do mau comportamento do Irã, estão áreas e grupos de pessoas que não eram considerados como alvos até este momento”, ameaçou.

Trump escreveu a mensagem horas após o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmar que o país nunca se renderia a Israel e aos Estados Unidos.

Pezeshkian, em um discurso exibido pela televisão estatal, pediu desculpas aos Estados vizinhos do Golfo pelas represálias do Irã e acrescentou que Teerã não atacaria mais estas nações, exceto em caso de ataques procedentes de seus territórios.

Em sua publicação, Trump fez referência a Pezeshkian e afirmou que o Irã “pediu desculpas e se rendeu a seus vizinhos do Oriente Médio, prometendo que não vai mais atirar neles”.

“Esta promessa só foi feita por causa do ataque implacável dos Estados Unidos e de Israel”, escreveu Trump.

“O Irã não é mais o ‘valentão do Oriente Médio’, e sim ‘O PERDEDOR DO ORIENTE MÉDIO’, e continuará sendo por muitas décadas até que se renda ou, mais provavelmente, entre em colapso completo!”.

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por Agência Estado

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