A qualidade e a segurança dos alimentos que consumimos diariamente passam, necessariamente, por um processo criterioso de inspeção sanitária. Em um país de dimensões continentais, como o Brasil, com uma agropecuária diversificada e crescente, os selos de inspeção se tornaram fundamentais tanto para garantir a saúde da população quanto para impulsionar o desenvolvimento de pequenos e médios produtores, especialmente os ligados à agricultura familiar.
Muitas vezes, o consumidor vê um selo no rótulo do produto, mas não compreende a importância e o significado por trás daquele símbolo. Os selos de inspeção não são meras formalidades. Eles representam um compromisso com a sanidade, com a rastreabilidade e com a conformidade de todo o processo produtivo, desde a origem da matéria-prima até o alimento final.
Hoje, o Brasil conta com três principais selos de inspeção sanitária: o Serviço de Inspeção Municipal (SIM), o Serviço de Inspeção Estadual (SIE) e o Serviço de Inspeção Federal (SIF). Cada um possui uma abrangência diferente. O SIM permite que o produto seja comercializado apenas dentro do município de origem. O SIE, no caso de Goiás, coordenado pela Agência Goiana de Defesa Agropecuária (Agrodefesa), permite a venda em todo o território estadual. Já o SIF, vinculado ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), autoriza a comercialização em todo o Brasil e até a exportação.
É de extrema importância destacar que existem ainda dois sistemas que ampliam as possibilidades de comercialização para produtos de origem animal, que são o Sistema Unificado Estadual de Sanidade Agroindustrial Familiar, Artesanal e de Pequeno Porte (Susaf-GO) e o Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sisbi-POA).
O Susaf-GO é uma iniciativa do Governo de Goiás, coordenada pela Agrodefesa, que permite a comercialização estadual de produtos inspecionados por serviços de inspeção municipais (SIM). Para isso, o município precisa ser habilitado no Susaf e comprovar que seu SIM atende aos mesmos critérios técnicos e sanitários exigidos pelo Serviço de Inspeção Estadual (SIE). Trata-se, portanto, de uma equivalência entre o SIM e o SIE, que possibilita ao pequeno produtor ultrapassar os limites do município e comercializar em todo o estado de forma legal e estruturada.
Já o Sisbi-POA, que integra o Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária (Suasa), opera em nível federal e permite a comercialização nacional desses produtos. Para aderir ao Sisbi, o serviço de inspeção “” seja ele municipal ou estadual “” precisa ser reconhecido como equivalente ao Serviço de Inspeção Federal (SIF). Isso abre uma porta importante para que pequenas agroindústrias possam vender seus produtos em todo o território nacional, sem a necessidade de obter o SIF, cuja exigência é mais
complexa e onerosa.
Em resumo, enquanto o Susaf viabiliza a comercialização dentro do estado, o Sisbi permite o acesso ao mercado nacional. Ambos os sistemas são fundamentais para promover a inclusão produtiva, incentivar a formalização, garantir a qualidade sanitária e fortalecer o desenvolvimento das agroindústrias de pequeno porte em Goiás.
Para que isso seja uma realidade no nosso estado, a Agrodefesa tem atuado de forma ativa e colaborativa. A Agência participa, junto com instituições como a Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), o Mapa, o Sebrae e outros parceiros, da Caravana do SIM ““ uma iniciativa que percorre municípios goianos com o objetivo de orientar, estimular e apoiar a criação de Serviços de Inspeção Municipal. A Caravana busca sensibilizar gestores públicos e promover a estruturação dos SIMs
locais, ampliando o número de agroindústrias regularizadas e preparando o caminho para futuras adesões ao Sisbi.
Além disso, a Agrodefesa também apoia os municípios na organização de consórcios intermunicipais de inspeção, capacita equipes técnicas e promove ações de educação sanitária voltadas para produtores e consumidores. Buscamos dialogar com os pequenos produtores, mostrando que a regularização sanitária não é um obstáculo, mas sim um caminho para o crescimento com segurança, legalidade e qualidade.
Em um momento em que os consumidores estão cada vez mais atentos à procedência e à s condições dos alimentos que consomem, garantir que os produtos tenham selo de inspeção é um diferencial competitivo. Mas, mais do que isso, é uma responsabilidade com a saúde pública. Produtos de origem animal ““ como carne, leite, ovos, mel, embutidos e pescados ““ exigem cuidados rigorosos para evitar contaminações e surtos de doenças.
Por isso, reforço: a inspeção é um elo fundamental entre o campo e a mesa do consumidor. Ela protege a saúde da população, fortalece a credibilidade do setor produtivo e amplia as possibilidades de geração de renda e valorização dos produtos locais.
A Agrodefesa seguirá firme nesse compromisso, ao lado dos produtores goianos, ajudando a transformar potencial em oportunidade e segurança em valor. Selos de inspeção não são apenas exigência legal: são garantia de alimento seguro, respeito ao consumidor e dignidade para quem produz.
*Rafael Vieira é diretor de Defesa Agropecuária da Agrodefesa