Logo

Seguro ambiental cresce 40% em Goiás no início de 2025

WhatsAppFacebookLinkedInX
02.07.2025 - 07:36:25

Adriana Marinelli

Goiânia – Mesmo em meio a um cenário nacional cercado por instabilidades macroeconômicas e juros elevados que inibem investimentos, o setor de seguros ambientais tem avançado sobre um terreno até então pouco explorado: o da gestão estratégica de riscos ecológicos. Os números mais recentes revelam uma mudança de comportamento por parte das empresas instaladas em Goiás, que têm recorrido com mais frequência ao Seguro de Responsabilidade Civil Ambiental. 

De acordo com levantamento da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), o seguro ambiental arrecadou R$ 523,5 mil no Estado apenas no primeiro bimestre do ano. O valor representa uma alta de 39,9% em relação ao mesmo período de 2024, quando a arrecadação ficou na casa dos R$ 374 mil. Mesmo que a cifra pareça modesta em valores absolutos, o crescimento percentual mostra que o setor está mais dinâmico e ganhando espaço na agenda de empresas preocupadas com a gestão de riscos ambientais, algo cada vez mais exigido por consumidores, investidores e reguladores.

A arrecadação de seguros, porém, não se resume à contratação de novas apólices. Empresas têm buscado ampliar coberturas e, sobretudo, evitar prejuízos maiores diante de acidentes com potencial de gerar impactos ao solo, à água, à fauna ou à flora, prejuízos que muitas vezes se desdobram em ações judiciais, multas administrativas e danos irreparáveis à reputação institucional.

Fábio Garcia Barreto, presidente da Comissão de Responsabilidade Civil (RC) da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg), destaca que o crescimento do seguro ambiental em Goiás está ligado, principalmente, à busca das empresas transportadoras pelo seguro de transporte ambiental. “O aumento no valor do prêmio realmente não é necessariamente um reflexo exclusivo de uma maior procura ou de um crescimento na contratação de novas apólices”, reforça. Ele ressalta que a mudança de patamar desse tipo de seguro no Estado ocorreu em 2017, quando a arrecadação saltou de R$ 512 mil no ano anterior para R$ 1,391 milhão, representando um avanço de 172%.

Segundo Barreto, os principais contratantes são transportadoras de produtos perigosos, como combustíveis, seguidas pelo agronegócio, com o transporte de grãos e óleo vegetal. Já os setores industrial e de energia têm participação mínima. “Quanto a uma cidade específica, é difícil destacar, pois o seguro de transporte, por sua natureza, cobre rotas que atravessam todo o Estado e, muitas vezes, o país.”
O avanço da cultura de segurabilidade ambiental em Goiás não se limita ao volume arrecadado. Ele se torna ainda mais visível quando se observam os sinistros já pagos. Apenas nos dois primeiros meses de 2025, foram desembolsados R$ 903,5 mil em indenizações ambientais no Estado, um salto de 811,9% em comparação com os R$ 99,1 mil pagos no mesmo período de 2024. Com esse volume, Goiás ocupa a quarta colocação no ranking nacional de Estados que mais receberam indenizações por esse tipo de seguro, atrás de São Paulo, Paraná e Minas Gerais, e à frente da Bahia.

A posição no ranking evidencia que, mais do que contratar, empresas goianas estão efetivamente utilizando o seguro como instrumento de proteção concreta diante de ocorrências ambientais. As indenizações são os valores pagos pelas seguradoras aos segurados ou beneficiários quando ocorre um sinistro coberto pela apólice, ou seja, quando há um dano causado por vazamento, contaminação do solo, poluição de rios, entre outras ocorrências que comprometam o meio ambiente e, por consequência, as finanças e a reputação das empresas.“As seguradoras estão pagando mais sinistros, com valores maiores, e consequentemente reajustando os prêmios das apólices, principalmente as de transporte ambiental”, afirma. Para Barreto, esse cenário evidencia uma valorização do produto, que tem se mostrado um instrumento eficaz de proteção para as transportadoras.

O seguro ambiental, segundo ele, opera com base em três pilares principais: remediação de danos dentro da propriedade (on-site), fora da propriedade (off-site) e cobertura de danos ecológicos puros. No caso específico das apólices voltadas ao transporte, o primeiro pilar não se aplica, já que a cobertura é voltada ao deslocamento da carga, e não à instalação fixa do segurado.
Quanto aos custos, Barreto explica que é possível estimar o valor do seguro considerando variáveis como tipo de modal, número de viagens, natureza da carga, forma de transporte e histórico de sinistros da empresa. “O principal benefício é que ele não vai precisar pagar os custos de uma contaminação, que podem ser altíssimos, do próprio bolso”, exemplifica. Para pequenas e médias empresas, um diferencial importante é a proteção do patrimônio dos sócios, já que, em caso de danos ambientais, o Ministério Público pode requisitar a desconsideração da personalidade jurídica. “O seguro protege o negócio e, consequentemente, o patrimônio de quem está por trás dele.”

Fábio Garcia Barreto, presidente da Comissão de Responsabilidade Civil (RC)
da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg) (Foto: divulgação)
Barreto também pontua que, atualmente, cerca de dez seguradoras atuam de forma relevante no mercado de seguros ambientais no Brasil. Em Goiás, onde a demanda está concentrada no transporte, seis companhias oferecem esse tipo de cobertura. Embora o crescimento do número de seguradoras nesse nicho ainda seja lento, há movimento com a entrada de novos players.

Enquanto Goiás exibe crescimento na arrecadação e no pagamento de indenizações, o cenário nacional no mesmo período é de retração no volume arrecadado. O seguro ambiental movimentou R$ 23,7 milhões no país no primeiro bimestre de 2025, queda de 38,1% em relação aos R$ 38,2 milhões registrados no início de 2024. Em compensação, as indenizações pagas no Brasil cresceram 38,8%, passando de R$ 10,8 milhões para R$ 15 milhões.

Para o presidente da Comissão de Responsabilidade Civil da FenSeg, o seguro ambiental  deve continuar ganhando força nos próximos anos. “No entanto, esse movimento não está ligado à pressão regulatória, pois não há obrigatoriedade. Ele é impulsionado por uma combinação de fatores, dependendo do segmento”, afirma Fábio Garcia Barreto. Segundo o representante da FenSeg, no caso das empresas de médio porte, a contratação muitas vezes se dá por exigência de grandes embarcadores. Já as companhias de maior porte têm buscado o seguro por motivos ligados à sustentabilidade, práticas ESG e novas exigências contábeis, como as normas IFRS S1 e S2, que demandam a demonstração da gestão de riscos climáticos e ambientais.
Para fomentar o crescimento do setor, a FenSeg, que  representa mais de 90 ramos no segmento de seguros gerais, tem atuado ativamente em iniciativas de conscientização junto a parceiros em todo o Brasil. “Cito rodadas de conversas com vários órgãos e agências reguladoras, como ANAC, ANTT, ANTAQ, BNDES, e agências de infraestrutura, como a Goinfra em Goiás, para apresentar o seguro como uma solução. Além disso, promovemos eventos e participamos de painéis, como na ABGR (Associação Brasileira de Gerência de Riscos), para difundir o conhecimento sobre o tema”, explica.
Apesar da crescente arrecadação ligada ao seguro ambiental, Barreto avalia que o mercado ainda está longe da maturidade e tem um enorme potencial de expansão. “Para se ter uma ideia, se pegarmos a lista das mil maiores empresas do Brasil, posso afirmar que menos de 10% delas possuem seguro ambiental, mesmo tendo potencial poluidor”, lamenta, ao citar que setores inteiros seguem descobertos.
“Ferrovias, que transportam produtos químicos, praticamente nenhuma tem. Aeroportos, portos, rodovias, empresas de energia, não têm a cobertura. Cooperativas do agronegócio, que possuem postos de combustível e oficinas, também poderiam contratar. O potencial de crescimento é gigantesco”, arremata.

 

compartilhar
WhatsAppFacebookLinkedInX
por Adriana Marinelli

*

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Postagens Relacionadas
Congresso Nacional
31.10.2026
PEC da Segurança Pública deve ser votada na terça-feira (3/11)

Brasília – O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), marcou para próxima terça-feira (3) a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 18 de 2025, conhecida como PEC da Segurança Pública. De autoria do Executivo, a proposta estabelece penas mais duras e regimes de prisão mais restritos para chefes de facções e milícias e […]

Educação
31.10.2026
Senai oferece 945 vagas para vestibular 2027/1 com seis novos cursos em Goiânia

A Redação Goiânia – As Faculdades Senai Goiás abriram inscrições para o vestibular do primeiro semestre de 2027, com 945 vagas distribuídas entre Goiânia e Anápolis. A principal novidade do processo seletivo é a inclusão de seis novos cursos na Faculdade Senai Ítalo Bologna, na capital: o bacharelado em engenharia elétrica e os tecnólogos em […]

MEIO AMBIENTE
31.10.2026
Goiânia supera capitais internacionais em desempenho ambiental no ranking da Oxford Economics

A Redação  Goiânia – Goiânia conquistou a 110ª posição no indicador ambiental da edição de 2026 do Global Cities Index, ranking da consultoria britânica Oxford Economics que avalia mil cidades ao redor do mundo. Goiânia superou cidades como Nova York, Boston, Dallas e Tóquio, além de ficar à frente de 11 das 29 cidades brasileiras […]

Mudança
31.10.2026
Trânsito no entorno de cemitérios será alterado durante o Dia de Finados em Goiânia

A Redação  Goiânia – A Prefeitura de Goiânia prepara uma operação de trânsito no entorno de 5 cemitérios municipais para o Dia de Finados, celebrado na segunda-feira (2/11). O planejamento inclui interdições totais e parciais, restrições de estacionamento e equipes para orientar os visitantes nos cemitérios Santana, Jardim das Palmeiras, Parque, Jardim da Saudade e Vale […]

PREVISÃO
31.10.2026
Goiás tem alerta de tempestades para o feriado prolongado

Ludymila Siqueira Goiânia – Prepare o guarda-chuva! A previsão é de um feriado prolongado com muita chuva em todo o Estado de Goiás. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu alerta amarelo para chuvas intensas e tempestades. Há risco de ventos fortes, que podem chegar a 60 quilômetros por hora. A umidade relativa do ar deve ficar […]

LIMPEZA URBANA
31.10.2026
Comurg retira 12 toneladas de sucata que bloqueavam calçada na Região Noroeste de Goiânia

A Redação Goiânia –Cinco caminhões de sucata e material reciclável foram retirados, nesta semana, da calçada de um depósito na Rua Tancredo Neves, no Parque Maracanã, Região Noroeste de Goiânia. A ação foi realizada pela Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg) durante a Operação Reciclagem, conduzida pela Guarda Civil Metropolitana (GCM) de Goiânia com a […]

INTERNACIONAL
31.10.2026
Ebola ultrapassa 5 mil mortes no Congo e atinge letalidade próxima de 50%

São Paulo – O surto de ebola na República Democrática do Congo já provocou 5.026 mortes entre 10.351 pessoas infectadas, segundo dados divulgados neste sábado, 31, pelo Ministério da Saúde do país. A taxa de letalidade é de quase 50%. Outras 2.788 pessoas se recuperaram da doença. Causado pelo vírus Bundibugyo, o surto foi declarado […]

OCB/GO
31.10.2026
Cooperativas iniciam abertura de novos mercados na FICCA Goiás 2026

A Redação Goiânia – O Pavilhão do Cooperativismo foi um dos destaques da Feira da Indústria, Comércio, Cooperativismo, Empreendedorismo e Agronegócio (FICCA Goiás 2026), que movimentou cerca de R$ 1 bilhão em acordos comerciais. No espaço, várias cooperativas goianas apresentaram seus produtos e serviços e tiveram a oportunidade de estabelecer contato com representantes de novos mercados, […]