José Abrão
Goiânia – A segurança pública e a tecnologia pautaram o debate entre os candidatos ao governo de Goiás nesta quinta-feira (24/9), em Goiânia. Participaram do embate Luis César Bueno (PT), Marconi Perillo (PSDB), Daniel Vilela (MDB) e Wilder Morais (PL). O debate foi dividido em quatro blocos: três de confronto direto entre os candidatos e um com perguntas feitas por jornalistas.
Embora o debate tenha abordado vários temas, questões como o uso da IA e o combate ao feminicídio rapidamente ocuparam as deliberações como questões ou preocupações centrais. O debate foi promovido pelo O Popular e pela CBN Goiânia.

Feminicídio
O ex-governador Marconi Perillo criticou o fato de que 56 mulheres foram assassinadas em Goiás este ano e prometeu ampliar a Patrulha Maria da Penha em todo o Estado, com presença da PM em todas as cidades, novos concursos para as carreiras policiais e mesmo o retorno de aposentados para a força. “O feminicídio explodiu em Goiás. Vamos adotar uma política duríssima contra o feminicídio”, prometeu.
O senador Wilder Morais propôs concursos regionalizados para a PM para dar oportunidade para que os novos policiais possam atuar na própria região. Wilder também reforçou a importância de fortalecer a segurança das fronteiras do Estado: “Estamos praticamente distribuindo droga pro Brasil inteiro”.

O governador Daniel Vilela se defendeu das críticas de não agir contra o feminicídio: “O centro do debate do feminicídio é que 84% dos casos aconteceram dentro de casa. Como antecipar e evitar o feminicídio? Estamos convocando a sociedade para poder denunciar”, disse. O governador também afirmou que vai “pessoalmente liderar uma rede de proteção das mulheres no nosso Estado” e destacou que sete secretarias do Estado são presididas por mulheres “competentes que têm prestado um grande serviço ao Estado de Goiás”, rebatendo a crítica de que mulheres não têm espaço no seu plano de governo.
Luis César defendeu a criação e ampliação das delegacias de proteção da mulher em todo o Estado e com funcionamento 24h, além da criação de centros de acolhida para o apoio psicológico e jurídico.
Tecnologia
O tema da IA dominou o debate tecnológico. Luis César defendeu o avanço dessa tecnologia em todas as áreas, mas particularmente na educação: “Precisamos inserir a IA nas escolas. É inadmissível ter uma escola que não funciona em tempo integral e não tem IA”, disse. Ele também defendeu maior inserção da IA na Polícia Civil para investigações e perícias e maior tecnologia para auditores fiscais “para fazer sua função de combate ao crime organizado”.
Daniel reforçou que a IA já está na educação na correção das provas, dinamizando conteúdos e no aprendizado de alunos. Também destacou o projeto IA Contra o Crime, já em execução, mas afirmou que há ainda o projeto de usar a tecnologia no serviço público para “modernizar a máquina pública, reduzir a burocracia, otimizar o trabalho do servidor e facilitar a vida do cidadão”.

No âmbito das mudanças climáticas, a tecnologia assumiu protagonismo novamente. Daniel destacou a redução do desmatamento e das queimadas como dever de casa para mitigar impactos das mudanças climáticas no Estado. “Estamos com um projeto piloto de IA que integra todos os dados meteorológicos e que aciona com mais rapidez o Corpo de Bombeiros e a Defesa Civil para rapidamente debelar queimadas”, pontuou.
Da mesma forma, Marconi defendeu o uso da tecnologia na proteção ambiental. “Vamos empregar o uso de drones, de IA e vamos apostar fortemente no diálogo com o setor produtivo” para agilizar licenciamentos e prometeu “agir para que seja o Estado mais protegido ambientalmente e que mais se desenvolva em produção de alimentos”.

Gestão financeira e investimentos
Em menor escala, foram feitas críticas à dívida do Estado e aos desafios impostos pela reforma tributária que vem aí. Wilder criticou que o Estado chegou a ter o caixa para quitar sua dívida e isso não foi feito e traçou estratégias para aumento de receitas. “Vamos fortalecer o turismo do Estado de Goiás. Vamos apoiar que Caldas Novas tenha turismo o ano inteiro com um centro de convenções. Vamos duplicar até Aruanã, o portal do Rio Araguaia”, pontuou, além de prometer apoiar o agro e o setor de mineração e terras raras.
Marconi afirmou que a reforma tributária é “o maior crime contra Goiás”, pois “não teremos condições de atrairmos mais investimentos”. O ex-governador afirmou que vai pessoalmente liderar o movimento dos governadores para mudar ou impedir a reforma tributária como está para não penalizar Goiás.
