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Segunda casa

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22.11.2011 - 17:17:58

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Todo boêmio que se preza precisa de um bar para chamar de
seu. Aquele lugar onde você pode chegar sozinho e ter a certeza que logo logo um
amigo ou, ao menos um conhecido, vai aparecer para bater papo. Sem falar no
mais importante: um garçom que te chama pelo nome, sabe suas preferências e só
te serve cerveja estupidamente gelada.

Se você é boêmio e não tem um bar para chamar de seu, das
duas uma: ou não é boêmio ou é bobo. Porque, mais importante do que gostar de
beber e comer é ter uma ligação especial com o lugar onde se toma a cachaça e
se come o torresminho de cada dia.

Eu, como o personagem da crônica do Veríssimo, coleciono
bares. Nas cidades onde morei ou aonde vou com freqüência tenho os botecos da
minha preferência e como um namorado que mora longe faço questão de demonstrar
o meu afeto a cada visita.

Em Campinas (SP), onde estudei na época do cursinho, era freqüentadora
assídua do Furlan. Dava 5 horas, 6 horas da tarde já começavam os preparativos para o
happy hour. Ali, não tinha mesa, era todo mundo em pé na rua pegando cerveja na
fichinha. Bem típico da idade, o que mais importava era a paquera do que a
cerveja, invariavelmente quente.

Já em Bauru, no primeiro ano da faculdade, o boteco escolhido
era o Bar do Espanhol. Na época um botequim pé sujo, onde os petiscos mais
finos eram salaminho e azeitonas. Há um tempo, encontrei uma moça de lá e ela
me contou que o Espanhol hoje é um mega bar, desses onde Patricinhas e
Mauricinhos gostam de dar pinta.

O mesmo aconteceu com o Bar Mangueira, aqui em Goiânia, onde
tomei cerveja boa parte da minha adolescência quando ainda era na T-1. Depois
na R-11, também já bebi muitas, além da provinha de caldinho de feijão que
pedia para o dono de lá, o Zé Maria, me servir no copinho de plástico. Faz tempo
que cresceu e virou Cervejaria Mangueira. Não vejo mais graça e há muitos anos não
vou.

Em Brasília, onde fiz faculdade e trabalhei só tem um lugar:
o Beirute ou Beiras, para os íntimos. Se eu for na cidade e não tomar
nenhunzinha no Beiras, é como se não tivesse ido. Essa verdadeira instituição de
Brasília continua firme há mais de 40 anos na 109 Sul, com suas mesas e
bancos pesados de madeira e seus garçons impecavelmente vestidos com aquele
terno vinho. Quantas tomamos ali, servidos pelo Arleudo ou Cícero até o
final da noite, quando as luzes se apagam e o toque de recolher avisa que é
hora de ir. Não sem antes pedir algumas saideiras.

Há algum tempo, o Beiras abriu sua filial na Asa Norte (107)
e, superando todas as expectativas, conseguiu recriar o clima clássico do
original. Fim de semana passado, fomos tomar a última antes de ir para casa lá
mesmo, em uma mesa servida pelo Cícero, com sua simpatia e elegância habituais.

Já no Rio é difícil ter um bar apenas, cabem muitos no meu
coração cachaceiro. Adoro o Braca, o Jobi, o Chico e Alaíde, todos no Leblon.
Tem ainda a Tasca do Edgar, em Laranjeiras, o Mineiro, em Santa, o Nova Capela,
na Lapa. Tento ir a todos quando estou na cidade e o tempo e a ressaca
permitem. E ainda conhecer outros clássicos, como o Bar Urca, que na minha
próxima viagem à Cidade Maravilhosa, não me escapa.

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Em Goiânia, tem pouco mais de um ano escolhi um bar para
chamar de meu. Trata-se do Botequim Mercatto, que já frequentava antes de abrir
a filial do Bueno. Cerveja gelada, comida e preço honestos e aquele clima que só
os bons botequins têm. É o meu bar na cidade. E ainda tem um dono legal, o
Manata, e um Maitre gente fina, o John. Os garçons e garçonetes sabem meu nome
e meu gosto.  E ainda me trazem um
torresminho de cortesia.  Estou em casa.

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por Bia Tahan

*Jornalista

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