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Seguidores de padre Luiz procuram novas igrejas

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04.12.2011 - 15:29:06
Catherine Moraes
Atualizado em 5/12 às 15h39
 
Uma missa carismática lotada e um padre polêmico, que não possui travas na língua. Quem participava das celebrações do padre Luiz Augusto, que desde o último dia 28 de outubro está proibido de ministrar para quem não seja membro da comunidade Atos, procura uma nova igreja para frequentar. Os fiéis afirmam que a busca não tem sido fácil, e que outras igrejas não proporcionam o mesmo sentimento, o mesmo fervor. Católicos que não deixavam os domingos passarem em branco sem participar das celebrações na paróquia Sagrada Família contam que, hoje, a prática já não é tão comum. 
Empresários e proprietários da Govidros, o casal Jackeline Alves e Alessandro de Almeida frequentaram a paróquia Sagrada Família por mais de oito anos, desde a primeira gravidez de Jackeline. Hoje, com quatro filhos, eles dizem não saber para onde ir. “Quando houve a transferência para a comunidade Atos, nos transferimos juntos. Desde que ele foi proibido de celebrar para a população em geral, nos sentimos perdidos. Sabemos que é errado e no domingo sentimos um enorme vazio. Infelizmente, não conseguimos nos encontrar”, afirma Jackeline.
 
Ela conta que, atualmente, a cobrança parte dos filhos. Jackeline chegou a participar de uma missa na Sagrada Família, com o atual padre, Cleidimar Moreira. “Minha filha, Sophia, de 8 anos, me perguntou porque o padre Luiz não estava mais lá. Eu contei que ele obedeceu ordens de um superior e ela quis saber quem era. Com a resposta, ela disse que queria falar com o bispo”, completa Jackeline. A empresária diz ainda que a saudade é grande e que a ligação da família com o sacerdote é enorme. “Quando engravidei dos trigêmeos, um dos meninos, o Caio, ficou na UTI. Recebemos muito apoio do padre Luiz, que chegou a ungir meu filho no hospital”, finaliza. 
 
Com o casal Daniela e Sannio Campos a situação não é diferente. Frequentadores da Sagrada Família há mais de seis anos, eles também passaram a visitar a comunidade, na Chácara Recreio dos Bandeirantes, com a transferência do sacerdote. Hoje, o casal e os dois filhos procuram uma igreja que proporcione o mesmo sentimento. “Estamos sem saber se outra paróquia ou outro sacerdote pode proporcionar o que a Sagrada e a Atos proporcionavam. O carisma e o jeito único de puxar a orelha e ser direto é exclusivo dele”, diz Daniela.
 
O representante comercial Sannio Campos diz que as outras igrejas são completamente diferentes quando o assunto é fervor, concentração e homilia. “Hoje (4/12) fui à missa pela primeira vez depois que o padre Luiz deixou de celebrar. Confesso que fui apenas para desencargo de consciência, pois as outras missas não conseguem me transformar como pessoa”. Para ele, o que mais faz falta é a forma como o padre falava de família e a forma direta e objetiva como o assunto era tratado nas celebrações. “O padre Luiz Augusto dava exemplos de coisas que aconteciam na minha casa e diversas vezes me ajudava sobre decisões de como agir com minha família. Como pai, eu me sentia tocado e nas outas igrejas eu não vejo isso, essa objetividade”, finaliza.
 
O empresário Agnaldo Moreira Junior conta que a família, proprietária do hipermercado Moreira, está frequentando duas igrejas: Rosa Mística e Sagrada Família. “Vamos na que está mais perto, mas é diferente, claro. Não deixamos de ir às missas, mas sinto falta da unção e do louvor dele”, finaliza. Junior diz ainda que, caso as celebrações na comunidade voltem a acontecer, a família quer voltar a frequentar o local.
A juíza de paz, Joana de França frequentou a paróquia Sagrada Família por mais de seis anos e seguiu o padre quando ele foi transferido para a Comunidade Atos. Hoje, está indo à missa na Matriz de Campinas, que fica próxima à casa dela. “Não é a mesma coisa, não sei nem como explicar a diferença, mas é enorme. Rezo por ele todo dia e para que tudo volte ao normal. Não acredito que ele tenha feito nada de errado para merecer isso, pela pessoa ungida e fervorosa que ele é”, finaliza
 
Esperança de retorno
A cabeleireira Mailene Lima participa da comunidade Atos como voluntária, em um sistema chamado aliança. Isso significa que trabalha para a comunidade, mas não mora na instituição. Portanto, não assiste às missas celebradas pelo padre Luiz, que são abertas somente para os 16 integrantes da Atos. Ela conta que participa de missas em igrejas próximas à sua residência, mas ainda não escolheu definitivamente uma igreja. “A esperança é que ele volte a celebrar missas abertas, na comunidade ou em outra igreja. O padre está tentando convencer o bispo a abrir a participação para membros aliança, mas ainda não temos uma posição. Temos um amor muito grande por ele e pelo trabalho que ele faz, principalmente com pessoas carentes”, finaliza.
 
No site da comunidade, uma fiel identificada como Patrícia Fania também lamenta a proibição da arquidiocese. “Falta só o pe. Luiz voltar a celebrar, estou sofrendo muito, não sei para qual igreja vou. Estou sem chão”, afirma.
“Ignorante e brigão”
Frequentadora da Paróquia Sagrada Família, a estudante de fotografia Izabela Gomes, de 20 anos, afirma que prefere o atual pároco, Cleidimar Moreira. Segundo ela, a humildade e o carinho é o que faz o diferencial de Cleidimar. “Acho o padre Luiz muito ignorante e brigão e por isso prefiro o Cleidimar, que é mais próximo da gente. Ele é muito humilde.” Quanto à homilia, ela afirma que apesar da preferência, o antigo pároco da igreja também é excelente pregador.
Opinião semelhante a de Izabela é a do contador Rhadames de Freitas, que também já frequentou a Sagrada Família enquanto o padre Luiz esteve na igreja. “É difícil falar sobre um padre, mas não gosto muito da forma como ele é, do jeito mandão. Apesar disso, acredito que cada um deve seguir o modelo que mais lhe agrada. Eu não gosto, mas tem muita gente que gosta e essas pessoas tem que ter o direito de escolher”, finaliza.
Missa para 16 pessoas
Desde o dia 28 de outubro, a Arquidiocese de Goiânia proibiu o padre Luiz de celebrar missas abertas na comunidade Atos para quem não fosse membro efetivo. Desde então, as missas de domingo da Atos, que chegavam a reunir mais de 3,5 mil fiéis, contam apenas com a participação de 16 membros moradores do local. Pessoas próximas ao padre afirmam que ele está abatido, sentindo falta das pessoas que frequentavam as missas celebradas por ele.
 
A Arquidiocese de Goiânia afirmou em nota ao jornal A Redação que reconhece o interesse com que muitos fiéis católicos acompanham a vida da Igreja Católica e que as transferências periódicas são comuns. A resposta não satisfaz os católicos que questionam permanência de outros padres em igrejas por mais de 9 anos, como o padre Robson, da Basílica do Divino Pai Eterno.
 
Sobre a comunidade Atos, a Arquidiocese argumenta que o padre foi designado para uma nova missão e que padres de comunidade não celebram missas abertas à população em geral. Outro ponto questionado pelos fiéis é que existem grandes comunidades, como a Canção Nova, que têm missa televisionada e reúnem milhões de fiéis anualmente, contando com padres famosos, como Fábio de Melo e o falecido Padre Léo. Outro exemplo é a comunidade Shalom, uma das maiores do Brasil.

   

Leia mais:
Padre Luiz proibido de celebrar missas fora da paróquia
Padre Luiz só poderá atender a 16 pessoas
Quebra de acordo seria motivo de punição a padre
Arquidiocese esclarece que Pe. Luiz foi designado para nova missão
Quebra de acordo?

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por Redacao Jornal

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