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Centro Administrativo (Foto: divulgação)

Secretários se movimentam para deixar o governo e disputar eleições em Goiás

Desincompatibilização deve ocorrer até o dia 4 de abril de 2026

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01.03.2026 - 07:55:14

Samuel Straioto

Goiânia – Ao menos 11 auxiliares do governador Ronaldo Caiado (PSD) que integram o primeiro escalão do governo de Goiás estão de olho no prazo de desincompatibilização e devem deixar os cargos até o dia 4 de abril de 2026 para disputar as eleições de outubro. As pré-candidaturas envolvem vagas ao Senado Federal, à Câmara dos Deputados e à Assembleia Legislativa de Goiás. A legislação eleitoral exige o afastamento seis meses antes do pleito, marcado para 4 de outubro. Nos bastidores, a movimentação já está em curso e as equipes dão a saída como certa, mas, por cautela, a maior parte evita confirmar publicamente.

Os cotados para deixar o governo

Entre os cotados para a disputa majoritária está o secretário-geral de Governo, Adriano da Rocha Lima, ventilado como possível vice na chapa de Daniel Vilela (MDB), que busca a reeleição ao governo do Estado. Adriano, contudo, diz que não há decisão formal. O presidente da Agência Goiana de Habitação, Alexandre Baldy (PP), manifesta interesse no Senado. Roberto Naves, presidente da Goiás Turismo, é citado como nome para a suplência de senador, mas também aparece como pré-candidato a deputado federal.

Para a Câmara dos Deputados, o cenário inclui a secretária de Educação, Fátima Gavioli; o presidente do Detran-GO e ex-deputado Waldir Soares (União Brasil); e o presidente da Goinfra, Pedro Sales (União Brasil). Na disputa pela Alego, figuram o secretário do Entorno do Distrito Federal, Pábio Mossoró (MDB), que ainda avalia se vai para o estadual ou federal; o secretário de Infraestrutura, Adib Elias (MDB); o presidente da Ceasa, Carlão da Fox; e o presidente da Codego, Francisco Jr. (PSD).

De saída

Uma das poucas a falar com mais clareza sobre o assunto é a secretária de Educação, Fátima Gavioli. Em entrevista durante a inauguração de uma reforma em colégio estadual, ela confirmou que já recebeu orientação do governador sobre sua saída.

“O governador me pediu para deixar a Secretaria em março. Ainda não conversamos sobre planos e projetos para depois dessa data. Estou à disposição dele. Se ele entender que posso contribuir na política de Goiás, colocarei meu nome à disposição”, afirmou.

O tom de Gavioli é o mesmo que predomina entre os demais: a saída é tratada pelas equipes como certa, mas a formalização e os planos concretos seguem em compasso de espera, aguardando o momento certo para ser anunciados.

Fátima Gavioli é uma das principais auxiliares que deve deixar o governo. Foto: Seduc-GO.

Oportunidade

A reportagem do jornal A Redação apurou que a desincompatibilização em massa do primeiro escalão é vista, nos círculos mais próximos ao governador, como uma janela estratégica.

As vagas abertas pelos auxiliares que saem para disputar as eleições devem ser usadas por Caiado para reconfigurar o secretariado. Partidos aliados podem ser contemplados, movimento que, segundo interlocutores ouvidos pela reportagem, já está sendo costurado nos bastidores.

A reportagem apurou que a reforma deve favorecer legendas como MDB, PP e União Brasil, que já integram a base de apoio do governo e devem ampliar sua participação no secretariado. O objetivo é consolidar alianças que serão decisivas tanto para a campanha presidencial de Caiado quanto para garantir a reeleição de Daniel Vilela ao governo do Estado.

Apesar da movimentação nos bastidores, fontes ouvidas pela reportagem confirmam que Daniel Vilela ainda não iniciou tratativas formais para definir o novo secretariado. A avaliação interna é de que ele deve usar o prazo legal para calibrar escolhas. A intenção é garantir que os novos nomes cheguem ao governo já alinhados com a dinâmica da sucessão.

Pré-candidato ao governo, Daniel Vilela, terá renovação em secretariado. Foto: Governo de Goiás.

A corrida do calendário eleitoral

Além da desincompatibilização, abril concentra outra obrigação crucial: a janela partidária, período de um mês em que deputados federais, estaduais e distritais podem trocar de partido sem risco de perder o mandato. As duas movimentações simultâneas tornam março e o início de abril o momento mais intenso do pré-jogo eleitoral em Goiás.

Após os afastamentos, o calendário segue com as convenções partidárias, previstas entre o fim de julho e início de agosto. Neste período, as siglas oficializam candidatos e alianças. O registro das candidaturas na Justiça Eleitoral tem prazo até meados de agosto. A propaganda eleitoral nas ruas começa em 16 de agosto. Já o horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão estreia em 28 de agosto, seguindo até 1º de outubro.

Para o secretariado goiano, no entanto, o relógio mais importante é o de 4 de abril. A partir dessa data, o mapa político do Executivo estadual será outro — e o tabuleiro eleitoral de Goiás começará a ganhar contornos definitivos.

O que diz a lei?

A desincompatibilização é um instituto do direito eleitoral previsto na Lei Complementar nº 64/1990, a chamada Lei das Inelegibilidades. O objetivo é impedir que ocupantes de cargos públicos utilizem a estrutura e os recursos do Estado para obter vantagem eleitoral, garantindo paridade de condições entre os candidatos.

Para os secretários de Estado e presidentes de autarquias, fundações e empresas públicas estaduais — o chamado primeiro escalão. A exigência é de exoneração definitiva seis meses antes do pleito. Como o primeiro turno das Eleições Gerais de 2026 está marcado para o dia 4 de outubro, o prazo limite cai exatamente no sábado, 4 de abril de 2026.

Já os servidores públicos efetivos que ocupam cargos comissionados podem se afastar com antecedência menor: três meses antes do pleito, com data limite em 4 de julho de 2026. Nesse caso, o afastamento ocorre por licença remunerada para atividade política, e não por exoneração definitiva. Quem não respeitar o prazo incorre em incompatibilidade eleitoral e fica inelegível.

A Procuradoria da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) emitiu recentemente um parecer jurídico orientativo assinado por 11 procuradores detalhando esses prazos para os servidores da Casa. O documento reforça que a responsabilidade pelo requerimento de licença ou exoneração é do próprio servidor, dentro dos limites legais.

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por Samuel Straioto

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