Jairo Macedo
Em visita a Goiânia, a advogada Regina Miki, atual chefe da Secretaria Nacional de Segurança Pública e Justiça (Senasp), foi convidada a conhecer o Projeto Goiânia Mais Segura, programa que visa a integração entre os diversos órgãos de segurança pública do Estado e a sociedade, dentro de uma visão de policiamento comunitário.
Em escola no Setor Morada do Sol, onde será a base das operações, estiveram presentes ainda o Tenente Coronel Evenir da Silva Franco, comandante do 13° Batalhão da Policia Militar, na Região Noroeste da capital, e o coordenador-geral do projeto, Allen Viana, Secretário Municipal de Defesa Social. Franco e Viana trataram de explicar à Secretária o projeto, o qual ela ainda não conhecia.
Entregue o projeto, Regina Miki contou suas primeiras impressões a respeito. A Secretária ressaltou ser o Goiânia Mais Segura um projeto coordenado pela Guarda Municipal, mas que implica em uma integração mais ampla de forças. Para ela, “essa integração é fundamental para o novo paradigma de segurança que estamos buscando em todo o país”. Uma integração que envolveria Polícia Militar, Polícia Federal, Judiciário e sociedade. “Cada um fazendo o seu papelzinho, mas todos integrados”.
Entorno
Perguntada sobre a onda crescente de homicídios, que só hoje registrou pelo menos seis mortes, Regina Miki cita o exemplo das cidades do entorno do Distrito Federal. “Estamos no entorno desde março e tivemos ontem a satifisfação de constatar a queda de 46% de homicídios na região”, disse ela. Ali, segundo a Secretária, o trabalho é preventivo e semelhante ao que deve ser implantado na capital goiana.
Coercitividade
Allen Viana, por sua vez, admite ser esse ainda um plano piloto de um projeto mais ambicioso. “Na prática, nós estamos fazendo esse experimento de tirar a Guarda do discurso e ir para dentro da cidade, das ruas, e contamos com um contigente de 1.800 guardas para isso”, explica ele. Desse contingente, mais de 120 guardas foram deslocados para a Região Noroeste.
Segundo ele, a aceitação da sociedade tem sido muito boa. O Secretário tem constatado, em sua definição, uma forte “coercitividade do cidadão”, que recebeu bem a guarda e o faz sentir mais confiante no projeto. Regina Miki ressaltou ainda: “O policiamento comunitário é importante, mas é uma parcela. Temos que trabalhar também na repressão, no que a polícia de Goiás é altamente capacitada, e na Polícia Judiciária, na investigação, para quebrar a corrente de impunidade”.
Torcidas organizadas
A violência das torcidas de futebol, que hoje teve mais um capítulo na prisão de Evandro Rodrigues, presidente da Força Jovem, torcida organizada do Goiás, também foi abordada. Regina Miki acredita que alguns estados já tem avançado muito nesse tema. Ela cita o exemplo dos clássicos entre Palmeiras e Corinthians, em São Paulo, em que a Polícia Militar implantou mapeamentos das regiões da cidade e treinamento específico para a partida.
Uma articulação semelhante poderia ser feita em Goiânia, reunindo trabalhos entre a Senasp e os órgãos policiais locais.
Seminário
O projeto já está em andamento e segue até 3 de setembro. Recentemente, Regina Miki e o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, estiveram presentes com o governador Marconi Perillo na Cidade de Goiás. Na ocasião, ministro e governador pactuaram um seminário a ser realizado dentro de aproximadamente 20 dias, onde discutirão novas diretrizes para políticas de segurança em Goiás.