Jales Naves
Especial para o AR
Goiânia – Magistrado em tempo integral, a partir de quando foi nomeado Juiz substituto da 1ª Zona de Goiânia, em junho de 1955, o desembargador Sebastião de Sousa, que faleceu com 55 anos, em 1982, trabalhou 36 anos no Setor Público. Antes da magistratura, passou por duas funções na Secretaria da Administração do Estado, como protocolista, em 1947, e auxiliar de escritório, de 1948 a 50. Foi, ainda, professor do Ginásio Estadual de Campinas, padrão ‘T’, em 1950, do Colégio Estadual de Goiânia e do Ateneu Dom Bosco, também de Goiânia, e da Faculdade de Direito de Anápolis. Foi presidente do Tribunal Regional Eleitoral de Goiás, biênio 1979/1980.
“Um ser humano ímpar”. Assim o qualificou o cantor Marcelo Barra, ao falar da convivência que tiveram. “Fino no trato com as pessoas, atencioso e sincero, estava sempre pronto a atender os amigos; tinha a família e o trabalho como prioridades. Bom de prosa e sorridente, adorava uma brincadeira inteligente”, afirmou.
Exigente com a Língua Portuguesa, foi professor da matéria na faculdade e arriscava em versos e poesia, brindando os mais próximos com algumas delas nos finais de semana em sua casa. Fez um discurso em congresso de magistrados, quando da recepção aos visitantes de outros estados, e declamou uma poesia para cada região, o que ficou marcado na memória dos colegas de todo Brasil, que acabaram o elegendo como representante da turma em ocasiões formais.
É o patrono da Cadeira nº 13 da Academia de Letras e Artes de Caldas Novas.
Natural de Caldas Novas, GO, onde nasceu no dia 19 de abril de 1926, filho de Aurélio de Sousa e Orades Medeiros de Sousa, foi casado com Benedita de Farias Sousa e o casal teve cinco filhos: Patrícia, Frederico Guilherme, Mônica, Marco Aurélio e Cássio Murilo. Criou, como filho, Inácio Fernandes Pereira, que chegou em sua casa com 15 anos de idade.
Estudou em colégio interno de Silvânia, GO, e em Campinas (SP).
Sebastião de Sousa, como magistrado, passou por quatro cidades do interior: em 1960 foi promovido, pelo critério de antiguidade, para a Comarca de 1ª Entrância de Cristalina, sendo removido para a Comarca de Hidrolândia um mês depois; e promovido, pelo critério de merecimento, para a Comarca de Pirenópolis, assumindo como Juiz de Direito de 2ª Entrância, em 1963; e para a Comarca de 3ª Entrância de Goiás, em 1966. Retornou a Goiânia em 1968, como Juiz de Direito da 3ª Entrância, e no ano seguinte, igualmente pelo critério de merecimento, assumiu o cargo de desembargador, no qual permaneceu até 1982, quando teve infarto agudo do miocárdio.
Era considerado pelos colegas um magistrado moderno, à frente do tempo em suas decisões processuais e exigente no cumprimento do horário. “Voz suave e firme, mas sem nunca levantar o tom para qualquer pessoa”.
“Figura adorável, deixa boas lembranças do convívio com os amigos”, relata Marcelo Barra, casado com sua filha Mônica e que se destaca como um dos principais músicos de Goiás. “Tem até hoje o respeito dos seus alunos e carinhosas passagens com toda a família”, completou.