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‘Se não reforçarmos o Acordo de Paris, todos vão perder’, afirma presidente da COP

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21.11.2025 - 13:40:00

O presidente da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), André Corrêa do Lago, fez nesta sexta-feira, 21, um novo apelo para o avanço das negociações. Ele voltou a falar das catástrofes climáticas, dos efeitos econômicos e sociais, além de avaliar que a falta de consenso seria conveniente para “aqueles que duvidam” dos resultados da Conferência.

“Se não reforçarmos o Acordo de Paris, todos vão perder. E nós vamos mostrar para aqueles que duvidam que a cooperação é o melhor caminho para o clima. Esses vão ficar absolutamente contentes se não conseguirmos alcançar um acordo. Então, nós devemos chegar a um acordo”, declarou ele em plenária informal.

São quatro os temas mais sensíveis, aguardando consenso. O primeiro trata de como os países desenvolvidos podem financiar ações climáticas em países em desenvolvimento. O segundo busca metas mais ambiciosas para combater o aquecimento global. O terceiro diz respeito à s restrições unilaterais ao comércio por questões ambientais, como barreiras tarifárias. O quarto pede mais transparência em relatórios sobre emissões de gases poluentes.

O documento batizado como “Decisão Mutirão” reúne justamente esses pontos que não constavam da agenda inicialmente prevista para discussão oficial entre países. Um número próximo de 80 países se uniram em torno da ideia de um roteiro para acabar ou reduzir a dependência de combustíveis fósseis. Sob críticas de diferentes grupos sociais e países, esse “roadmap” não está previsto no último rascunho do texto.

‘Hora de acalmar os ânimos e sentar à mesa’

É hora de acalmar os ânimos e sentar à mesa para discutir uma ambição maior de redução das emissões de gases do efeito estufa e como chegar no US$ 1,3 trilhão de recursos para mitigação e adaptação à s mudanças do clima. De um lado, economias baseadas no petróleo demonstram agressividade para manter seu modelo econômico. Mas de outro, uma grande conscientização e condições de reduzir as emissões dos fósseis. “Conversei com muitas delegações e vejo boa vontade”, afirmou a principal autora do Acordo de Paris, Laurence Tubiana, que é presidente da Fundação Europeia para o Clima (ECF) e enviada especial da Europa da presidência da COP30.

Em entrevista à imprensa, Tubiana declarou ser absolutamente essencial uma resposta dos signatários do Acordo de Paris à insuficiência da ambição de redução de gases de efeitos estufa para o cumprimento da meta de aquecimento de até 1,5º Celsius. Ela reforçou que as Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) entregues até agora são insuficientes para o Acordo ser cumprido. A expectativa da presidência brasileira era que 125 NDCs fossem protocoladas antes do início da COP30. Nesse último dia de conferência, apenas 122 chegaram à UNFCCC, braço de clima da ONU.

O foco na meta do “1,5º” e o financiamento da adaptação são o pilar número 1 do pacote de negociação, que foi retomada nesta sexta após o incêndio da quinta nos pavilhões da COP30. “Precisamos olhar para o ‘mapa do caminho’ para o US$ 1,3 trilhão, valor decidido em Baku, no ano passado”, afirmou a especialista.

Ela disse que é difícil integrar nas negociações o capital privado, considerado absolutamente necessário pelos especialistas para alavancar o financiamento climático. “Mas uma das boas ideias do plano ‘Baku to Belém’ foi organizar o Círculo de Ministros de Finanças. Eles não podem ser negociadores, mas precisamos das pessoas que entendem do assunto”, disse. Ela pontuou que vê muitas partes numa postura de não negociar. “Mas se as pessoas não conversarem, as ‘red lines’ não irão desaparecer. Conversar é o mais seguro a fazer”, disse.

Geopolítica e agressividade

Sobre a transição para longe dos combustíveis fósseis, acertada na COP28, Tubiana afirmou que enxerga disposição de delegações para chegar a algum acordo. “Conversei com muitas delegações europeias, Reino Unido, China, Arábia Saudita, Ilhas Marshall, África. E há espaço para se chegar a um bom acordo, havendo, claro, boa vontade de todos.”

Ela ponderou que não é fácil transformar uma economia que trabalha há dois séculos baseada nos combustíveis fósseis especialmente nesse momento geopolítico complexo e polarizado em dois modelos econômicos. “De um lado, os Estados Unidos querendo reforçar o modelo do passado, dos fósseis. Do outro, a China, a Europa e mesmo a àndia”, disse.

“Estou nesse trabalho há 30 anos. E nunca vi tamanha agressividade do setor petroleiro. Há uma pressão do governo americano, do setor marítimo. As ilhas do Caribe estão sob pressão. Uma reação assim é normal, porque vender combustíveis fósseis é o negócio deles.”

Mesmo assim, Tubiana vê condições de chegar a um meio termo entre as partes. “Vejo que há espaço. Há o entendimento que é preciso aumentar a energia renovável nesse momento, não simplesmente substituir os fósseis”, afirmou. E destacou: “a energia renovável hoje está muito mais barata, acessível e escalável do que em 2015, quando o Acordo de Paris foi assinado”.

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por Agência Estado

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