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Saúde do homem: Porque eles não buscam prevenção?

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01.11.2019 - 16:52:53

Estimativas recentes sugerem que os homens brasileiros vivem, em média, sete anos a menos do que as mulheres. Esse índice pode explicado por diversos aspectos, dente eles a maior exposição a eventos externos (como violência, acidentes de trânsito e consumo de álcool e drogas). Além disso, os homens são acometidos mais precocemente por doenças como câncer, problemas do coração, hipertensão, colesterol e diabetes.
 
Em 2009, o Ministério da Saúde implantou a Política Nacional da Saúde do Homem com base em várias estatísticas preocupantes sobre a qualidade de vida do brasileiro. Eles têm 20% mais doenças causadas por hipertensão do que as mulheres. O colesterol alto costuma atingi-los cerca de 5 anos mais cedo do que a elas e é um dos principais fatores de risco para a doença cardíaca isquêmica. As doenças cardiovasculares eram a principal causa de morte em homens– sendo que um em cada quatro morria por essa causa – até 2019, quando foram ultrapassadas, ao menos nos países desenvolvidos, pelo câncer (hoje responsável por 55% das mortes anuais nesses países) segundo estudo prospectivo PURE, publicado na revista científica “The Lancet”, em setembro de 2019, e que avaliou indivíduos entre 35-70 anos de 21 países distribuídos nos 5 continentes.
 
Essa maior prevalência não se deve apenas à genética. Enquanto as mulheres têm costume de ir ao médico com regularmente, se exercitar regularmente e cuidar da alimentação, os homens são mais descuidados com seu próprio corpo e se consultam apenas em caso de urgência. É triste saber, mas boa parte do desenvolvimento desses problemas poderia ser evitada com a prevenção e não ocorre principalmente por questões ligadas à cultura e à educação. 
 
Ensinados desde crianças a não pedir ajuda, a não demonstrar seus sentimentos, assim como suas fragilidades, resistindo arduamente a todos os percalços e problemas da vida, como prova da sua masculinidade, comprovadamente os homens não procuram por serviços de saúde. A chamada prevenção de atenção primária. Consequência disso é que, quando suas doenças são identificadas, as mesmas já são sintomáticas, usualmente por estarem já em estágio avançado, resistindo brutalmente as chances de cura.
 
Em especial no caso do câncer de próstata, a identificação da doença ainda esbarra no preconceito que envolve o exame de toque retal, recurso simples e acessível para o diagnóstico da doença. Cerca de 75% dos casos ocorrem a partir dos 65 anos. Em 2018, no Brasil, foram estimados 68.220 casos, segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca). Alguns desses tumores podem crescer rapidamente, espalhando-se para outros órgãos, o que agrava o risco de morte. A maioria absoluta, porém, cresce lentamente (cerca de 15 anos para atingir 1 cm³) e não chega a dar sinais durante a vida e nem a ameaçar a saúde do homem. 
 
Mas os números são animadores se formos observar que há maior procura pelo diagnóstico médico. Em 2017, 15.391 homens foram diagnosticados com câncer de próstata. Já em 2018, o número foi mais do que quatro vezes maior. Isso se deve ao fato de ter havido mais diagnósticos, já que os homens começaram a buscar mais as consultas médicas, e também pela evolução dos métodos diagnósticos (exames), melhoria na qualidade da informação no País e pelo aumento na expectativa de vida dos pacientes.
 
Nos últimos anos intensificou-se ainda a capacitação de profissionais da atenção básica para um melhor esclarecimento aos homens sobre os sintomas do câncer de próstata, combatendo também o preconceito que envolve o exame de toque, além da instauração de políticas nacionais voltadas para a saúde do homem.
 
Por isso, a importância de ações como o Novembro Azul, que visam alertar e lembrar a todos a importância de cuidar da saúde e, em especial, de deixar de lado o preconceito e o medo de consultar um urologista. Ser homem é encarar suas fragilidades (e a doença) e tratar-se! 
 
*Dr. Uirá Resende, oncologista do Hospital Oncológico Hemolabor
 
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por Dr. Uirá Resende

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