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Salvar o turismo goiano da crise do coronavírus

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12.06.2020 - 15:36:18

Três meses depois do início do isolamento social, o turismo é um dos setores que mais tem amargado com queda de faturamento. Em Goiás, estima-se que o prejuízo tenha sido de aproximadamente R$400 milhões nesses meses de paralisia.

 
Quando se fala em nível de Brasil, a conta sobe para R$88 bilhões de acordo com a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Já um estudo da Fundação Getúlio Vargas Projetos (FGV Projetos) faz uma projeção para as perdas do turismo brasileiro em 2020 e 2021: R$161,3 bilhões.
 
Após um período ocioso de aproximadamente cinco meses, o setor levaria ainda mais doze meses para se recuperar. O Produto Interno Bruto (PIB) do turismo no Brasil em 2020, segundo a FGV Projetos, deve ser 46,9% menor que o PIB de 2019.
 
As estimativas para demissões no turismo do país por conta da crise da pandemia vão de 97 mil a mais de 1,1 milhão. Qualquer que seja o número real, houve, há e ainda haverá muitas perdas de postos de trabalho e isso é terrível para a economia.
 
Cidades goianas como Caldas Novas, Rio Quente, Pirenópolis e Goiás, que recebem milhões de pessoas todos os anos, estão à deriva. Trindade ficará sem receber ninguém na Festa do Divino Pai Eterno, uma das maiores festas religiosas do mundo, pois foi cancelada.
 
Com a temporada do Rio Araguaia suspensa, as cidades como Aruanã, Aragarças, Luiz Alves, Baliza e São Miguel do Araguaia terão suas economias afetadas também.
 
Uma forma de auxiliar as empresas – pousadas, hotéis, bares, restaurantes etc. – dessas cidades que citei acima e várias outras é a Medida Provisória (MP) 936, criada pelo Governo Federal, que permite a redução de salário e jornada de trabalho.
 
Isso permite que elas possam sobreviver esse período difícil e manter parte de seus colaboradores (pois infelizmente nem sempre será possível manter todos).
 
Esta é também uma forma de economizar, pois é caro demitir e caro readmitir, já que em dezembro, a próxima alta temporada, será necessário recontratar muita gente.
 
O Governo de Goiás, após levantar R$20 milhões do Ministério do Turismo, também têm liberado linhas de crédito, através do Goiás Fomento, para empresas e guias turísticos se manterem na crise.
 
Acima de tudo, uma excelente maneira de auxiliar essas empresas e esses trabalhadores é diminuir os tributos. Não só agora, sempre. O governo basicamente dá com uma mão e tira com a outra.
 
É inegável que o setor turístico goiano e brasileiro terá que se reinventar, até para atrair seu público novamente. Em muitos países onde a pandemia está mais controlada, turistas adotaram o staycation ou holistay, isto é, turismo há curtas distâncias de casa. Às vezes, nem é preciso dormir lá, é bate-e-volta.
 
Ainda não é hora para fazer isso aqui em Goiás (apesar da teimosia de algumas pessoas). Quanto mais rápido controlarmos a doença, mais rápido poderemos comer um empadão em Goiás, andar de jet-ski em Três Ranchos ou caminhar até Trindade.
 
Todos nós queremos passear – eu mesmo estou ansioso para viajar – mas precisamos ter paciência. Tenho esperanças de que em breve voltaremos a aproveitar as belezas que Goiás e o Brasil têm a oferecer.

*Pablo Paulino é gestor jurídico no Brasil e Silveira Advogados.

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por Pablo Paulino

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