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Saiba quais tipos de câncer mais acometem as mulheres

21.03.2019 - 18:12:30
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Este mês é alusivo ao universo feminino devido à celebração do Dia Internacional da Mulher, comemorado em 8 de março. A data nos leva a debater sobre um tema importante como os três tumores malignos que mais acometem às mulheres. Sendo que as medidas preventivas e o diagnóstico precoce são as maiores armas contra o câncer. Por isso, a disseminação de informação é fundamental.
 
O câncer de mama está em primeiro lugar, constitui-se no mais frequente e comum tumor maligno entre as mulheres, corresponde a 25% de todos os tumores malignos femininos e a uma taxa de incidência de 43/100 mil. É a primeira causa de morte por câncer entre elas. Múltiplos fatores como idade da primeira menstruação menor do que 12 anos; menopausa após os 55 anos; mulheres que nunca engravidaram ou nunca tiveram filhos (nuliparidade); primeira gravidez após os 30 anos; uso de alguns anticoncepcionais e terapia de reposição hormonal (TRH); exposição à radiação ionizante; consumo de bebidas alcoólicas; dietas hipercalóricas; sedentarismo e predisposição genética contribuem para o surgimento da doença.
 
A Sociedade Brasileira de Mastologia preconiza a realização da mamografia anualmente para as mulheres a partir dos 40 anos como estratégia de rastreio, mas existem diversos entraves no acesso aos exames e ao médico especialista pela deficiência do Sistema Único de Saúde (SUS).
 
Em segundo lugar temos o câncer de intestino que apesar de seu alto impacto na população feminina ainda não recebe a atenção adequada pelo sistema de saúde. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), estimam-se 18.980 casos de câncer de intestino em mulheres para o biênio 2018-2019. Os fatores de risco ligados ao estilo de vida são modificáveis e incluem: consumo de bebidas alcoólicas; baixa ingestão de frutas e vegetais; alto consumo de carnes vermelhas e de alimentos processados; obesidade, tabagismo e o sedentarismo. A colonoscopia é o exame que acompanha a enfermidade e deve ser feito pela população a partir dos 45 anos.
 
Em terceiro lugar, temos o câncer de colo uterino. Para o Brasil, estimam-se 16.370 casos novos de câncer do colo do útero para 2018-2019. Há diversas causas envolvidas na etiologia deste câncer, mas as infecções persistentes pelo vírus HPV são o principal. Nesse sentido, o início de atividade sexual com pouca idade que aumenta a exposição ao risco de infecção por HPV, além da imunossupressão, multiparidade (ter muitos filhos), tabagismo e o uso prolongado de contraceptivos orais com o hormônio estrogênio são fatores associados ao desenvolvimento do câncer cervical. O Papanicolau é um exame que diagnostica este tipo câncer. O Ministério da Saúde recomenda o exame citopatológico em mulheres assintomáticas com idade entre 25 e 64 anos, a cada três anos, após dois exames anuais consecutivos normais.
 
Desde 2014, está disponível, na rede pública, a vacina tetravalente contra os subtipos 6, 11, 16 e 18 do HPV para meninas de 9 a 13 anos; e, a partir de 2017, também para meninos de 11 a 13 anos. O câncer do colo uterino possui elevado potencial de cura quando detectado em estágios iniciais e tem a vacinação contra o HPV como um forte aliado na sua prevenção. Lembrando que o diagnóstico precoce é formado pelo tripé: população alerta para os sintomas suspeitos; profissionais de saúde capacitados para avaliar os casos suspeitos e serviços de saúde preparados para garantir a confirmação diagnóstica oportuna e com qualidade.
 
*Danielle Laperche é oncologista do Hemolabor, unidade de saúde referência no tratamento de câncer em Goiás e especialista em cancerologia/oncologia clínica pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
 
 
 
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por Danielle Laperche

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