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Sabedoria no âmbito empresarial e a pandemia

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23.12.2020 - 14:00:00

Tratar a temática de empreendedorismo em 2020 nos remete, impreterivelmente, à pandemia causada pelo coronavírus. Seja em livros, blogs ou palestras que temos acesso pela internet, a dica é, para quem se aventura no negócio próprio, ter, além de conhecimentos técnicos, um ótimo jogo de cintura e maturidade para enfrentar situações muitas vezes imprevisíveis e inesperadas. Foi o que aconteceu em março deste ano, quando o Sars-Cov-2, responsável por causar a Covid-19, fez a primeira vítima no Brasil. De lá para cá, o que se tinha como certo se transformou em incerteza e reflexões em âmbito pessoal ou profissional nos levaram a repensar nossas estruturas, incluindo as formas de se adaptar e criar estratégias para a crise.
 
O comportamento das pessoas em relação ao consumo mudou completamente nos primeiros dias da pandemia e itens considerados de primeira necessidade, como alimentos, bebidas e medicamentos, tiveram a preferência frente às demais. Mas tão logo as semanas passaram, novas necessidades foram surgindo e, mesmo temerosas com o futuro financeiro, a população adaptou seu modo do consumo, apostando em outros setores do mercado, como o de construção e reforma,  móveis e estofados; alusão clara que mesmo o ‘ficar em casa’ exige gastos. É diante deste cenário que vale a pena o empresário se ater e adquirir uma nova postura na gestão de seus negócios, investindo no aperfeiçoamento de sua comunicação a fim de que o público-alvo perceba a necessidade do serviço ofertado.
 
Não há uma receita pronta capaz de solucionar a vida de todos os empresários, mas, com alguns truques, é possível se sobressair no mercado. A primeira delas é que é preciso estar atento às informações que chegam pela imprensa, sobretudo aquelas relacionadas à economia e propostas dos Governos. Fuja, sempre, de fake news, pois elas não agregam e ainda roubam tempo e energia para a elaboração de ações que sejam de fato eficazes. Faça um estudo contábil aprofundado com as informações que o próprio negócio gera, verificando os custos envolvidos com os processos e quais maneiras é possível intervir para reduzi-los. A mais óbvia delas é negociar e, diante de uma crise deste nível, há maior margem para tal. Mas cuidado, pois priorizar custos, seja de fornecedores ou prestadores de serviço, pode não ser a melhor solução, uma vez que a falta de certeza da estrutura e qualidade para atendê-lo não compensa a substituição.
 
É o que acontece, por exemplo, com o marketing. A primeira vista pode figurar na lista de cortes necessários, embora seja ele quem irá traçar a estratégia para gerar lucro à empresa. Reavalie as ações e tenha em mente que é importante estar presente, sendo sensível ao momento e, em hipótese alguma, soando como oportunista com o impacto que a pandemia tem trazido na vida das pessoas. Essa é mais uma das razões para evitar, por conta de custos, o amadorismo. E por falar em lucro, é importante saber que em contextos de crises, o foco da empresa deve ser primordial em melhorar a gestão, com o objetivo de se tornar mais forte e ganhando musculatura para enfrentar os desafios econômicos que vêm na sequência. Alguns segmentos podem lucrar mais, por conta da necessidade da população, mas todos podem sair amadurecidos e prontos para as oportunidades que virão.
 
Frente a segunda onda da pandemia que nos ameaça com um novo lockdown, quando a retomada do comércio parecia certa, é natural que o desânimo surja entre o empresariado. É preciso nessa hora ter em mente que nenhuma crise é eterna e assim como o mundo superou a grave crise financeira em 2008 e resistiu, esta também é passível de ser superada. Mas, se a análise fria dos números internos da empresa revelar que o seu negócio terá grandes chances de ter prejuízo neste momento e nos meses que virão, talvez seja melhor reavaliar as formas de evitar esse cenário e, em alguns casos, dependendo do mercado no qual está inserida, o encerramento das atividades ser uma saída para se distanciar de dívidas. É uma possibilidade para retomar no futuro com um novo negócio sem sequelas e mais otimista com o futuro.
 
*Paulo Zahr é cirurgião dentista, fundador e CEO da OdontoCompany
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por Paulo Zahr

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