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Putin (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

Rússia encerra primeira eleição parlamentar da guerra

Kremlin deve manter domínio

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20.09.2026 - 18:45:44

São Paulo – A primeira eleição parlamentar da Rússia desde o início da guerra na Ucrânia chega ao fim neste domingo, 20, praticamente sem oposição às políticas do presidente Vladimir Putin e com a perspectiva quase certa de consolidar o domínio do Kremlin. O último dia de votação ocorre depois que as forças ucranianas lançaram mais de mil drones contra a Rússia durante a madrugada, incluindo centenas em direção a Moscou.

A votação começou na sexta-feira, e as autoridades incentivaram o voto eletrônico pela internet para aumentar a participação dos 111 milhões de eleitores aptos a votar no país.

Pela primeira vez, a eleição inclui moradores de quatro regiões ucranianas anexadas ilegalmente por Moscou após o início da guerra, mas que a Rússia ainda não controla integralmente. A votação também ocorre na Crimeia, península do Mar Negro anexada ilegalmente pela Rússia em 2014.

As autoridades de Kiev denunciaram a votação nas áreas sob controle russo como ilegal e pediram aos governos estrangeiros que não reconheçam o resultado. Na sexta-feira, a União Europeia classificou a medida como uma “violação flagrante do direito internacional”.

Kremlin deve manter controle do Parlamento

O Kremlin pretende usar a eleição parlamentar – a primeira desde o início da invasão em larga escala da Ucrânia, em 2022 – para demonstrar apoio popular à guerra e legitimar sua ofensiva. Para evitar riscos políticos, o governo procurou sufocar qualquer manifestação de dissidência.

Uma ampla campanha na mídia estatal e o rígido controle do processo eleitoral, em um cenário de ausência de oposição efetiva, praticamente asseguram que o Kremlin mantenha seu domínio sobre a política russa, apesar dos custos econômicos crescentes e da intensificação dos ataques ucranianos com drones em áreas distantes da fronteira.

Os eleitores votam em duas cédulas distintas. Metade das 450 cadeiras da Duma é preenchida pelo voto em partidos políticos, enquanto as demais são disputadas em distritos eleitorais uninominais, nos quais os eleitores escolhem candidatos individualmente.

Os resultados preliminares são esperados poucas horas após o encerramento da votação no oeste do país.

A Rússia Unida, principal partido de apoio ao Kremlin, deve manter seu amplo domínio sobre a Duma Estatal, a câmara baixa do Parlamento russo. Também se espera que vários partidos menores da chamada “oposição sistêmica”, que acompanham as posições de Putin em todas as questões centrais, preservem sua representação parlamentar.

Oposição é afastada, e observadores denunciam irregularidades

O partido liberal Iabloko, única legenda registrada que ousou criticar publicamente a guerra, foi retirado da disputa por listas partidárias no mês passado pelo Supremo Tribunal da Rússia. Restaram ao partido apenas algumas dezenas de candidatos nas disputas distritais. Além disso, alguns políticos contrários à guerra foram presos ou obrigados a fugir para o exterior antes do início da campanha.

O Iabloko e o Partido Comunista, que criticou alguns aspectos das políticas do governo, mas evitou cuidadosamente qualquer crítica a Putin, afirmaram que muitos de seus observadores foram impedidos de entrar nos locais de votação.

A Rússia não convidou observadores da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE). O Ministério das Relações Exteriores russo acusou a entidade de adotar “dois pesos e duas medidas” em suas críticas ao país. O presidente da Assembleia Parlamentar da OSCE, Pere Joan Pons, afirmou que a decisão representa uma violação dos compromissos assumidos pela Rússia como Estado-membro da organização.

O Iabloko informou que um de seus observadores perdeu a consciência ao ser detido pela polícia em um local de votação de São Petersburgo, no sábado. Segundo o partido, a prisão ocorreu depois que funcionários eleitorais o acusaram de tentar “atrapalhar as eleições” e chamaram a polícia.

Os partidos relataram irregularidades, entre elas a abertura de urnas lacradas, a falta de segurança nas portas dos locais de votação durante a noite e a recusa em fornecer cédulas de papel. As denúncias não puderam ser verificadas de forma independente.

Em um local de votação na parte da região de Donetsk sob controle russo, eleitores depositavam suas cédulas em uma urna enquanto um soldado russo armado permanecia nas proximidades, observando o movimento.

Votação eletrônica apresenta problemas em Moscou

Ella Pamfilova, presidente da Comissão Eleitoral Central da Rússia, afirmou neste domingo que o sistema de votação eletrônica de Moscou foi alvo de ataques cibernéticos. Ela atribuiu os ataques a um dos partidos da chamada “oposição sistêmica”, sem especificar qual.

O veículo independente russo SotaVision informou neste domingo que eleitores relatavam falhas nos sistemas de registro eletrônico em locais de votação de toda a capital. Segundo o veículo, que publicou as informações no Telegram, os eleitores não recebiam cédulas de papel e eram orientados a votar em terminais eletrônicos.

Leonid Volkov, aliado próximo do falecido líder oposicionista russo Alexei Navalny, levantou a hipótese de que a suposta falha no sistema utilizado para fornecer cédulas de papel em Moscou tenha sido deliberada, com o objetivo de direcionar os eleitores para a votação eletrônica.

“Exijam uma cédula de papel!”, escreveu Volkov no X, neste domingo.

Filas se formaram diante dos locais de votação, já que muitos eleitores se recusavam a votar eletronicamente.

O presidente do Iabloko, Nikolai Rybakov, que havia incentivado seus apoiadores a anular o voto na lista partidária, votou neste domingo em São Petersburgo. Sua cédula estava coberta de inscrições em verde-vivo com as mensagens “Pela liberdade”, “Pela paz” e “Iabloko”.

Oposição russa no exterior realiza protestos

A oposição russa no exílio, incluindo Yulia Navalnaya, viúva de Alexei Navalny, convocou os russos contrários à guerra a votar ao meio-dia deste domingo.

Milhares de russos que vivem na Armênia participaram da votação, formando filas do lado de fora da Embaixada da Rússia em Erevan, capital do país. Alguns aderiram à manifestação contra a guerra intitulada “Meio-dia por uma Rússia pacífica”, com cartazes contrários à guerra e a Putin.

O jornalista Mark Podberezin afirmou que integrantes da comissão eleitoral em Erevan fizeram comentários que lhe pareceram uma “intimidação explícita”. Segundo ele, ouviu frases mais ou menos nos seguintes termos: “Mais cedo ou mais tarde, vocês terão de voltar para a Rússia. Tenham isso em mente”.

Lidiya Klimenko disse não acreditar que seu voto teria algum impacto real. Para ela, o mais importante era “ver outras pessoas que também são contra a guerra, estar junto em torno de uma causa comum”.

Na Alemanha, eleitores votaram na Embaixada da Rússia em Berlim. Andrei Pivovarov, dissidente e ex-dirigente do grupo Rússia Aberta (Open Russia), discursou durante um protesto realizado do lado de fora do prédio.

Ucrânia lança mais de mil drones contra a Rússia

O último dia da eleição ocorre em meio a uma grande onda de ataques ucranianos. O Ministério da Defesa da Rússia afirmou neste domingo que suas forças derrubaram um total de 1.110 drones ucranianos sobre o território russo, a Crimeia anexada e o Mar Negro.

Duas pessoas morreram e 20 ficaram feridas na região de Moscou, segundo o governador local, Andrei Vorobyov.

A eleição ocorre após um verão de ataques ucranianos de longo alcance com drones contra refinarias de petróleo russas, que desencadearam uma ampla crise de abastecimento de combustíveis. Armazéns das varejistas online Wildberries e Ozon também foram atacados.

Esses ataques agravaram os problemas econômicos do país e levaram os efeitos da guerra para o cotidiano de milhões de russos. (Agência Estado)

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por Agência Estado

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