A Redação
Goiânia –
Para Charles Chaplin, um dos atores mais famosos da era do cinema mudo, 'a persistência é o caminho do êxito'. Mas hoje, em um cenário altamente diferente, com amplo acesso à tecnologia, ainda é possível identificar esse tipo de comportamento na busca pelo sucesso? O que se percebe é que os jovens que integram a geração Y se mostram cada vez mais fluidos e impacientes ao executar suas tarefas diárias, o que reflete diretamente em aspectos profissionais, principalmente quanto à permanência em seus empregos.
De acordo com um estudo divulgado recentemente pela Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República (SAE), a taxa de rotatividade de jovens na faixa de 18 a 24 anos é de 77%, enquanto que para a linha de 30 a 64 anos, o percentual é de 28%. Os dados mostram que mais de um terço dos jovens não param em seus empregos e, na maioria dos casos, o desligamento ocorre a pedido do empregado.
O entra e sai dos jovens no mercado de trabalho tem chamado atenção de especialistas, como, por exemplo, o professor de Recursos Humanos da Faculdade Estácio, Sandro Rodrigues. Segundo ele, a alta rotatividade e o abandono dos postos de trabalho implicam na instabilidade profissional de pessoas que estão apenas começando a exercer suas atividades em um mercado amplamente competitivo.
O professor de Recursos Humanos ressalta que os jovens necessitam trabalhar melhor a resiliência, tolerância e paciência. "Hoje são imediatistas e não aguardam a maturação do processo de adaptação". Com base em suas consultorias de coach, Sandro relata que muitos jovens desconhecem o que querem de seu futuro profissional. "Muitas vezes se mostram sem direcionamento, perdidos, imersos em um cenário altamente desconhecido", afirma.
Para aqueles que querem reverter essa situação e construir uma carreira mais sólida, mesmo em meio à crise que o país está enfrentando, a dica é: mantenha o foco, a disciplina e a organização. "Em minhas palestras, afirmo que todos devem melhorar a comunicação, seja para liderar, convencer ou persuadir", ressalta o professor da Estácio. Para ele, a postura profissional deve ser evidenciada em todos os âmbitos de convivência, estabelecendo, assim, relacionamentos saudáveis.
Também é muito importante ser proativo e estar bem informado sobre fatores internos e externos da empresa. Procure fontes reais de dados, evite o 'achismo', invista em estudo, tenha visão sistêmica dos negócios e faça sem esperar. "A empresa quer resultados, por isso faça tudo com satisfação e evite o retrabalho”, destaca Sandro Rodrigues.
Escolher a organização que realmente pretende trabalhar também é fundamental. Muitos jovens não direcionam sua intenção ao escolher um novo emprego, desconsiderando fatores como identificação com a empresa, perspectiva de crescimento, políticas internas, entre outros. Para Sandro, fazer um currículo direcionado pode tornar a decisão mais assertiva. "Provoque uma entrevista e demonstre seu conhecimento e possíveis resultados. É na crise que despontam os grandes profissionais, com ideias e proatividade", conclui.