A colisão, que envolveu sua moto Kawazaki 750 e um automóvel que puxava uma carretinha, resultou em uma fratura exposta na perna direita e uma fratura na coluna vertebral. Diego passou por duas cirurgias e ficou 22 dias internado. Segundo o vendedor, os problemas e os prejuízos causados pelo acidente só não foram ainda maiores porque ele tinha a garantia do seguro da motocicleta.
"Não tive prejuízos financeiros com o acidente. O seguro cobriu totalmente o concerto da moto e ainda pude vendê-la para comprar um carro, que hoje é o único meio de transporte da minha família. O seguro me deu garantias com relação ao meu bem material, e isso foi muito importante naquele momento", ressaltou.
A contratação de seguros para motos ainda não é expressiva em Goiás, já que somente cerca de 5% dos serviços ativos atualmente são para esse tipo de veículo. No entanto, diante do elevado número de furtos e roubos e também de acidentes, é possível identificar mudanças no comportamento de alguns condutores. Mesmo que ainda de forma tímida, o perfil dos motociclistas goianos está mudando e a busca pela garantia do seguro tem avançado.
O presidente do Sindicato dos Corretores de Seguro de Goiás (Sincor-GO), Henderson de Paula Rodrigues, explicou, em entrevista ao jornal A Redação, que a crise financeira influenciou na queda de contratações de seguros no Estado, mas que atualmente o cenário começa a ficar positivo. "De 2015 para 2016 o Sindicato registrou aumento de 3% nos contratos de seguros em todo território goiano", disse.
Henderson de Paula explicou ainda que, para os próximos anos, a expectativa é de aumento significativo na contratação de seguros em Goiás. "A medida em que a economia brasileira for melhorando, a procura pelos seguros também vai crescer. Isso porque notamos uma preocupação, cada vez maior, do condutor em preservar seu patrimônio. O seguro é a garantia do bem material", ressaltou o presidente.
Perigos e garantias
Histórias como a do vendedor Diego engrossam as estatísticas de acidentes envolvendo motociclistas em Goiânia. No caso do vendedor, a saúde foi recuperada e a rotina restabelecida, mas nem para todos os motociclistas o final é feliz. Dados da Delegacia Especializada em Investigações de Crimes de Trânsito de Goiânia (Dict) mostram que em 2016 foram registradas 245 mortes no trânsito da capital. Das vítimas, 74% estavam em motos.
A capital goiana tem hoje 296.136 motocicletas cadastradas no Departamento de Trânsito de Goiás (Detran-GO) e, além dos casos de colisões e quedas, o número de furtos e roubos também é preocupante.

De acordo com o corretor Vinícius de Araújo Porto (foto ao lado), representante de uma agência de seguros de Goiânia, a proteção do veículo é procurada, normalmente, por proprietários de motos de alta cilindrada.
"Temos duas opções de seguros. Um pacote direcionado apenas para roubo e outro, o tradicional, que oferece a cobertura para colisão, incêndio e roubo. O que diferencia é que o seguro para motos, proporcionalmente ao valor do bem, fica um pouco mais caro que o de carro, chegando a atingir até 15% do valor da motocicleta. Isso porque os números de acidentes e roubos envolvendo motocicletas é bem superior aos que envolvem automóveis", detalhou.
Além dos danos materiais, na maioria das vezes os condutores de motos que se envolvem em acidentes saem machucados, com graves sequelas e até mesmo perdem a vida no trânsito. E para assegurar o condutor e também a família dele, o corretor de seguros chama a atenção para os planos de seguro de vida.
"Na grande maioria das vezes, o motociclista que se envolve em um acidente acaba ficando muito machucado, ou até mesmo perde a vida. E aí o seguro da moto vai cobrir os danos materiais, mas o seguro de vida é que vai cobrir eventuais problemas de saúde e incapacidade de trabalhar. A minha recomendação é que, junto com o seguro do bem material, o motociclista fizesse também um seguro de vida. Seria uma tranquilidade e uma garantia maior", explicou Vinícius.
Tranquilidade e segurança que não teve o vendedor Wanderson Barbosa Santos, de 30 anos. O motociclista se envolveu em um acidente no ano passado, quando conduzia sua Yamaha MT-09. A motocicleta, que era financiada e avaliada em cerca de R$ 39 mil, teve perda total. Sem seguro, o vendedor se viu desesperado.
A moto de Wanderson teve perda total. O vendedor comprou outra motocicleta, que hoje é assegurada (Foto: Arquivo Pessoal)
"Na época do acidente fiquei muito preocupado, pensando como eu iria reaver o valor da minha moto para quitar as prestações que faltavam e não ficar, ainda mais, no prejuízo. Além de ter tido ferimentos graves e de ter ficado internado por 38 dias, ainda tinha que resolver meu problema financeiro", relatou Wanderson.
O caso do acidente, que foi provocado pelo condutor do outro veículo, precisou ir à Justiça para que Wanderson conseguisse reaver uma parte do dinheiro da sua motocicleta, situação que poderia ter sido evitada caso a vítima possuísse a garantia de uma seguradora. Depois da experiência traumática, conforme destaca, o vendedor comprou outra moto e, atualmente, o bem é assegurado. "Hoje me sinto mais confortável. Motocicleta é uma paixão, não vivo sem. E o seguro é a tranquilidade que preciso para continuar andando de moto", conclui.