Gabriela Louredo
Goiânia – A histórica cidade de Goiás abriga o primeiro quartel da Polícia Militar do estado – construído nos idos de 1860 -, um prédio que atualmente está em ruínas, colocando em risco parte da memória do povo goiano. Um terço da edificação está interditado porque a estrutura ameaça desabar.
Para tentar reverter essa situação, a Elysium Sociedade Cultural elaborou e doou projeto de restauração e adaptação do prédio à Polícia Militar do Estado de Goiás, por meio de acordo de cooperação técnica via Lei Rouanet. O coordenador técnico da entidade, Wolney Unes, entregou o documento ao secretário de Segurança Pública, Irapuan Costa Júnior, nesta quinta-feira (13/9).
O próximo passo é a captação de recursos para a realização da obra, uma vez que a execução do projeto está orçada em cerca de R$ 10 milhões. Na próxima semana, Irapuan irá até Brasília para participar de uma audiência com a presidente do Iphan, Kátia Bogéa, para pleitear financiamento do governo federal. A reunião foi marcada pela superintendente regional do Iphan em Goiás, Salma Saddi, que vê o momento como favorável ao pedido, uma vez que a cidade de Goiás foi a que mais obras executou no âmbito do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) de Cidades Históricas, num total de 100% dos recursos solicitados.
O coordenador da Elysium, Wolney Unes, afirma que, além das readequações físicas que vão buscar a preservação das características arquitetônicas da construção, será instalado o Centro de Memória e Documentação Histórica da Polícia Militar, com o intuito de valorizar o material que conta parte da história da corporação.

(Foto: Esther Teles)
"A ideia é pegar o pavilhão da frente, que dá acesso à rua, e transformá-lo em um museu. Lá tem algumas preciosidades interessantes", afirma. Unes refere-ao acervo de fotos e documentos no prédio onde funciona o 6º Batalhão da PM, mas que se encontra em péssimo estado de conservação. Trata-se de documentos e fotos datados do período colonial.
A previsão é de que os reparos durem 12 meses. Serão recuperados os três blocos mais antigos do prédio, com adaptações internas necessárias para o bom funcionamento da corporação. As outras quatro edificações sem valor histórico serão demolidas para permitir a ampliação dos alojamentos, sala de ensaios da banda de música e área de convivência.
"O projeto prevê a derrubada de uns acréscimos que são incompatíveis e também será ampliada a área de estacionamento", acrescenta Wolney. O quartel fica na mesma rua da prefeitura, recentemente restaurada, e integra o perímetro do centro histórico da cidade que detém o título de patrimônio cultural da humanidade, concedido pela Unesco em 2001.