Rafael Zelmann
Goiânia – O Goiás sagrou-se bicampeão estadual após vencer o Anápolis por 5 a 4 em cobranças de pênalti após empate por 1 a 1 na etapa regulamentar neste domingo (8/5), no estádio Serra Dourada. Mais de 16.500 torcedores compareceram à praça esportiva para ver o time esmeraldino conquistar a taça após uma campanha praticamente impecável.
O Verdão veio de um 2015 complicado. Apesar de ter vencido o Goianão, o time alviverde foi rebaixado para a Série B do Brasileiro em uma campanha marcada por problemas na diretoria, constantes mudanças no comando técnico e cobrança da torcida quanto a atuação dos jogadores.
Para a atual temporada, a diretoria esmeraldina resolveu apostar para o papel de treinador em um velho conhecido da casa. O técnico Enderson Moreira levou o Goiás aos títulos da Série B do Brasileiro e o de bicampeão goiano em 2012 e 2013, mas após seu segundo estadual deixou o clube alviverde e foi para o Grêmio-RS. Desde então, o técnico teve passagens de pouco destaque não apenas no tricolor gaúcho, mas no Santos, Atlético-PR e Fluminense.
Enderson Moirera (Foto GEC)
A volta de Enderson para a Serrinha animou a torcida esmeraldina e trouxe esperança de uma boa temporada. Junto com o treinador vieram alguns jogadores veteranos de nome como Daniel Carvalho, Cassiano e Cléo, aliados a jovens apostas que viriam a se destacar no cenário estadual, entre eles estão Rafhael Lucas e Wagner.
CAMPEONATO GOIANO
Apesar dos reforços e novo comando técnico ainda faltava convencer a torcida dentro de campo e mostrar que 2016 poderia ser igual ou tão bom quanto 2012. Para isso seria necessário fazer um ótimo Goianão e logo na estreia o esmeraldino faria o clássico contra o embalado Vila Nova, que havia conquistado a taça de campeão da Série C do Brasileiro e a volta para a elite do campeonato estadual.
O duelo de grande rivalidade regional foi marcado por declarações polêmicas de ambos os lados pré e pós partida. Porém, o Goiás saiu vitorioso por 2 a 0. Na sequência enfrentou Aparecidense, Anapolina e só foi ver sua primeira derrota na quarta rodada quando o veteraníssimo Nonato acabou com a partida e garantiu a vitória para o Goianésia.
Nonato (Facebook.com azulaodovale)
Após a derrota, o alviverde teve o outro clássico estadual contra o Atlético-GO. Na ocasião as duas equipes mantinham as melhores campanhas da competição e um empate por 2 a 2 foi o resultado da partida. Na continuação do Goiano, o esmeraldino se reencontrou com a vitória até mais um clássico contra o Tigre que acabou ficando no empate por 0 a 0.
A segunda derrota do Goiás veio apenas na décima rodada quando fez o segundo duelo contra o Dragão. O rubro-negro venceu por 1 a 0 e continuou disputando ponto a ponto a liderança geral do Campeonato Goiano contra o esmeraldino. Porém, nas próximas rodadas o time comandando por Enderson Moreira mostrou que a equipe estava em sintonia e terminou a fase de grupos com dez vitórias, duas derrotas e dois empates, somando 32 pontos em 14 jogos e a melhor campana geral.
SEMIFINAL
Na fase mata-mata o alviverde mais uma vez se viu onde teve problemas no início da temporada, novamente um clássico. Goiás e Vila Nova iam se enfrentar valendo uma vaga nas finais.
Carlos Eduardo (Foto GEC)
Equilíbrio foi a palavra que definiu as duas partidas do confronto. No primeiro jogo as equipes não saíram do empate por 1 a 1 e na decisão, a estrela do atacante esmeraldino prata da casa, Carlos Eduardo, brilhou e o jogador de 19 anos fez o gol da classificação.
FINAL
Dessa vez nada de clássicos, o rival era o modesto Anápolis que havia feito algumas contratações pontuais para a temporada e como azarão eliminou o Atlético-GO nas semifnais. O ex-Flamengo Toró alimentava o meio de campo e o ex-Fluminense, Leandro Euzébio era o xerifão na zaga anapolina.
Apesar do favoritismo esmeraldino, o primeiro, dos dois confrontos, foi tecnicamente ruim. As equipes não conseguiram mostrar o futebol vistoso que fizeram durante a fase de grupos da competição e o duelo terminou empatado pelo placar de 0 a 0 no estádio Jonas Duarte.
No Serra Dourada a história foi diferente, os finalistas mostraram o motivo de estarem na decisão e entraram em campo com propostas ofensivas e sempre buscando o gol. Porém, mais uma vez Enderson Moreira mostrou como sua estrela brilha no time esmeraldino.
Antes da partida, o meio-campista Ramires, havia sentido um desconforto no púbis e a saída do treinador foi colocar o jovem atleta de apenas 20 anos, Léo Sena. O meia não havia atuado em nenhuma partida pelo Goianão e sua primeira atuação como profissional seria na grande final. A opção foi certeira e no primeiro tempo, Léo Sena abriu o placar para o Goiás.
Ivan (Foto GEC)
Como em toda história de superação, sempre há dificuldades no caminho. O Anápolis buscou o empate e forçou a ida para os pênaltis. Normalmente, nas penalidades os mais bem preparados psicologicamente que se destacam, mas o mais experiente do time do Galo foi o único a não converter sua cobrança. Quando Leandro Euzébio bateu no canto a meia altura, Ivan voou na bola e fez a única defesa das penalidades. Na sequência Rafhel Lucas guardou e garantiu o primeiro título do Goiás em 2016 e restaurou a esperança do torcedor alviverde.