A Redação
Criada com a missão de apontar saídas para a crise que colocou a Universidade Estadual de Goiás (UEG) entre as piores universidades públicas do País, a Comissão de Estudos sobre a UEG entregou, na segunda-feira (16/8), ao secretário de Ciência e Tecnologia, Mauro Faiad, o relatório final com a proposta de reforma e investimento para a instituição. Detalhes das propostas são mantidos em sigilo, pois dependem de um aval do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), para poder sair do papel.
Entregue pela presidente da comissão e vice-reitora da UEG, professora Eliana França, o relatório possui duas vertentes: analisar a situação da universidade e sugerir melhorias. A proposta não pede o fechamento de nenhuma das 43 unidades da UEG. No entanto, cogita uma reestruturação, exigindo adequação do perfil dos cursos à realidade das regiões onde estão inseridos. Comenta-se que a formação possa adiquirir um viés mais voltado para o mercado de trabalho.
Um dos tópicos do relatório reivindica também o repasse obrigatório de pelo menos 2% do orçamento do Estado à universidade. Eliana França diz que os recursos estavam sendo investidos "de forma variada entre 2006 e 2010", normalmente aquém do valor mínimo.
Faiad deve se encontrar com Marconi nesta terça-feira (17/8) em Brasília, antes de o governador embarcar para a Europa. A divulgação do conteúdo do relatório, no entanto, pode ocorrer somente após o retorno do chefe do Executivo goiano.
Depois do parecer do governador, o relatório será apresentado para os diretores de unidades da UEG. Em seguida, divulgado para a comunidade universitária.
Antes de as mudanças serem implementadas, Mauro Faiad também vai submeter o relatório ao exame do Conselho Universitário da UEG e ao Conselho Estadual de Educação. A análise tem cinco volumes, um deles com a síntese das adequações propostas pela comissão.
Mal avaliada
O trabalho da comissão teve início em março deste ano, logo após a divulgação do Índice Geral de Cursos (IGC), uma avaliação do Ministério da Educação (MEC) que mede a qualidade das intituições de ensino superior. Os conceitos do IGC variam de 1 a 5. De 1 e 2 são considerados desempenho insatisfatório; 3, razoável; e 4 e 5, bom.
De todas a instituições públicas do País, apenas cinco receberam conceito igual a 2, entre elas a UEG. Na mesma avaliação, a Universidade Federal de Goiás (UFG) e Instituto Federal de Goiás (IFG) alcançaram nota 4. Os dados divulgados no início deste ano são referentes a 2009. O MEC pune, com a perda da autonomia, os centros de ensino que receberem avaliações inferiores a 3 por três anos consecutivos.
Análise prorrogada
Após cinco meses de trabalho, a Comissão de Estudos sobre a UEG conseguiu apresentar uma análise mais detalhada da situação. Para isso, o prazo para a apresentação do relatório foi prorrogado duas vezes, em função da complexidade do diagnóstico.
Membros da comissão alegam que as propostas não foram feitas de cima para baixo. Técnicos realizaram várias audiências públicas e receberam mais de 500 sugestões via e-mail, facebook e twitter. No entanto, admitem que algumas medidas devem gerar polêmica na comunidade acadêmica formada por mais de 22 mil pessoas, entre fucionários, professores e alunos.
A constatação da queda de qualidade no ensino e gestão geraram especulações sobre uma intervenção na universidade, administrada atualmente pelo reitor Luiz Antônio Arantes. Integrantes do Governo não se posicionam até então sobre a possibilidade.