Logo
Relatório final da CPI do Crime Organizado é rejeitado. (Foto: Lula Marques/Agência Brasil)

Relatório final da CPI do Crime Organizado é rejeitado

Senador Alessandro Vieira pediu indiciamento de ministros do STF e PGR

WhatsAppFacebookLinkedInX
14.04.2026 - 21:28:40

São Luís – Os integrantes da Comissão Parlamentar de Inquérito do Crime Organizado rejeitaram o relatório do senador Alessandro Vieira (MDB-SE) que, entre outros pontos, pedia o indiciamento de três ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Foram seis votos contrários e quatro a favor do parecer. Com isso, a CPI encerra os trabalhos sem um documento final.

Antes da votação do relatório, o presidente da CPI, senador Fabiano Contarato (PT-ES), criticou o fato de os trabalhos não terem sido prorrogados pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). “Infelizmente, essa CPI não apresentou um resultado daquilo que nós almejamos. Nós fomos impedidos efetivamente de termos essa CPI tão importante do crime organizado que deixa a população fragilizada no seu direito constitucional que é segurança a pública, porque, infelizmente, a Presidência dessa Casa não prorrogou a Comissão Parlamentar de Inquérito”, disse.

Contarato também criticou o STF por, segundo ele, ter dificultado a oitiva de depoentes, o que impediu a CPI de coletar provas “de natureza objetiva e subjetiva”.

No entanto, o presidente da CPI defendeu a importância da instituição para a democracia e também posicionou-se contra indiciamento dos ministros Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes e do procurador-geral da República Paulo Gonet, proposto pelo relator. “O ato de indiciamento é um ato de grande responsabilidade, porque você está lidando com a reputação e a vida das pessoas e isso é muito grave, isso é muito sério dentro da democracia. Ninguém pode ser punido por fato previsto como crime, senão quando o pratica dolosamente”, argumentou.

O senador disse ainda esperar que o STF faça uma autocrítica de determinadas posições, a exemplo dos habeas corpus que impediram diversos depoimentos e o impedimento de acesso a informações colhidas pela Polícia Federal. “Acho que vai chegar um momento de fazer uma análise, uma autoanálise”, pontuou.

A favor do relatório votaram: Alessandro Vieira (MDB-SE), Eduardo Girão (NOVO-CE), Espiridião Amin (PP-SC), Magno Malta (PL-ES). Contra o relatório: Beto Faro (PT-PA), Teresa Leitão (PT-PE), Otto Alencar (PSD-BA), Humberto Costa (PT-PE), Soraya Thronicke (PSB-MS) e Rogério Carvalho (PT-SE).

O líder do governo no Senado, senador Jaques Wagner (PT-BA), também criticou o relatório. Ele ressaltou que uma CPI não é uma lugar de disputa política, é um lugar de investigação. “Do ponto de vista de indiciamento, (Fabiano) Zettel não foi indiciado, Daniel (Vorcaro) não foi indiciado, o ex-presidente do Banco Central (Roberto Campos Neto) não foi indiciado”, destacou Wagner, que votou contra o relatório do senador Alessandro Vieira.

“Se a Vossa Excelência mantivesse aqui as sugestões legislativas feitas, conte com o meu voto. Com o restante do processo de indiciamento, que na minha opinião não indicia a centralidade da sua CPI, que é do Crime Organizado, me perdoe, eu tenho que votar contra, porque eu não vou corroborar com a sanha de querer atacar instituição Supremo Tribunal Federal, como muitos têm feito aqui.”

Troca de integrantes
Mais cedo, na abertura dos trabalhos, houve a troca de integrantes do colegiado. Os senadores Teresa Leitão (PT-PE) e Beto Faro (PT-PA) substituíram os senadores Sergio Moro (PL-PR) e Marcos do Val (Avante-ES), integrantes do bloco partidário formado por MDB, PSDB, Podemos e União Brasil.

A substituição ocorreu a pedido do líder do bloco desses parlamentares, Eduardo Braga (MDB-AM), a quem cabe indicar os integrantes do colegiado.

O relator Alessandro Vieira imputou ao governo a troca de integrantes do colegiado e a derrota na votação. Vieira defendeu o indiciamento de ministros do Supremo e disse que a derrota só “vai adiar a pauta”. “A decisão dos colegas pela não aprovação, após uma intervenção direta do Palácio do Planalto, reflete apenas um atraso na pauta. Ela pode não acontecer agora, mas tem data para acontecer”, disse o senador após o resultado da votação.

A CPI investigou o modus operandi de facções e milícias em diferentes regiões do país. Além de investigar a ocupação territorial por facções, a CPI fez um levantamento dos crimes relacionados às atividades econômicas, à lavagem de dinheiro e de infiltração no Poder Público, como no caso do Banco Master.

O relatório foi apresentado após 120 dias de trabalho. Com 220 páginas, o parecer de Vieira traz um retrato do funcionamento do crime organizado no Brasil e propõe medidas para combater o avanço da criminalidade.

Para o relator, “o fenômeno da criminalidade organizada no Brasil atingiu um patamar de complexidade e enraizamento que representa uma ameaça concreta à soberania do Estado, à democracia e aos direitos fundamentais da população”.

Organizações criminosas
De acordo com o relatório, 90 organizações criminosas foram mapeadas, sendo duas com atuação nacional e transnacional e presentes em 24 estados e no Distrito Federal. Entre as organizações citadas estão o Comando Vermelho (CV) e Terceiro Comando Puro (TCP), do Rio de Janeiro; e Primeiro Comando da Capital (PCC), de São Paulo.

Para Vieira, essas facções criminosas atuariam “como verdadeiros para-Estados, exercendo domínio territorial sobre comunidades inteiras, impondo regras de convivência, cobrando tributos ilegais e fornecendo serviços que deveriam ser de competência estatal”.

Segundo o relatório, pelo menos 26% do território nacional estariam sob algum tipo de controle do crime organizado e 28,5 milhões de brasileiros vivem em áreas com a presença dos criminosos. A lavagem de dinheiro é foi apontada como “o mecanismo central de sustentação do crime organizado”, presente na venda de cigarro, ouro, mercado imobiliário, bebidas, fintechs, criptomoedas e fundos de investimento.

Experiências exitosas
Segundo Vieira, a CPI também identificou experiências exitosas no enfrentamento ao crime organizado, ao citar as Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado (FICCOs), presentes em todas as 27 unidades da Federação.

“A estratégia de descapitalização financeira, com mais de R$ 4 bilhões apreendidos apenas na Operação Carbono Oculto, comprovou que atingir o patrimônio das organizações é mais efetivo do que a mera repressão policial convencional. A cooperação internacional, com adidâncias policiais em 34 países e a prisão de 842 foragidos entre 2021 e 2025, evidencia que o Brasil dispõe de capacidade operacional significativa quando há recursos e articulação adequados”, destacou. (Agência Brasil)

compartilhar
WhatsAppFacebookLinkedInX
por Michelle Rabello

*

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Postagens Relacionadas
Adoção
25.09.2026
Prefeitura de Aparecida realiza evento de adoção de pets neste sábado (26)

A Redação  Goiânia – A Prefeitura de Aparecida de Goiânia realiza neste sábado (26), a Feira de Adoção Responsável de Animais, em parceria com o Aparecida Shopping. A ação será realizada no centro de compras, das 10h às 14h, no Piso 1, com entrada gratuita. Ao todo, 20 animais estarão disponíveis para adoção, sendo 14 cães […]

Justiça
25.09.2026
Conselho Superior do MPF forma maioria para manter Gonet no caso Master

Brasília – O Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF) formou nesta sexta-feira (25/9) maioria de votos para manter procurador-geral da República, Paulo Gonet, na condução das investigações que envolvem o Banco Master.  O colegiado analisa uma representação apresentada por deputados do Partido Novo que pede o afastamento de Gonet das investigações e a apuração […]

Goiânia
25.09.2026
Show de Fridão reúne clássicos do rock no acordeon no Mercado 74

A Redação Goiânia – O acordeonista e vocalista Fridão fará um show em tributo aos mestres do rock em Goiânia. O evento ocorre no Complexo Cultural Mercado 74, no Setor Central, no dia 1º de outubro. Com estilo frenético e eletrizante, Fridão se apresenta em solo brasileiro desde 1982. Na banda de apoio (We Rock), […]

Comemoração
25.09.2026
Aniversário de Goiânia terá 229 atrações em diferentes regiões da cidade

A Redação Goiânia –  O prefeito Sandro Mabel apresentou nesta sexta-feira (25/9), na Antiga Estação Ferroviária, a programação do Festival Viva Goiânia, preparada pela Prefeitura em celebração aos 93 anos da capital. As atividades envolvem várias secretarias e órgãos municipais e serão realizadas durante todo o mês de outubro em diferentes regiões da cidade, com […]

Energia
25.09.2026
Equatorial Goiás realiza Caravana da Tarifa Social em Abadia de Goiás

A Redação Goiânia – Consumidores de Abadia de Goiás que têm direito à Tarifa Social de Energia Elétrica poderão atualizar seus dados no Cadastro Único (CadÚnico) durante a Caravana da Tarifa Social, realizada pela Equatorial Goiás entre os dias 28 e 30 de setembro. A ação busca orientar os consumidores elegíveis e garantir a continuidade […]

Economia
25.09.2026
Prefeito Vilela sanciona lei que reduz alíquota do ITBI para 1,5% em Aparecida

A Redação  Goiânia – O prefeito de Aparecida de Goiânia, Leandro Vilela, sancionou nesta quarta-feira (23) a lei complementar que cria o Programa de Redução Temporária da Alíquota do Imposto sobre a Transmissão de Bens Imóveis (ITBI). O texto, que foi proposto pelo Executivo, foi aprovado pelos vereadores na sessão do mesmo dia e publicado […]

Eleições 2026
25.09.2026
Luis César Bueno defende parceria institucional para enfrentar os desafios da advocacia goiana

Ludymila Siqueira Goiânia – O candidato do Partido dos Trabalhadores (PT) ao governo de Goiás, Luis César Bueno, defendeu, durante sabatina na sede da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Goiás (OAB-GO), em Goiânia, uma parceria institucional entre a administração estadual e a entidade para enfrentar desafios da advocacia goiana, como os pagamentos de […]

Gestão
25.09.2026
Prefeito Vilela sanciona lei que reduz alíquota do ITBI para 1,5% em Aparecida

A Redação Goiânia – Foi sancionada pelo prefeito de Aparecida de Goiânia, Leandro Vilela, lei complementar que cria o Programa de Redução Temporária da Alíquota do Imposto sobre a Transmissão de Bens Imóveis (ITBI). O texto, que foi proposto pelo Executivo, foi aprovado pelos vereadores na sessão do mesmo dia e publicado no Diário Oficial do […]