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Relação entre vinho e câncer: com quem está a verdade?

04.10.2018 - 14:18:25
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Aproveitando que o mês de outubro é voltado para a conscientização sobre o câncer de mama, oferecendo informação sobre o assunto para a população, gostaria de falar sobre um ponto bem controverso, mesmo no meio científico: Há uma relação entre consumo de vinho e câncer de mama? 
Algumas pesquisas já foram realizadas sobre isso e vamos citar algumas delas até mesmo para termos algum embasamento nessa nossa conversa. 
 
Primeiramente, os estudos que cito aqui são todos encontrados facilmente numa busca na internet em publicações de cunho jornalístico e também em sites de organizações médicas que trabalham diretamente com o câncer. 
 
Em 2017, o Fundo Mundial para Pesquisas sobre Câncer publicou um estudo dizendo que o consumo diário de 10 gramas de álcool ou mais aumenta o risco de câncer de mama em 5% na pré menopausa e 9% na pós-menopausa. E, como o vinho é um a bebida alcóolica, seu consumo foi diretamente associado em algumas citações que encontrei na minha pesquisa para este texto.
 
Há outros estudos que retratam o vinho como aliado na prevenção do câncer. O mérito desse benefício é atribuído aos polifenóis encontrados na bebida, em especial, o resveratrol.
 
O vinho tinto possui mais polifenóis que o branco. É na casca que encontramos a maior concentração destas substâncias e, nos tintos, ela é macerada durante a produção da bebida e fica por semanas fermentando nos tonéis e barris.  
 
A casca e as sementes das uvas tintas são riquíssimas em resveratrol, mas sua quantidade varia dependendo da variedade utilizada na produção do vinho. O suco de uva tinto integral também tem resveratrol, no entanto, o processo de fermentação do vinho torna-o mais rico desse polifenol.
 
Um estudo feito em 2015 na Universidade de Leicester, no Reino Unido, verificou a eficácia do uso do resveratrol, em relação à quantidade consumida, e apontou que ele tem grande eficácia quando administrado em pequenas doses. Segundo Karen Brown, líder desse estudo, “ menos é mais, para o resveratrol”.
 
O Instituto de Biologia da Unicamp, em estudo de 2011, apontou uma inibição do crescimento tumoral através da administração de flavonoides. Uma taxa de inibição de 50% em cobaias no laboratório. 
 
As características antioxidantes e anti-carcinogênicas dos flavonoides são apontadas por vários outros estudos.
 
Após esses dados, acredito que moderação é a palavra-chave. Enquanto muitas substâncias presentes no vinho tem um efeito positivo, calçado em pesquisas ao redor do mundo, há também a linha que aponta sobre os perigos de um consumo maior de bebidas alcóolicas como um todo. 
 
Afinal, há relação entre o consumo de vinho e o câncer de mama. Se por um lado, uma ingestão desmedida de álcool pode ser um aumentativo do risco de se desenvolver essa doença, algumas das outras substâncias presentes no vinho, podem oferecer algum tipo de prevenção e/ou inibição para seu crescimento.
 
Mas, para o câncer de mama, a melhor opção é estar sempre atenta. Faça o auto-exame e, ao menor sinal de anormalidade, entre em contato com seu médico e siga suas as orientações. Quanto mais cedo o diagnóstico, maiores suas chances de vitória.

*Pedro Vasco Filho é sommelier da Adega Mais

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por Pedro Vasco Filho

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