José Abrão
Goiânia – O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), José Mário Schreiner, destacou que o setor agropecuário foi "extremamente bem acolhido dentro da reforma tributária". Em entrevista coletiva na quarta-feira (18/12), ele afirmou que houve "avanços inquestionáveis" em diversos pontos da reforma.
A proposta foi aprovada pelo Congresso Nacional na noite de terça-feira (17/12), trazendo uma série de benefícios para o setor agropecuário. Segundo Schreiner, o setor conseguiu importantes conquistas, como o aumento do desconto de tributos. "Nossa expectativa era de um desconto de 80%, mas conseguimos 40%. Máquinas ficaram de fora, e produtores com faturamento de até R$ 3,6 milhões ficaram isentos, o que beneficia mais de 95% dos produtores rurais brasileiros", explicou.
Schreiner também elogiou a articulação política da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) durante a tramitação do projeto. "A reforma só avançou quando a Câmara Federal abriu o diálogo com o setor produtivo, caso contrário, não teria sido aprovada", disse. O presidente da Faeg rebateu críticas sobre a postura do setor, afirmando: "Não votamos com o governo, votamos com a população brasileira, defendendo o setor. O resto é conversa fiada, é mimimi".
Economia
Zé Mário encerrou sua fala destacando que a reforma tributária tratou o setor produtivo rural “como realmente merece”. No entanto, fez duras críticas ao cenário econômico do país e à equipe econômica do governo federal. “Estamos vivendo um momento extremamente turbulento. A área econômica tem demonstrado falta de decisão e não tem tomado as precauções necessárias para combater a inflação e garantir a saúde fiscal”, afirmou.
O presidente da Federação apontou que essa situação gera incertezas para 2025 e preocupa os produtores, especialmente em relação ao aumento das taxas de juros. “Estamos diante de um governo sem firmeza nas relações com o Congresso Nacional. O dólar, por exemplo, está chegando a R$ 6,20. Isso não é razoável, nem benéfico para nenhum setor”, completou.
COP 30 e União Europeia
Sobre a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025 (COP 30), Zé Mário afirmou que o setor do agronegócio está se organizando para apresentar o “cenário real” da agricultura nacional. “Criamos nossa narrativa sobre a produção sustentável no Brasil”, disse. Outro ponto que será abordado é a articulação em torno do acordo Mercosul/União Europeia.
“O acordo exige 65% de aprovação no Parlamento Europeu, mas enfrentamos a oposição de países como Itália, Irlanda, França, Áustria e Polônia, que somam 39%. Isso exige uma negociação mais ampla”, destacou. Zé Mário também ressaltou que o acordo “representa uma oportunidade para o Brasil. Quando vemos produtores franceses protestando, é evidente que isso está relacionado à competitividade do setor agropecuário brasileiro”.
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