A criação da Rede de Proteção à Mulher e a institucionalização da Rede de Atenção a Pessoas em Situação de Violência em Goiânia, anunciadas pelo prefeito Sandro Mabel nesta quarta-feira, 6 de maio, não representam apenas uma medida administrativa. É um marco civilizatório. É a materialização de um compromisso que tive a honra de testemunhar de perto, quando caminhávamos pela cidade durante a campanha eleitoral e ele assumiu, com clareza, que a proteção das mulheres seria prioridade real de governo.
Os números que enfrentamos em nossa capital são alarmantes e não permitem omissão. Entre janeiro e outubro de 2025, Goiânia registrou 2.888 casos de violência contra a mulher. Somente até março de 2026, os registros já chegavam a 965 casos. Mais grave ainda é a urgência do socorro: metade das mortes ocorre até 32 dias após a notificação de violência junto à polícia. E 25% das vítimas perdem a vida em apenas três dias depois da denúncia. Dados que mostram que, na luta contra o feminicídio, cada hora conta.
A grande virtude desta iniciativa está na unificação dos protocolos. Como bem destacou o prefeito, tínhamos muitas ações dispersas que agora se tornam uma engrenagem única. O objetivo é claro: impedir que a vítima se perca na burocracia. Com a rede, qualquer unidade, seja um CAIS, um CRAS ou uma escola, passa a ser uma porta de entrada. Uma vez identificada a violência, a rede é acionada imediatamente, conectando saúde, assistência social, segurança pública e o Ministério Público.
Como pediatra e mulher, sei que a vulnerabilidade é frequentemente financeira. Muitas mulheres retornam ao convívio do agressor por não terem para onde ir. Por isso, a inclusão do aluguel social (com teto flexível de R$ 700), a entrega de cestas de alimentos e medicamentos, e o uso do botão de pânico são medidas fundamentais para romper o ciclo de abusos. Além disso, garantir que a Patrulha Maria da Penha escolte a mulher para retirar seus pertences com segurança é devolver a ela a dignidade e a proteção necessária no momento mais crítico.
Outro pilar essencial é o papel da Educação. Nossos professores ganham, finalmente, o respaldo necessário para denunciar sinais de maus-tratos em crianças, com a certeza de que a rede aplicará o protocolo adequado para proteger o menor.
Como vereadora e profissional da saúde, entendo que o enfrentamento da violência exige mais do que discursos. Exige estrutura, plantão 24 horas e integração. Goiânia dá agora um passo corajoso para se tornar referência no cuidado e na defesa da vida. Proteger nossas mulheres e nossas crianças é mais do que uma obrigação legal. É uma escolha humanitária que define que tipo de sociedade queremos construir.
*Rose Cruvinel é médica pediatra e sanitarista, tem especialização em Gestão Pública pela UFG e é vereadora por Goiânia (União Brasil).
