Jales Naves
Especial para o jornal A Redação
Goiânia – Núcleo de estudos criado em março de 2008 no âmbito do Instituto de Estudos Socioambientais (IESA) da Universidade Federal de Goiás para estudar a temática da existência humana e suas implicações ao saber geográfico, a Rede de Pesquisa Dona Alzira, também conhecida como Grupo “Espaço, Sujeito e Existência”, vai lançar cinco obras recentes de seus integrantes. Será na próxima terça-feira (23/6) a partir das 9h, no Instituto Histórico e Geográfico de Goiás, quando haverá uma mesa-redonda com a participação dos cinco autores convidados.
Serão lançados: “Qualquer Coisa a Vida Inteira”, do professor e geógrafo Eguimar Felício Chaveiro, coordenador do grupo; “Perspectivas Geográficas para o Desenvolvimento Regional”, organizado pelo professor doutor Adão Francisco de Oliveira; “Ler o Mundo pelo Trabalho”, de John Carlos Ribeiro; “O Caldeirão da Bruxa: escritos de Educação e Sociedade”, de Rosivaldo Pereira de Almeida; e “Camponeses no Cerrado Goiano – Resistência socioambiental e as novas ofensivas do capital”, de Valdir Specian.

Registrado no Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), do Rio de Janeiro, o grupo se reúne quinzenalmente na sala do Laboratório de Estudos e Pesquisas das Dinâmicas Territoriais do IESA. A metodologia de funcionamento do grupo se baseia em leituras previamente agendadas e apresentações de textos elaborados pelos participantes responsáveis para cada temática. Além do coordenador do grupo há gestores responsáveis pela mobilização, divulgação das reuniões, distribuição de materiais de estudos e manutenção de uma rede de discussão ‘on line’.
O grupo tem ainda como objetivo auxiliar e otimizar as pesquisas desenvolvidas no âmbito da pós-graduação do IESA/UFG, é baseado na relação entre geografia, existência humana e literatura, e se expandiu internacionalmente.
Livros e autores
“Qualquer Coisa a Vida Inteira” é uma obra focada em crônicas de educação geográfica e direitos humanos, escrita pelo professor e geógrafo Eguimar Felício Chaveiro; o material está disponível para leitura virtual. O conteúdo explora a relação entre o território, a vida cotidiana e a cidadania, trazendo reflexões críticas sobre o trabalho e a sociedade. O livro pode ser acessado digitalmente pelo Multiplicadores de Vigilância em Saúde do Trabalhador ou conferir a apresentação da obra no site do Centro Brasileiro de Estudos de Saúde (Cebes). As crônicas são publicadas no blog da Fiocruz.
Eguimar possui graduação em Geografia pela Universidade Católica de Goiás (1987), mestrado em Educação pela UFG (1996), doutorado em Geografia Humana pela Universidade de São Paulo (2001) e pós-doutorado em Saúde do Trabalhador pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). É professor associado da Universidade Federal de Goiás e coordenador do Núcleo de estudos Espaço, Sujeito e Existência Dona Alzira.
“Perspectivas Geográficas para o Desenvolvimento Regional”, organizado pelo professor doutor Adão Francisco de Oliveira, reúne reflexões de pesquisadores sobre o desenvolvimento regional, sob enfoque geográfico. Estruturado em oito capítulos, perpassa temas como educação, turismo, regionalismo, políticas públicas e problemas socioambientais. Os autores partem da categoria de análise “região” para aprofundar as questões emergentes do desenvolvimento regional e, dessa forma, contribuem para os estudos da ciência geográfica.
Doutor em Geografia pelo IESA/UFG (2011), Adão é pós-doutor em Geografia por esse Instituto (2021) e pós-doutor em Planejamento Urbano e Regional pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (2024), mestre em Sociologia (Departamento de Ciências Sociais da UFG, 2002) e graduado em História (Faculdade de Ciências Humanas e Filosofia da UFG. 1996). Doutor ‘Honoris Causa’ pela Academia Policial Militar Tiradentes, da Polícia Militar do Estado do Tocantins, atualmente é Secretário de Estado da Igualdade Racial no Tocantins; foi Secretário Estadual de Educação, Juventude e Esportes tocantinense em 2015 e 2016, acumulando o cargo de Secretário Estadual da Cultura do Tocantins. Sócio fundador e presidente do Instituto Histórico e Geográfico do Tocantins, é sócio titular do IHGG, do Instituto Cultural e Educacional Bernardo Élis para os Povos do Cerrado; e sócio correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do Distrito Federal.
“Ler o Mundo pelo Trabalho” é uma reflexão ligando trabalho e autoetnografia e a questão do adoecimento mental de professores e a saúde do trabalhador.
John Carlos Ribeiro, graduado (2006) e mestre (2009) pelo IESA-UFG, é doutorando no Programa de Pós-Graduação em Geografia da Universidade Federal de Jataí, com projeto intitulado: ‘O adoecimento mental de trabalhadores docentes em Goiânia – 2018-2021: um olhar geográfico pela via da saúde do trabalhador?’. Professor da educação básica desde 2003, atua em escolas públicas estaduais de Goiás e municipais (Goiânia) e em escolas particulares e conveniadas. Atuou na Universidade Estadual de Goiás, unidade de Minaçu, GO.
“O Caldeirão da Bruxa: escritos de Educação e Sociedade”, de Rosivaldo Pereira de Almeida, faz parte de uma série sobre a relação escola e os processos de formação do indivíduo e dos psicopatas, na sociedade capitalista. Trata-se de uma crítica radical da escolarização e dos processos de reificação em nosso tempo histórico.
Doutor em Educação pela UFG (Conceito 5 na CAPES), mestre em educação pela UFG, especialista em História Cultural pela Faculdade de História da UFG, Rosivaldo é especialista em Docência Universitária pela Universo, Campus Goiânia, e se licenciou em História.
“Camponeses no Cerrado Goiano – Resistência socioambiental e as novas ofensivas do capital”. Das indagações sobre as condições de vida das pessoas nas cidades e nos campos e da conservação dos ambientes surge a pergunta que orienta o trabalho: é possível ter produção agrícola e ao mesmo tempo obter equilíbrio “mínimo” na relação sociedade x ambiente, permitindo que as pessoas morem no campo e de lá promovam e desfrutem desses benefícios? De forma direta, questiona: o Cerrado pode ser ocupado e conservado ao mesmo tempo? Dessas perguntas foi elaborado o objetivo geral da pesquisa apresentada na forma de livro: identificar nos assentamentos de reforma agrária no Cerrado goiano as experiências de produção e conservação do ambiente.
O autor, Valdir Specian, é doutor em Geografia pela Universidade Federal de Jataí e atualmente é professor de Geografia da Universidade Estadual de Goiás – Unidade de Iporá. Professor do Mestrado Profissional em Rede Nacional em Gestão e Regulação de Recursos Hídricos; sócio correspondente do IHGG e sócio do Icebe.
