Logo
Real se descola de exterior com 'trade eleitoral' e dólar volta a R$ 5,10 (foto: reprodução x)
Real se descola de exterior com 'trade eleitoral' e dólar volta a R$ 5,10 (foto: reprodução x)

Real se descola de exterior com ‘trade eleitoral’ e dólar volta a R$ 5,10

Expectativas em relação ao desfecho da corrida presidencial ditaram o comportamento da taxa de câmbio

WhatsAppFacebookLinkedInX
10.09.2026 - 18:59:41

São Paulo – As expectativas em relação ao desfecho da corrida presidencial ditaram o comportamento da taxa de câmbio na sessão desta quinta-feira, 10. Descolado do movimento de alta da moeda norte-americana no exterior, em dia de aumento da aversão ao risco com a escalada do petróleo, o dólar à vista fechou em baixa, na casa de R$ 5,10.

A apreciação do real começou a ganhar contorno no fim da manhã, quando houve uma melhora generalizada dos ativos locais, amparada, segundo operadores, na perspectiva de fortalecimento do candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, bem visto aos olhos do mercado financeiro.

Além de casas de aposta, como a Polymarket, apontarem crescimento de Flávio, havia suspeita de vazamento de pesquisa AtlasIntel com números favoráveis ao candidato do PL.

No momento de maior euforia com o ‘trade eleitoral’, o dólar desceu até a mínima de R$ 5,0830. A moeda brasileira moderou os ganhos ao longo da tarde depois que o levantamento da AtlasIntel mostrou quadro de empate, em simulação de segundo turno, entre Flávio Bolsonaro (46,4%) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (46,2%).

Após rondar os R$ 5,10, o dólar à vista terminou o dia em baixa de 0,19%, a R$ 5,1027, passando a acumular queda de 0,55% na semana e de 1,49% em setembro, após valorização de 2,16% em agosto. O real apresentou nesta quinta um dos melhores desempenhos entre as moedas mais líquidas, ao lado do peso colombiano. A liderança ficou com o rublo russo, que subiu mais de 1%, apoiado no petróleo.

“O real se descolou dos pares muito por conta do cenário eleitoral. O mercado se animou com o crescimento da oposição nas pesquisas e perspectiva de possível mudança da política fiscal”, afirma o head da Tesouraria do BS2, Ricardo Chiumento.

Lá fora, o índice DXY – referência do comportamento do dólar – subia cerca de 0,30% no fim da tarde, pouco acima dos 99,000 pontos, com ganhos sobretudo em relação ao iene. O euro também cedeu apesar de o Banco Central Europeu (BCE) ter elevado os juros em 0,25 ponto porcentual.

Pela manhã, o índice de preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês) veio praticamente em linha com as expectativas. As taxas dos Treasuries subiram em bloco, com o retorno do papel de 2 anos avançando mais de 10 pontos-base. Ferramenta do CME Group mostra que as chances de o Federal Reserve elevar a taxa básica em 25 pontos-base na próxima quarta-feira, 16, subiram de perto de 60% para quase 70%.

O temor é que a nova arrancada do petróleo, que roda acima da marca de US$ 100, aumente as pressões inflacionárias, ensejando um aperto mais forte da política monetária americana, observa Chiumento, do BS2. O contrato do Brent fechou em alta de 6,34% a US$ 107,63 o barril.

“O ponto central para a decisão do Fed na semana que vem será a divulgação do CPI de agosto amanhã”, diz Chiumento, em referência ao índice que mede a inflação ao consumidor nos EUA. “Se o CPI vier acima do esperado, em um ambiente de alta de petróleo, podemos ver uma alta mais agressiva do dólar que vai acabar respingando no real”.

Por aqui, o Banco Central realizou, pela manhã, o chamado “casadão”, com venda de US$ 1 bilhão à vista (seis propostas foram aceitas) e de 20 mil contratos de swaps cambiais reversos (US$ 1 bilhão). Operadores não viram influência relevante da operação na formação da taxa de câmbio.

O economista-chefe da Análise Econômica, André Galhardo, afirma que o BC pode ter atuado para atender demanda pontual por divisas em momento de piora do fluxo cambial e aumento da volatilidade no cupom cambial (taxa de juros em dólar no Brasil) em razão das eleições.

“O BC atuou para dar um pouco mais de liquidez no mercado à vista. O real vem se valorizando apesar da aversão ao risco no exterior, com a perspectiva de alternância de poder após as pesquisas eleitorais mais recentes”, afirma Galhardo, ressaltando, contudo, que o desfecho da superquarta – com possível queda de juros por aqui e alta nos EUA – vai resultar em diminuição do diferencial de juros, o que é desfavorável à moeda brasileira.

compartilhar
WhatsAppFacebookLinkedInX
por Agência Estado

*

Postagens Relacionadas
ECONOMIA
28.10.2026
Pedágios das BRs 060 e 452 em Goiás ficam mais caros nesta quinta-feira (29/10)

A Redação Goiânia – As tarifas dos sete pontos de pedágio eletrônico das BRs 060 e 452, entre Goiânia, Rio Verde e Itumbiara, serão reajustadas a partir da 0h desta quinta-feira (29/10). Para carros de passeio, o aumento varia de R$ 0,10 a R$ 0,30 por ponto de cobrança, segundo a concessionária Rota Verde Goiás. […]

Comércio digital
28.10.2026
Como o modelo ‘Try Before You Buy’ se consolidou na indústria do entretenimento digital

Não é de hoje que o modelo Try Before You Buy vem sendo utilizado por empresas nos mais diferentes segmentos. É comum entrar em uma loja de perfumes, por exemplo, e encontrar uma série de opções para testar antes de fazer a compra da colônia de sua preferência. Além do sucesso em vendas físicas, essa […]

Indústria
28.10.2026
Fieg e CNI alinham ações estratégicas sobre conjuntura econômica e novos modelos de trabalho

A Redação Goiânia – O cenário político e econômico brasileiro e seus reflexos para a indústria estiveram entre os temas da 9ª Reunião da Diretoria da Confederação Nacional da Indústria (CNI), realizada terça-feira (27/10), em Brasília. O presidente da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), André Rocha, participou do encontro, que reuniu dirigentes […]

Economia
28.10.2026
Presença em diversos segmentos da economia potencializa alcance do cooperativismo na FICCA 2026

A Redação Goiânia – O cooperativismo goiano está presente no comércio, na indústria, nos serviços e no ramo agropecuário. A múltipla atuação do modelo em diversos setores da esfera produtiva foi destacada na abertura da FICCA Goiás 2026 – Feira da Indústria, Comércio, Cooperativismo, Empreendedorismo e Agronegócio de Goiás. O evento reúne todos os segmentos […]

Câmbio
26.10.2026
Dólar à vista e futuro disparam mais de 12%, com mercado decepcionado com vitória de Lula

São Paulo – A negociação do dólar futuro na B3 destravou há pouco e o dólar futuro de novembro subia 12,78% há pouco, na máxima a R$ 5,610, puxando o dólar à vista até R$ 5,6047 (+12,25%), em meio à reação negativa do mercado financeiro à reeleição do presidente da República, Luiz Inácio Lula da […]

Economia
26.10.2026
Bolsa despenca após reeleição de Lula e aciona circuit breaker

São Paulo – A B3 acionou nesta segunda-feira, 26, por volta das 10 horas, o mecanismo de circuit breaker após registrar queda de 10% do Ibovespa em relação ao fechamento anterior. Com isso, a negociação de ativos no mercado à vista foi suspensa por 30 minutos. O índice abriu às 10h38, com a maioria dos […]

Loteria
25.10.2026
Mega-Sena acumula, e próximo prêmio será de R$ 300 milhões

Brasília – Ninguém acertou acertou as seis dezenas do Concurso 3.074 da Mega-Sena, sorteado nesse sábado (24). O prêmio acumulou novamente e está estimado em R$ 300 milhões para a nova rodada. Os números sorteados são: 02 – 03 – 20 – 25 – 39 – 57. A quina teve 175 apostas ganhadoras. Cada uma receberá […]

Goiás cooperativo
24.10.2026
Cooperativas promovem transformação social e se consolidam como referência no desenvolvimento econômico de Goiás

Ludymila Siqueira Goiânia – Dias de muito sol se alternam com períodos de chuvas intensas que, em poucas horas, podem superar o esperado para um mês inteiro. Enchentes cada vez mais potentes e devastadoras levam vidas, destroem casas e apagam histórias e sonhos. Ao mesmo tempo, rios têm sua vazão reduzida, secas se prolongam, a […]