Logo

Raiva é doença letal e controle depende de ação conjunta

28.09.2025 - 10:45:43
WhatsAppFacebookLinkedInX

A raiva é uma zoonose letal em praticamente 100% dos casos, sendo responsável pela morte de 59 mil pessoas anualmente, segundo a Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA). Além disso, e mais especificamente no caso da raiva dos herbívoros, a doença tem grande impacto econômico na pecuária brasileira, seja por prejuízos decorrentes da morte de animais, ou custo com insumos para prevenção e controle da doença. Estudos demonstram que as perdas podem chegar a dezenas de milhões de dólares.
 
Frente a este cenário, fica evidente que a raiva é uma grande ameaça que possui reflexos importantes na esfera econômica, na saúde pública e em aspectos sociais e de sustentabilidade. Isto demonstra que é de extrema importância que sejam implementadas políticas eficazes de prevenção e controle da doença.
 
Neste sentido, a Agência Goiana de Defesa Agropecuária (Agrodefesa) desenvolve o Programa Estadual de Controle da Raiva dos Herbívoros (PECRH), que tem como objetivo baixar a prevalência da raiva dos herbívoros em Goiás, reduzindo impactos sanitários e econômicos da doença e protegendo os rebanhos e a saúde pública. 
 
Para tanto, o PECRH lança mão de estratégias como: vigilância epidemiológica, vacinação estratégica, controle populacional de transmissores e educação sanitária. Estas ações vêm permitindo que a casuística da raiva dos herbívoros em Goiás esteja em patamares aceitáveis, inclusive experimentando considerável diminuição de focos da doença na última década.
 
É importante ressaltar que no caso da raiva dos herbívoros o morcego hematófago da espécie _Desmodus rotundus_ é o principal transmissor da doença, sendo foco primordial de ações de controle para evitar a sua disseminação. Recentemente, tem se percebido uma mudança no perfil epidemiológico da doença, com participação importante do morcego inclusive no ciclo urbano da raiva, antes protagonizado pela transmissão via cães e gatos. Isso reforça ainda mais a importância da atuação do órgão de defesa agropecuária no controle desta zoonose.
 
Para além dos controles oficiais, a prevenção da raiva deve contar sempre com a cooperação entre todas as partes envolvidas, desde instituições e entidades até produtores rurais e cidadãos individualmente. Cada ente tem seu papel de relevância no processo, ressaltando que a notificação de suspeitas, seja por produtores, profissionais ou qualquer outro cidadão é de extrema importância para o sucesso das estratégias de controle.
 
No dia 28 de setembro é celebrado o Dia Mundial contra a Raiva, estabelecido pela Aliança Global para o Controle da Raiva (GARC) e reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para promover o combate à doença, conscientizar sobre prevenção e comemorar conquistas.
 
A raiva continua sendo uma ameaça real à saúde pública e à pecuária. O sucesso no seu controle depende da ação conjunta entre instituições e sociedade. Neste 28 de setembro, Dia Mundial contra a Raiva, é momento de reforçar o compromisso com a prevenção e a conscientização sobre essa zoonose letal.
 
*Fernando Bosso, médico-veterinário e mestre em Ciência Animal, é fiscal estadual agropecuário na Agrodefesa.
compartilhar
WhatsAppFacebookLinkedInX
por Fernando Bosso

*

Postagens Relacionadas
Ricardo Menegatto
17.02.2026
Prejuízos causados por eventos climáticos: quais são os direitos do consumidor?

Os alertas da Defesa Civil sobre tempestades severas tornaram-se parte da rotina de moradores de São Paulo e de diversas capitais brasileiras. Com eles, cresce também a apreensão quanto à possibilidade de quedas de energia elétrica e aos prejuízos que podem atingir residências, comércios e até a saúde de pessoas que dependem de equipamentos essenciais. […]

Carla Conti
14.02.2026
Educar com consciência planetária é um compromisso com a vida

A universidade é, historicamente, a casa do conhecimento. É nela que se formam profissionais de todas as áreas e onde se outorgam diplomas que autorizam a atuação no mundo. Mas esse gesto formal carrega uma responsabilidade que vai muito além da formação técnico-científica. Em um cenário marcado por crises ambientais, desigualdades sociais persistentes e pelo […]

Anna Carolina Cruz
13.02.2026
O tempo que não temos

Há dias em que a alma pede silêncio. Não o silêncio da ausência de barulho, mas o silêncio da consciência que desperta. Tenho pensado muito na forma como estamos vivendo. Corremos como se houvesse um incêndio permanente, como se cada mensagem ou e-mail não respondido fosse o fim do mundo, como se cada prazo fosse […]

Bruno D´Abadia
12.02.2026
Gestão de dados fortalece operadoras de saúde

O setor de saúde suplementar vive uma transição decisiva. Transparência, integridade da informação e precisão técnica deixaram de ser apenas exigências regulatórias e passaram a influenciar diretamente a sustentabilidade e a credibilidade das operadoras. Em um ambiente cada vez mais monitorado, dados corretos não são apenas números enviados à Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). […]

Ralph Rangel
12.02.2026
O Homo Instagramabilis: O crepúsculo da inteligência

Houve um tempo em que o ser humano era definido pela sua capacidade de busca: a busca pelo abrigo, pelo fogo, pela forma de armazenar o alimento, pela verdade, pelo conhecimento profundo, enfim, éramos buscadores. Hoje, essa trajetória evolutiva parece ter sofrido um curto-circuito. Estamos testemunhando a ascensão de um novo tipo de pária social: […]

Luciana Brites
11.02.2026
Por que as crianças estão perdendo habilidades motoras na era digital?

O aumento do uso de tablets e celulares reduz o tempo de brincadeiras físicas, prejudicando o desenvolvimento motor e cognitivo. Por este motivo, temos notado que muitas crianças estão perdendo habilidades motoras. As atividades para coordenação motora são essenciais para desenvolver a integração de movimentos e a precisão no controle muscular. A coordenação motora global […]

Mardonio Pereira da Silva
10.02.2026
Quando o ódio invade a sala de aula: violência, feminicídio e a negação do Direito em um Estado Democrático

A morte brutal da Professora de Direito e policial civil, Juliana Santiago, assassinada dentro da sala de aula por um aluno do 5º período, não é apenas um crime hediondo: é um ataque frontal ao Estado Democrático de Direito. A barbárie ocorrida no ambiente universitário rompe todas as fronteiras do aceitável e impõe uma reflexão […]

Renato Gomes
10.02.2026
A qualidade da saúde começa na gestão

Durante muitos anos, quando se falava em qualidade na saúde, o debate quase sempre se concentrava no ato assistencial. O olhar estava voltado para o médico, o hospital, a tecnologia, os equipamentos. Tudo isso é, sem dúvida, essencial. Mas, após mais de 25 anos de atuação em gestão, consultoria e educação em saúde, cheguei a […]