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Quanto mais quente, melhor?

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29.08.2011 - 17:01:52

Goiânia perdeu mais duas mongubas frondosas no último sábado, em uma semana cujas temperaturas deveriam servir pra sairmos em mutirão protegendo nossas árvores e plantando outras milhares – não nos parques, mas nas calçadas, nas ilhas das avenidas, nas rótulas e nos quintais.

Acho que deve estar sobrando dinheiro, todo mundo com o ar condicionado do carro no máximo, gastando mais combustível (há estimativas de que o aumento chegue a 10% do consumo total) e tocando a vida. Eu, que não tenho ar condicionado no meu transporte particular, achei insuportável trafegar pela cidade na última sexta, voltei pra casa assim que pude e tomei um banho gelado pra tentar ser mais feliz.

Ouvi dizer que a temperatura interna de um carro parado sob o sol pode chegar a 70º C! No centro urbano, a variação de temperatura entre uma área arborizada e outra não, alcança 4º C. Fora a incidência do sol escaldante na pele, super danoso a nossa epiderme. Bem chato ter que usar essas proteções cor de pele que muitos motociclistas exibem por aí, nem um pouco fashion e nada confortáveis!

Quanto às duas mongubas, recém ex-habitantes da rua 5 do setor Oeste, dava pra prever que seus dias estavam contados. Algumas pequenas árvores já haviam sido plantadas na mesma calçada, o que, somado à consistente atuação da Prefeitura na condenação e retirada de mongubas, sinalizava que seu fim estava próximo.

Alguns moradores do prédio que solicitou a retirada não estavam conformados, culpavam o síndico. Outros diziam: está cheia de cupim. E ainda havia quem temesse que, com a chegada das chuvas (sempre fortes nas primeiras levas), as mongubas acabassem caindo na cabeça de alguém.

A pergunta de sempre é: por que não cuidamos das árvores, em vez de condená-las de antemão?

 

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por Elisa A. França

*Jornalista formada pela UFG, especializada em comunicação ambiental, com passagem pelo Greenpeace e pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec).

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