Atualizada às 13h
Bruno Hermano, João Unes, Lis Lemos e Nádia Junqueira
O senador Cyro Miranda (PSDB) disse nesta segunda-feira (29), durante entrevista que concedeu na sede do Jornal A Redação, que o PSDB terá candidato ao Senado em 2014. Durante convenção do aliado DEM, no último dia 20, o partido anunciou a candidatura do deputado federal Ronaldo Caiado ao Senado. Cyro avalia candidatura do democrata como factível e a considera como um pleito legítimo diante da trajetória do deputado. No entanto, ele afirma que há orientação nacional do PSDB para que o partido tenha candidatos ao Senado. Goiás e Pará são os dois únicos estados com duas cadeiras do PSDB. "Evidente que não queremos perder espaço", declarou.
Sobre a prefeitura de Goiânia em 2012, Cyro diz que há compromisso do PSDB e do governador Marconi Perillo com a candidatura de Demóstenes Torres (DEM). No entanto, se Demóstenes não for candidato, segundo Cyro, o PSDB terá seu representante na disputa. Segundo ele, o democrata não tem demonstrado tanta vontade de se candidatar, e por isso o partido já trabalha com essa possibilidade. Além disso, o PSDB não assume a prefeitura há quase 12 anos. O senador afirma que Goiânia precisa de um gestor que conheça profundamente os problemas da Capital e que planeje a cidade a longo prazo.
Cyro Miranda disse que, por enquanto, não pensa em sua reeleição em 2014, mas tem trabalhado para cumprir um bom mandato. Ao assumir o mandato, Cyro era desconhecido no mundo político. Ele pretende, a partir desse semestre, fazer um trabalho de aproximação de prefeituras de pequenos e médios municípios. Sem tensionar com a oposição, Cyro Miranda diz assumir um mandato de diálogo com todos os partidos, atendendo a todos prefeitos, sem, contudo, destoar das orientações do PSDB.
AR: Na semana passada o DEM fez convenção e adiantou a discussão do Senado em 2014, lançando Ronaldo Caiado. Como está essa discussão na base do governo? O PSDB também vai lançar candidato?
Cyro Miranda: Em primeiro lugar eu acho extremamente factível a candidatura do Ronaldo. O pleito dele é legitimo, porque é uma pessoa que milita há muito tempo. No entanto, o partido não tem nenhum compromisso com ele. O PSDB terá candidato; se será eu ou outro, não sabemos, mas terá. Até porque essa orientação está partindo da própria direção nacional. Nas eleições passadas o PSDB caiu de 16 para 10 senadores; uma perda considerável. Goiás e Pará são os únicos estados que têm dois senadores do partido. Evidente que não queremos perder esse espaço.
Pode ser então que o PSDB tenha um candidato e o DEM outro. Assim como PT terá um. O único compromisso que existe é do partido apoiar Demóstenes para prefeito, se for candidato. Somente ele. Não se discutiu mais nenhum outro nome. Por precaução, o partido está preparando e afunilando nomes, caso demóstenes não se interesse. Estamos fora da prefeitura há mais de 12 anos e vemos Goiânia crescer desordenadamente, com trânsito e saúde em estado caótico. Isso é falta de planejamento.
O DEM fala em lançar candidatura própria à prefeitura, mesmo que Demóstenes não seja o candidato. Vocês vão apoiar?
DEM não tem esse compromisso com o PSDB. Acho muito difícil que venhamos a ceder a outro nome que nao seja Demóstenes.
Essa decisão de ambos partidos lançarem candidatos ao Senado nao racha a base?
Não. O Ronaldo tem todo direito de pleitear o Senado. Mas dessa vez há somente uma vaga. É legítimo que DEM tenha candidato, mas também que PSDB tenha. Mas se cedermos a prefeitura e também o Senado, nosso partido perde a identidade. Pelo menos hoje não existe nenhum entendimento sobre senadoria. Isso também não é dogma de fé. Isso que estou dizendo hoje pode haver mudança. Se for bom para base aliada, faremos. Mas, em tese, o PSDB deve ter candidato próprio.
Com a criação do PSD, o DEM se torna um aliado mais fraco?
Na minha avaliação, ele se torna. Não foi da vontade do DEM que isso aconteceu. Kassab tomou uma medida e hoje a gente vê que ele está mais próximo de ser base de governo que de oposição, quem mais perdeu com isso foi DEM. Partido está numa fase de recuperação que vai levar muito tempo, perdeu grandes nomes e sai muito enfraquecido. Mas realmente eles optaram por fazer um limpa no partido: quem não tinha ideologia do DEM, saiu. Hoje PSD se diz independente, mas é interlocutor do governo federal.
Muitos líderes do PSDB, principalmente metropolitano, defendem candidatura própria, justamente por estarem afastados há 12 anos da prefeitura. Isso já está amarrado?
Dentro do partido é consenso que se não for Demóstenes, vamos lançar candidato. Como ele não tem mostrado vontade muito grande em suas declarações, não vamos esperar junho do ano que vem por uma resposta sem ter nos preparado. Estamos articulando, estão surgindo nomes. Nós precisamos de um gestor, porque há muito tempo Goiânia não tem um gestor, um perfil de administador, uma pessoa que planeja a cidade. No momento a preocupaçao é essa: estamos preparando para ter nomes e depois, o nome.
E o senhor será candidato a reeleição?
Eu estou fazendo o meu trabalho. Sou cristão novo, como dizem. Estou fazendo trabalho para meu Estado e país da melhor qualidade e dedicando máximo que posso. Ninguém me pediu para estar ali, estou porque quero. Como venho da área empresarial, planejo para então buscar resultados. Nesse primeiro momento estou construindo, avaliando. Fui bem nos primeiros seis meses, mas e daqui três anos e meio? Preciso ter senso crítico para pensar como vão me avaliar em Brasilia e em Goiás. Sou desconhecido no mundo político de base.
Tive bons resultados no primeiro semestre: fui senador que mais relatorias teve. Apresentei alguns projetos e sou vice-presidente da comissão mista de orçamento, uma importante comissão. Coube a mim ser o relator de orçamento da educação, ciência e tecnologia, cultura e turismo. Acho que com isso vou ajudar muito o estado de Goiás, principalmente no que tange à educação, ciência e tecnologia e cultura. Para mim, são bases para mudança de um país e estado. Você não passa uma educação diferente por lei, mas há todo um trabalho de base e ainda falta muito.
Estou na primeira fase; de construçao. Estou me saindo bem e tenho boa articulação com a oposição, em que temos alguns senadores extremamente sérios. Proponho e tenho feito o exercício de, devagarzinho, acabar com essa visão de oposição e situação no Senado e analisarmos projetos. Tive vários embates com Gleise Hoffmann quando senadora, mas em dois projetos, contrariando meu partido, votei a favor, porque eram bons. Mas sou de partido, não vou contrariar, chocar ou criar picuinha.
Costuma viajar o estado?
No primeiro semestre quis conhecer como funcionava a Casa. Das onze comissões, estou em sete. Mas recebo muitos prefeitos, de dois a quatro por dia. Como estou na comissão mista de orçamento, consigo com mais facilidade aprovar algumas emendas. Isso vai beneficiar os municípios e quero dar maior suporte, principalmente para os médios e pequenos. Os grandes estão na base do governo. Na parte da educação, vou ter uma entrevista com Haddad em uma semana. Vou mostrar a ele nossas necessidade de avançar no ensino técnico. Tenho muito medo de ter apagão de mão de obra, com essa velocidade de empresas vindo para Goiás.
E quais são as metas para ser mais conhecido nas bases?
Fazer do trabalho que está sendo desenvolvido em Brasilia conhecido em diversos municípios. Temos ferramenta muito importante que são as emendas sérias. Distribuí esse semestre cartilha para todos presidentes de Câmaras e prefeitos explicando qual postura prefeitura deve ter para pleitear emendas. Porque muitas vezes a documentação está incorreta e perdemos pleito. E aí vou me tornando conhecido nas cidades. Em Goiânia e Anápolis já sou conhecido pelo setor empresarial, por isso quero avançar entre as menores cidades. E tenho emenda para todos os partidos. Quem está naquela cadeira, não está para atender só um partido. Se prejudico um prefeito, prejudico uma população.
Ronaldo Caiado diz que o DEM está fazendo trabalho de maior oposição no Congresso Nacional, se posicionando contrário ao governo. O senhor avalia sua atuação de não tensionar com partidos de oposição?
Meu pensamento é totalmente ao contrário do DEM. Foi o que me pautou a vida inteira. Quando se milita numa entidade de classe, milita-se com pessoas de todos credos e partidos. Tenho emenda para pessoal do PT, Anápolis, PMDB, PP, outras que beneficiam municípios de grandes opositores. Se eu radicalizasse, seria falta de bom senso. Mas nem por isso perco proximidade com meu partido, mas vou aproximá-lo da população.
O nome do senhor surge como uma alternativa à Prefeitura, por ser um nome novo e os goianienses buscarem essa novidade e pelo perfil de administrador. Você está preparado, caso venha a ser candidato?
Não pensei nisso. Se for chamado, vamos ter que sentar, olhar as reais possibilidades, reconhecer as dificuldades do cargo e saber se estou preparado. Enquanto empresário, tenho perfil de gestão e não de política em si. Mas também há muitos nomes dentro do partido com boas características. Só quero dizer que não sou nenhum empecilho para partido, não vou criar uma cisão. Sou um colaborador e quero ajudar a identificar os gargalos na cidade de Goiânia e criar programa sério e exequível.
Dentro do partido, vê alguém com esse perfil?
Eu acho que temos nomes com condição. Mas, sendo sincero, é dificil citar A ou B, porque posso ser injusto com outras pessoas que não conheço bem. Partido vai ter que fazer sabatina com essas pessoas. Porque imagina se o partido ganha e faz uma gestão ruim? Isso faz com que diversos projetos sejam enterrados, e Goiânia é um divisor de águas para outras eleições. Faz muito tempo que não vejo bom gestor em Goiania. Vejo gente pintando meio-fio, mas não vejo qualidade na coleta de lixo e no transporte coletivo, por exemplo. Se um prefeito fosse a um terminal, pegasse o ônibus e fizesse um trajeto de um humano, ficaria horrorizado. Ele tinha que ter essa sensibilidade e conhecer tudo da cidade.
Como avalia o trabalho do prefeito Paulo Garcia?
Eu acho que Paulo Garcia é um bom médico, mas como gestor está deixando a desejar. Porque ele herdou problemas que não consegue resolver. Além disso, pela primeira vez a prefeitura entrou no ‘top 5’ dos desvios. Há muito tempo nao víamos isso, que representa falta de pulso. Nao digo que ele não seja comprometido, ele é serio, mas não tem nada planejado e vai terminar mandato sem mostrar nada. Nao são um ou dois viadutos que mudam alguma coisa.
Falta fiscalização nessa gestão, o mínimo que essa prefeitura poderia fazer era ter um sistema de policiamento de trânsito. O brasileiro só sente o problema no bolso, até conseguirmos formar uma geração consciente. E não faltam recursos, mas planejamento. Não sei se ele estava preparado para ser prefeito. Perdeu excelentes nomes na prefeitura, e o povo continua com mesmos problemas.