Michelle Rabelo
A greve de parte dos professores das universidades federais em Goiás continua, agora com apoio sindical. Pelo menos é o que indica o resultado de um plebiscito realizado durante todo o dia de quarta-feira (14/6). A votação, que aconteceu das 8 às 22 horas, teve a maioria dos votos a favor da greve, apesar de nem todos os professores filiados ao Sindicato dos Docentes das Universidades Federais de Goiás (Adufg) terem se manifestado através do voto. A partir de segunda-feira (18/6), as aulas estarão suspensas.
Até agora, 51 instituições em todo o país aderiram à paralização. A Diretoria Executiva do Sindicato dos Docentes das Universidades Federais de Goiás informou que se reunirá nesta quinta-feira (14/6) para definir a condução do movimento de paralisação.
Na quarta-feira (13/6), parte da diretoria eleita da Associação dos Pós-Graduandos (APG) da UFG levou ao reitor da universidade, professor Edward Madureira, as deliberações da Assembleia Geral que fundou a entidade, além de uma série de reivindicações acerca da política de assistência estudantil e também questões específicas da pós graduação. Anteriormente à reunião com a Reitoria, a APG esteve presente e usou a palavra na Assembléia Geral dos docentes, onde mais de 300 professores votaram pela manutenção da Greve.
Votação
Só puderam votar os docentes filiados a Adufg, que totalizam 2.200 professores, 92% do total de professores da Universidade Federal de Goiás (UFG). O plebiscito resultou em 486 votos a favor da greve, 343 contra, 13 brancos e 12 nulos. No domingo (17/6), a greve, que começou no interior do Estado, completará um mês.
A principal reivindicação dos docentes é a revisão do plano de carreira. Em acordo firmado no ano passado, o governo federal prometeu um reajuste de 4%, a incorporação de parte das gratificações e a revisão do plano para 2013. Os dois primeiros pontos já foram atendidos, mas não houve avanço na revisão da carreira. A paralisação afeta a rotina dos estudantes que aguardam as negociações entre a categoria e o governo federal para que o semestre letivo possa ser retomado e concluído.
UNB
Na Universidade de Brasília (UnB), além dos professores, os técnicos administrativos também cruzaram os braços, inviabilizando a maior parte das atividades acadêmicas. Na UnB, a decisão de paralisar as atividades é de cada professor, por isso os alunos se sentem “perdidos” em relação à greve.
Apesar das críticas, parte dos alunos apoia a paralisação. Em assembleia no dia 24 de maio, que contou com a presença de cerca de 600 pessoas, foi aprovada a greve estudantil, em apoio ao movimento inciado pelos professores. Uma sessão que reuniu os 46 centros acadêmicos da UnB no dia 29 manteve a decisão em uma votação apertada: 22 votos a favor da greve estudantil, 20 contra e duas abstenções.
Com a paralisação dos servidores, que começou na última segunda-feira (11), além das aulas, alguns serviços que são prestados à comunidade também ficaram interrompidos. A biblioteca da UnB, que é frequentada também por quem não é aluno da instituição, está de portas fechadas. “Sempre venho aqui para estudar, o espaço é bom. Mas agora fiquei meio sem opção”, conta Guilherme Macedo, 36 anos. Ele estuda administração em outra instituição, mas frequenta a UnB pela proximidade de sua casa.
Não só os alunos são afetados pela paralisação. A queda no movimento preocupa também quem trabalha na universidade. Edilma Queiroz, dona da banca de jornais que funciona no Instituto Central de Ciências (ICC) conta que nesta semana o movimento já caiu 90% em relação ao fluxo normal. “O impacto é total porque a gente tem que pagar todos os impostos, o aluguel, todos os encargos que a UnB também não abre mão, independentemente da greve. E a gente não sabe quando essa greve vai acabar”, diz. (Com informações da Agência Brasil)