Théo Mariano
Goiânia –
A data era 14 de abril de 1875. O dia marca o nascimento de Francisco Ferreira dos Santos Azevedo (imagem à direita), que outrora

descobriria-se um enamorado da arte de ensinar. Professor Ferreira, assim conhecido por sua profissão, iniciada em 1903, na cidade de Goiás, era também engenheiro e geógrafo. Aos 67 anos, fez-se eterno e deixou à história que o sucedera obras de inestimável valor, como
“Dicionário analógico da Língua Portuguesa – Ideias Afins”,
“Considerações gerais sobre as quantidades negativas” e
"Carta Geográfica de Goiás”.
No livro “O educador”, publicado em 2019 e organizado por Rodrigo Ferreira Fonsêca Pedroso, que reuniu biografia e história do professor, a trajetória de Francisco é detalhada entre poesias, crônicas, palavras saudosas e homenagens.
Poliglota, o professor dominava, além do português que facilitava sua profissão junto aos alunos dos Ensinos Fundamental e Médio de Goiás, os idiomas inglês, francês, italiano e latim. Aos discentes, traduzia sobre o quadro negro hipotenusas e, carregado de bom-humor, gracejava com seus aprendizes, como descreve a obra de Rodrigo Pedroso: “com vírgula, mulher e pólvora não se brinca”.
As 133 páginas não comportam o peso deste que, segundo o livro, é considerado por historiadores o professor mais relevante de Goiás das quatro primeiras décadas do século XX. “(…) o tempo não há de tirar/ As boas lembranças e o exemplo/ Que ele nos deixou”, diz o poema de Maria Eduarda de Freitas Sales Pedroso, “Lembranças do professor Ferreira”, um dos publicados na obra de Fonsêca.

Rodrigo Pedroso / (Foto: Reprodução)
Ao lado de sua mulher Genita, Virgínia Carvalho, Francisco Ferreira foi pai de onze filhos: José, Joaquim, Ana, Maria, Emanuel Ivan, Rita, Messias, Pedro, Paulo, João e Terezinha. Durante 39 anos, desceu a Rua do Carmo, em Goiás, para lecionar aos alunos do Lyceu, carregando consigo “porte ereto, olhar fixo e infinito”, como descreve Ubirajara Galli.
Destes e tantos outros recortes, a obra rememora e revive ainda mais o legado do Francisco Ferreira. Desde sua infância saboreada em goles de café com rapadura, descritos nas crônicas de José Sisenando Jayme, até a “insaciável fome pelo saber” d’O Educador.