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Produção de energia via biomassa pode crescer até 15% em 2015

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01.03.2015 - 16:25:36

Brasília – A crise de energia e o risco de racionamento no Brasil abrem espaço para que o setor sucroenergético expanda neste ano o segmento de cogeração, aquele em que a biomassa é usada para produzir eletricidade. Especialistas ouvidos pelo Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, dizem que a cadeia produtiva de açúcar e álcool tem potencial para aumentar a oferta de energia entre 10% e 15% em 2015 sobre os 20,8 mil GWh gerados em 2014, quantidade já 21% maior que em 2013.

Isso com base na capacidade atualmente instalada e desde que usando não só o bagaço da cana, mas também materiais de terceiros, como cavaco de madeira. Avalia-se que a participação no consumo nacional, hoje em torno de 4%, só não é maior porque ainda faltam infraestrutura eficiente e aspectos regulatórios que permitam o pleno desenvolvimento da cogeração nas usinas.

De acordo com o gerente em bioeletricidade da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), Zilmar Souza, para desenvolver todo o seu potencial, as unidades produtoras precisariam inicialmente investir no chamado retrofit, ou seja, na reforma e atualização do parque industrial para comportar os equipamentos necessários à cogeração.

"A fonte biomassa poderia ter gerado 6 vezes mais energia em relação à ofertada à rede em 2014, que é o seu potencial teórico. Isso significaria ter direcionado para o setor um investimento da ordem de R$ 85 bilhões", calculou Souza. De acordo com ele, contudo, esse é apenas um valor-limite, "hipotético", até porque o segmento passa por dificuldades financeiras e precisaria de no mínimo dois anos para a conclusão das obras, enquanto a demanda por energia é mais imediata.

Paralelamente, caberia ao governo honrar o plano de investir R$ 6 bilhões em linhas de transmissão nos próximos anos. Souza explicou que os atuais linhões necessários à energia de cogeração estão concentrados em áreas de fronteira de cana, como Mato Grosso do Sul e Goiás, e foram erguidos durante o boom do setor, em 2008 e 2009. Já em São Paulo, principal produtor, mas que tem usinas mais antigas, a infraestrutura é fraca.

"Nesse caso, é o gerador que tem de pagar pela distribuição, quando o ideal é que isso seja providenciado pelo sistema." Do lado regulatório, há o Preço de Liquidação das Diferenças (PLD), estabelecido pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Balizador das transações no curto prazo, o PLD tem teto de R$ 388,48 por MWh neste ano, abaixo do de R$ 822,83 por MWh de 2014. "Poderíamos gerar se houvesse estímulo de preço, se houvesse sinalização para a biomassa, o que não temos", comentou Souza.

"O que a Unica quer é que o preço continue melhorando", disse, enquanto o setor também pede mais leilões de energia específicos e regionais para biomassa. Pelos cálculos de Thais Prandini, diretora da Thymos Energia, a cogeração tem potencial para passar dos atuais 4% para algo próximo de 12% de todo o consumo nacional. "Se todas as usinas do Brasil produzissem energia para o sistema, elas produziriam mais do que Belo Monte", comparou.

No ano passado, a eletricidade de cogeração foi capaz de abastecer 11 milhões de residências ou 52% do que a hidrelétrica no Rio Xingu, no Pará, deverá produzir em 2019, quando for concluída. Prandini, entretanto, pondera que a energia de cogeração "é importante para a matriz, mas, sozinha, não consegue sustentar um país".

"Todo país depende de diversificação, porque há sazonalidade", explicou, referindo-se a períodos de seca, que impactam as hidrelétricas, e também às entressafras de cana, cujo bagaço e a palha representam 80% de toda a biomassa usada para produzir energia. Aliás, cada tonelada de cana gera de 250 kg a 270 kg de bagaço e mais 200 kg de palha para cogeração. Embora não garanta o abastecimento interno, a eletricidade advinda de usinas tem o atrativo de poder ser produzida mais rápido.

"Isso, principalmente, porque não tem de se discutir todo o impacto ambiental, como ocorre com hidrelétricas", disse a sócia da B2L Investimentos S.A e especialista em bioenergia, Danielle Limiro. "Para 2015, o cenário está promissor." Em entrevista recente ao Broadcast, o diretor da Divisão de Cana da Tereos Internacional, Jacyr Costa Filho, afirmou que a Guarani deverá aumentar a cogeração em 20% na safra 2015/16, que se inicia em abril.

Juliano Prado, diretor executivo de bioenergia e administrativo da Raízen, comentou que a empresa tem capacidade de geração adicional de energia e que o setor como um todo tem "potencial grande" para contribuir com o fornecimento de eletricidade em 2015. No ano passado, a Raízen produziu 2,1 milhões de MWh.

Já o Grupo São Martinho, que gerou 720 mil MWh em 2014, ainda não fechou o guidance para a temporada, de acordo com o diretor de Relações com Investidores da empresa, Felipe Vicchiato. Ele comentou que em torno de 30% da energia gerada pela São Martinho é comercializada no curto prazo. (Agência Estado)

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por Adriana Marinelli

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