Michelle Rabelo
Procuradores de Justiça estão reunidos no Ministério Público (MP/GO) para discutir quais as medidas adequadas referentes às denúncias que envolvem membros do órgão com a Operação Monte Carlo. A reunião teve início às 9 horas desta terça-feira (17/4) e não tem previsão para término. A convocação foi feita pelo procurador Pedro Tavares Filho, presidente do Colégio de Procuradores de Justiça e durante a reunião, os procuradores vão definir uma nova comissão para apuração dos fatos, com a participação do corregedor-geral do MP e outros dois procuradores.
O encontro foi marcado depois que Pedro Tavares recebeu um ofício com cópias das reportagens nas quais Demóstenes Torres (sem partido) supostamente influencia a atuação de membros do MP. As conversas gravadas pela Polícia Federal (PF) mostram o empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, solicitando a Demóstenes que pedisse ao irmão e procurador-geral de Justiça de Goiás, Benedito Torres, a indicação de um promotor de Justiça em Goiás que atuasse de forma a atender o interesse de Cachoeira. As escutas da PF também indicam que Wilton Queiroz e Libânio Alves Rodrigues, promotores do DF, teriam compartilhado informações confidenciais ao governo local por intermédio do ex-chefe de gabinete do governador Agnelo Queiroz (PT), Cláudio Monteiro.
Em conversa com Marcelo Lopes, assessor de Monteiro, o sargento da Aeronáutica, Idalberto Matias, conhecido como Dadá, afirma que Wilton quer "dar uns toques de governo, dos troços que apareceram lá", no ex-chefe da gabinete de Agnelo. Lopes sugere levá-lo até o Ministério Público e Dadá responde que poderia organizar o encontro de forma reservada: "A gente vai lá, entra lá de manhã, que não tem ninguém. Dez horas da manhã entra pela garagem e fala com ele." Os grampos indicam proximidade de Dadá com o chefe de gabinete de Lima.
Na segunda-feira (16/4), a Corregedoria-Geral do Ministério Público de Goiás abriu investigação preliminar para apurar a conduta de Benedito Torres. O corregedor Aylton Flávio Vechi pediu ao ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal, relator do inquérito contra Demóstenes, o compartilhamento de provas.
Por enquanto, o Aylton disse que só há informações sobre o assunto na imprensa. "Até agora as informações envolvendo membros do MP são oriundas exclusivamente da mídia, por meio de divulgação fragmentária de inquérito policial sigiloso, razão por que há necessidade de apuração criteriosa dos fatos", afirmou, em despacho.
Alvo das investigaçãoes
Segundo o MP, os três citados (Benedito, Wilton e Libânio) deverão ser alvo de investigação do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP). O assunto deve ser levado à pauta do Conselho na sessão desta terça-feira (17/4).

O procurador Benedito Torres diz ter rompido institucionalmente com o irmão – Foto: Ministério Público de Goiás
Na tarde de ontem (16/4), Benedito Torres falou à imprensa sobre a citação de seu nome nas investigações Monte Carlo. Durante entrevista, Benedito fez questão de ratificar seu empenho em levar todo o processo com “transparência e clareza” para que a população entenda que o MP nada tem a ver com Cachoeira. Ele disse ainda que diante dos últimos acontecimentos, acabou rompendo institucionalmente com o senador Demóstenes Torres. “Queremos um resultado claro para toda a sociedade, que ela saiba tudo sobre a atuação do Ministério Público de Goiás”, pontuou.
Documentos
Além das conversas, a PF encontrou na casa de Idalberto Matias de Araújo, apontado como um dos operadores de Cachoeira, documentos sigilosos da Polícia Militar, da Justiça de Goiás e dos Ministérios Públicos de Goiás e do Distrito Federal sobre a repressão aos jogos de azar, além de documentos que mostram a possível prática de espionagem e um relatório com determinadas linhas telefônicas que estariam sendo alvo de investigação pelo Núcleo de Combate à Organização Criminosa do Ministério Público Federal (MPF).
Os promotores do Ministério Público do DF foram procurados, mas não se manifestaram. Em nota, o Ministério Público do DF nega que os promotores tenham divulgado informações sigilosas e afirma que instaurou inquérito.
(Com informações da Agência Estado)