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Candidatos presentes no debate (Foto: reprodução/YouTube)

Primeiro debate entre candidatos à presidência é marcado por críticas aos adversários ausentes

Flávio, Lula e Zema não compareceram

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23.08.2026 - 21:32:51

José Abrão

Goiânia – O primeiro debate entre os candidatos que disputam a presidência da República nas eleições de 2026 teve a presença de apenas metade dos seis convidados: Ronaldo Caiado (PSD); Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante). Na semana passada, tanto Flávio Bolsonaro (PL) quanto Lula (PT) já haviam anunciado que não compareceriam. Mais cedo neste domingo (23/8), Romeu Zema (Novo) desistiu de comparecer. O debate ocorreu em São Paulo nos estúdios da Band. No primeiro bloco, os candidatos responderam a perguntas sorteadas pelos âncoras e depois fizeram perguntas entre si. O segundo bloco trouxe perguntas dos jornalistas presentes e no terceiro bloco eles novamente fizeram perguntas uns aos outros.

De cara, os ataques aos candidatos ausentes começaram. Renan Santos chamou Lula e Flávio de “criminosos” e “covardes”, completando: “Não têm coragem de falar dos crimes que cometeram!”, disse, se referindo a escândalos recentes como o com envolvimento de Lulinha e o do banco Master. Na mesma toada, Ronaldo Caiado começou dizendo: “A sociedade esperava a presença dos dois candidatos que são também os mais rejeitados do país. Isso mostra talvez a fuga deles por não poderem explicar os escândalos em que estão envolvidos”. Augusto Cury fechou o coro: “Lula da Silva, você tinha que estar aqui para responder pelo caos na educação”.

No embate direto, Renan Santos lembrou novamente os escândalos do PT, mas, ao mesmo tempo, Cury argumentou contra a polarização: “O Brasil está dramaticamente doente, polarizado. Venderam a ideia mentirosa que estamos em dois barcos, mas estamos em um barco só”, afirmou, dizendo que as práticas assistenciais do Brasil precisam ser ajustados: “as pessoas do Bolsa Família devem ser abraçadas, mas devem ser estimuladas a sonhar, a aumentar a sua renda”.

Cury foi o primeiro, também, a criticar os ataques de Renan ao presidente: “seu nível de agressão me assusta”, disse, meio encabulado. “Você pode criticar as ideias de Lula, mas não a pessoa”, completou. Além disso, Cury afirmou que se eleito, vai criar um ministério da Segurança para Caiado: “o senhor vai se tornar o xerife do Brasil”. Bem humorado, Caiado respondeu: “Eu vou declinar seu convite porque vou estar na presidência da República”.

Respondendo sobre como conter o feminicídio, Caiado afirmou que vai integrar as ações de tecnologia e segurança pública com “todos os segmentos da sociedade”, destacando a participação das ONGs e entidades de classe. Propôs também um projeto de lei duro contra os agressores de mulheres: “o confisco dos bens deste covarde, além de ter uma pena ampliada”, propôs.

Sobre educação, Renan Santos respondeu que “há no Brasil uma sabotagem do ensino fundamental”, com analfabetismo funcional e a perda da autoridade do professor dentro da sala de aula. Sua proposta é de recompensar municípios que melhorarem os índices de educação. Sobre economia, ele também criticou a “submissão” de Lula com a China e a dos Bolsonaro com Trump: “Há um projeto de destruição nacional”, atacou.

Segurança pública, escala 6×1 e EUA

Respondendo sobre segurança pública, Caiado afirmou ser uma questão de governabilidade. “As pessoas não estão acreditando mais que é possível [combater o crime organizado]”, disse. Ele propôs aumentar a autonomia dos governadores para legislar sobre segurança pública, aprimorar tecnologia e o treinamentos dos batalhões. Também propôs maior controle dos presídios, punindo mais duramente faccionados, com confisco de bens e visitas gravadas. “Vou também declarar terroristas as facções criminosas”, afirmou, dizendo poder empregar as Forças Armadas contra os criminosos. Comentando sobre o tema, Renan Santos defendeu que “Estados que não enfrentarem o crime organizado sofrerão intervenção”.

Respondendo sobre a relação com os EUA, Cury lembrou que o país tem uma dívida de 40 trilhões de dólares e afirmou que “não podemos ser subservientes”, mas que os conflitos devem ser pacificados. Comentando sobre o assunto, Caiado afirmou que “Lula está doido pra criar esse impasse” e que o Itamaraty passou a ser “porta-voz do PT” e prometeu reformar a chancelaria: “Ninguém quer brigar com o Brasil”.

Já Renan Santos respondeu sobre escala 6×1, chamando Lula de “inimigo do trabalho”. “Não acredite num político que fale que você vai trabalhar menos e ganhar mais em um país em que até as Casas Bahia quebraram”, disse. Sua proposta é de facilitar contratações e reduzir os impostos do trabalhador. Outra proposta é de contratos por hora, já que muitos trabalhadores se tornaram PJ. Comentando sobre o tema, Cury argumentou em defesa da 5×2 para “atender as necessidades dos trabalhadores e das empresas” como forma de combater as doenças laborais e o burnout.

No final do segundo bloco, os candidatos também comentaram novamente sobre a ausência de Lula e Flávio e mencionaram uma entrevista gravada com Lula que foi exibida, ao mesmo tempo, na TV Record: “um atentado contra a democracia”, criticou Cury.

Corrupção, crime organizado, educação e mais ataques

No terceiro bloco, novamente respondendo uns aos outros, Cury afirmou que a corrupção deveria ser um crime hediondo. “Teria que ter um prazo para julgar. No máximo seis meses. Ir pra cadeia mesmo”, disse. Sobre seu primeiro ato de governo, Renan disse que vai soltar as tropas nas favelas: “Vamos passar a rapa nesses caras!”, e prometeu “um banho de sangue” para “retomar o país” antes de fazer as reformas econômicas.

Perguntando para Caiado, Cury questionou sobre como ampliar o ensino técnico. “Esse tema é de uma relevância ímpar. Ampliarei muito isso. Ele [o aluno] saíra com dois diplomas”, prometeu, salientando a parceria em Goiás com o Sistema S e os resultados do Centro de Excelência em Inteligência Artificial da Universidade Federal de Goiás (Ceia/UFG). Já Cury afirmou ser necessário mudar o currículo do ensino com empreendedorismo e o combate contra o vício em telas.

Novamente, Caiado e Renan criticaram a ausência de Lula e Flávio. “Viraram as costas para a população”, disse Caiado, argumentando que vai propor uma lei para que todo candidato tenha que estar presente nos debates. “Adorei a proposta, já podemos protocolar no Congresso Nacional”, disse Renan, que seguiu para afirmar que Lula e Flávio querem um segundo turno “para disputar quem é mais amigo de Daniel Vorcaro”. Renan concluiu: “Estamos sendo muito enfáticos para ver se vão vir na próxima pelo menos para se defender”.

Considerações finais

Caiado finalizou sua participação destacando sua trajetória na política e o fato de que não foi citado em nenhum escândalo: “tudo o que eu falo veio de uma experiência de 40 anos da política e vocês nunca viram nada que atingiu a minha honra”. Sobre Lula e Flávio, novamente questionou não terem respostas para os escândalos e pediu para o eleitor: “não escolha café requentado”.

Renan lembrou seu papel nos protestos contra Dilma Rousseff e do sentimento de esperança que teria sido sequestrado pela família Bolsonaro: “o Brasil não precisa ser traído por essa gente” e disse que o Brasil foi “destinado a ser o maior país do Sul global”.

Já Cury lembrou sua trajetória difícil de pobreza e superação pelo caminho da educação. “Quero usar toda minha experiência para chamar os melhores profissionais, os melhores governadores, os melhores economistas e os melhores gestores porque o Brasil merece crescer. Não no grito, mas formando um time de ouro para a nação brasileira. Furar essa bolha, só depende de você”.

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por José Abrão

*José Abrão é jornalista, mestre em Performances Culturais pela Faculdade de Ciências Sociais da UFG e doutorando em Comunicação pela Faculdade de Informação e Comunicação da UFG

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