Mônica Parreira
Goiânia – Há exatamente um ano, a Polícia Civil de Goiás prendia Tiago Henrique Gomes da Rocha. Hoje com 27 anos, ele é apontado pela polícia como um serial killer que agia na Grande Goiânia. Na semana em que foi preso, o vigilante chegou a confessar a autoria de 39 assassinatos. A versão sobre a quantidade de crimes foi alterada pelo próprio suspeito dias depois e até hoje é motivo de investigação.
Destaque até na mídia internacional, a prisão de Tiago Henrique chocou a população goiana, que acompanhou de perto o mistério envolvendo a morte de várias mulheres em um curto período de tempo. A maior parte dos casos tinha as mesmas características: um motociclista abordava a vítima e chegava a dar voz de assalto, mas atirava e fugia logo em seguida sem sequer levar qualquer objeto de valor.
Boatos?
Em junho, depois que uma adolescente de 15 anos entrou para a lista de vítimas, a Polícia Civil informou que o Serviço de Inteligência ajudaria nas investigações. O medo predominava nas ruas de Goiânia. Motociclistas foram alvo de blitze da Polícia Militar e até a
foto de um inocente chegou a circular na internet como se fosse o culpado pelas mortes. A vítima dos boatos registrou boletim de ocorrência sobre o caso.
Prisão
Tiago Henrique foi preso no dia 14 de outubro de 2014 na Vila Canaã, resultado da força-tarefa que durou 70 dias e reuniu 25 delegados, 95 agentes e 30 escrivães. Ele era monitorado já há algum tempo e se encaixava no perfil do mandado de prisão temporária que foi expedido pela Justiça: "homem branco, com idade aproximada de 25 anos, cerca de 1,87 metros de altura, complição física atlética, sem barba ou bigode, cabelos pretos, curtos e lisos".
Antes de ser apresentado para a imprensa, Tiago Henrique passou a noite em uma cela da Delegacia Estadual de Repressão a Narcóticos (Denarc). Durante a manhã, o suspeito tentou cometer suicídio, cortando os pulsos com pedaços de lâmpada, sem sucesso.
No auditório da Secretaria de Segurança Pública de Goiás (SSP-GO), em Goiânia, imprensa e dezenas de familiares de vítimas aguardavam o momento de ficar frente a frente com o principal suspeito de matar diversas pessoas na Grande Goiânia.
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Sob forte esquema de segurança, Tiago Henrique entrou no local com semblante sério, vez ou outra encarando as pessoas. "Você é um assassino. Você destruiu nossas famílias", disseram alguns. Naquela ocasião, ele era investigado pelo suposto envolvimento em 39 assassinatos, entre eles mulheres e moradores de rua.
Acessórios, motocicleta e revólver foram exibidos pela polícia (Foto: Mônica Parreira/A Redação)
Na casa do suspeito, no Conjunto Vera Cruz, a polícia apreendeu uma arma, recortes de jornais sobre alguns assassinatos, faca, algemas e outros objetos como roupas, capas, calçados e capacete supostamente utilizados por ele durante os crimes.
Psicopatia
Tiago Henrique afirmou diversas vezes que um "sentimento demoníaco" o induzia a cometer os crimes. Laudo divulgado no dia 27 de fevereiro deste ano pela Junta Médica do Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO) atestou que o vigilante é psicopata e tem capacidade de compreender o caráter ilícito dos fatos.
De ato pensado, ele até chegou a enviar cartas para a polícia falando sobre crimes, em 2013. Os manuscritos, porém, não fizeram parte das investigações que auxiliaram a prisão do homem.
Condenações
O suposto serial killer atualmente cumpre pena por dois crimes: assalto e porte ilegal de arma. Pelo primeiro, a Justiça o condenou a 12 anos e 4 meses, em regime fechado, já que assaltou duas vezes a mesma agência lotérica. No segundo caso, foi condenado a três anos em regime aberto por porte ilegal de arma de fogo.
(Foto: TJGO)
Sobre os assassinatos, Tiago Henrique vai a júri popular por 27 dos 35 casos atribuídos a ele. A defesa ainda pode recorrer da decisão e, por esse motivo, nenhum tem data para acontecer. Ele está preso em uma cela de segurança máxima do Núcleo de Custódia Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia.