Mônica Parreira
Goiânia – Suspeito de integrar uma quadrilha especializada em abortos que atuava no Rio de Janeiro, o taxista Jadir Messias da Silva, de 51 anos, foi apresentado nesta sexta-feira (13/2) pela Polícia Civil de Goiás. O homem acabou preso na quinta-feira (12), no município de Catalão (GO), onde estava escondido na casa da mãe há cerca de duas semanas.
O taxista teve mandado de prisão preventiva decretada em setembro, quando foi deflagrada a Operação Herodes, e estava foragido desde então. Antes de ir para Catalão, o homem chegou a ficar três meses no interior do Pará. De acordo com a polícia, Jadir era o único suspeito que ainda estava solto. Sua participação na quadrilha seria transportar mulheres que procuravam a clínica carioca para realizar o aborto.
Responsável pela investigação que levou à prisão de Jadir em Goiás, o delegado titular da Delegacia de Repressão a Crimes Rurais e de Divisas, Glaydson Carvalho, informou que o homem confessou saber dos procedimentos que eram feitos no local, mas não detalhou quanto recebia pelo transporte das mulheres.
Em entrevista, porém, o taxista negou. "Estão dizendo que sou da quadrilha, então vão ter que provar. Eu sou taxista, transporto qualquer passageiro, faço isso há vários anos no Rio de Janeiro", disse, tentando também explicar o fato de estar foragido. "Não aceito ser preso, eu tenho livre arbítrio para transportar qualquer passageiro".
Atuação da quadrilha
A Operação Herodes foi deflagrada depois da morte de Jandira Magdalena dos Santos. A mulher de 27 anos desapareceu no dia 26 de agosto ao procurar a clínica para fazer o aborto clandestino. Dias depois, o corpo foi encontrado carbonizado em Guaratiba (RJ).
Pelo menos 14 pessoas foram indiciadas pela morte de Jandira, crime que ganhou repercussão nacional. Com a desarticulação da quadrilha, cerca de 57 pessoas foram presas, entre médicos, enfermeiras e até militares.
Entre os detidos está a esposa de Jadir, Maria Lúcia Rodrigues da Silva, faxineira da clínica. Segundo o delegado Glaydson Carvalho, um dos médicos envolvidos é acusado de cometer abortos desde 1962. Cada procedimento custava até R$ 7,5 mil.