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Presidente Dilma agrega valor à imagem do Brasil

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01.11.2011 - 11:33:31

O principal jornal da Espanha, o El País, estampou há duas semanas, na capa do suplemento Domingo, uma foto enorme da Presidente Dilma, tirada no dia da posse, em Brasília. Os títulos da capa e da matéria anunciavam respectivamente: “Super presidente Dilma” e “Manda ela”! 

Que ninguém duvide da boa imagem que Dilma Rousseff tem na Espanha e do que aporta ao Brasil no exterior. A reportagem de duas páginas inteiras faz um balanço dos dez primeiros meses  de mandato da presidente e nos revela como a Espanha, que é um dos nossos maiores investidores estrageiros, nos vê.

O texto começa destacando que há quase um ano a maioria das pessoas pensava que Dilma Rousseff não passava de uma criação de seu predecessor, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e que precisaria de ajuda para se manter no poder. E segue: “Se passaram apenas 10 meses, desde que tomou posse, e Dilma, como é conhecida popularmente, conseguiu algo que parecia impossível: sem mudar seu estilo, sério e nada complacente, desfruta de 71% de popularidade e ninguém tem a menor dúvida sobre quem manda no Brasil”.

A reportagem dedica um bom espaço à luta da presidente contra a corrupção, nos altos níveis do governo, e informa aos espanhóis, que Dilma Rousseff destituiu quatro ministros, apesar do pouco tempo, no comando do país.

A jornalista Soledad Gallego-Díaz ressalta que a presidente não se esquivou da tarefa árdua de demitir um ministro como Palocci, que é amigo de Lula e a acompanhou em toda a campanha; além de ministros de outros partidos, dos quais o governo depende para aprovar projetos no Congresso. Mas lamenta que a presidente tenha deixado nas mãos dos partidos aliados a escolha dos sucessores e questiona: “Porque Dilma, de cuja integridade ninguém duvida, se submete a esse tipo de jogo? Porque assim se joga a política no Brasil”. A explicação da jornalista contextualiza o leitor espanhol na realidade política brasileira, e sem tom de crítica, retrata uma presidente que aposta mais no respaldo popular que na reação de corruptos e corruptores, ainda que formem a base aliada do governo. 

Segundo o jornal espanhol, a grande pergunta que os brasileiros se fazem hoje é se a presidente seguirá ir adiante com essa limpeza. Mal sabia a jornalista, que em duas semanas, cairia mais um: o ministro do Esporte, Orlando Silva, para não deixar dúvida de que a faxina continua.

Ali, fazem um perfil completo da presidente. A descrevem como uma pessoa de gênio forte, exigente com seus colaboradores, mas também amorosa com a família.

El País considera a biografia de Dilma Rousseff surpreendente, ao lembrar que, na juventude, ela foi uma militante socialista de um grupo armado, presa e torturada, durante a ditadura militar. O jornal espanhol a compara com o presidente do Uruguai, José Mujica, e com a ex-presidente do Chile, Michelle Bachelet, que também foram presos e torturados, mas, como eles, não teve uma atitude revanchista, porque os três renunciaram a revisar a lei da anistia, que ampara os responsáveis pela ditadura. Mas ressalta, que Mujica e Rousseff apoiam as comissões da verdade, recém abertas no Brasil, que devem estabelecer os fatos e descobrir o destino dos desaparecidos.

El País deixa claro que a presidente nunca se comportou como uma marionete de Lula e que, ao contrário, empreendeu mudanças, em relação à administração anterior, como por exemplo: aproximar o país dos Estados Unidos, ao alterar a política com o Irã; impor um corte de 50 bilhões de dólares, logo no início do governo; e interromper o “contrato do século” para a renovação da força aérea, “um projeto bem próximo de Lula”, segundo o jornal. Ali descrevem como bandeiras da presidente: a intervenção do Estado na economia e a continuidade dos programas sociais.

“Não é fácil ser a primeira mulher a dirigir um país. Não é fácil governar um país emergente, mais difícil ainda se é um país tão enorme e globalmente relevante como o Brasil. O Brasil está vivendo um momento único, uma grande oportunidade que requer um líder com experiência sólida e idéias firmes. Dilma oferece precisamente essa virtuosa combinação. E, além do mais, é uma mulher valente, que enfrentou uma ditadura militar e que dedicou sua vida à construir uma alternativa democrática”, comenta Michelle Bachelet   em entrevista ao El País, que termina a reportagem com a seguinte frase: “Se tudo continua como agora, ninguém duvidará quem será a candidata”, em 2014.

Diversifiquemos a leitura, e vamos ao The Guardian, um dos principais jornais da Inglaterra. Este ano, o jornal fez uma lista com cem mulheres que inspiram e influenciam as demais, em comemoração ao centenário do dia internacional da mulher. Pois, o Top 100 do The Guardian inclui Dilma Rousseff. O jornal inglês oferece o perfil de cada uma delas e Dilma é descrita como a ex-guerrilheira, presa e torturada, que se tornou a primeira mulher presidente do Brasil. The Guardian destaca o número recorde de mulheres ministras nomeadas pela presidente Dilma, que reverteu sua posição sobre o direito ao aborto legal por pressão da Igreja. Para saber mais: www.guardian.co.uk/world/series/top-100-women-politics

Liderança internacional

Cinco dias antes da lista ser publicada, o jornalista Vincent Bevins escreveu um artigo no mesmo jornal inglês, onde dizia: “Existe uma nova personagem no cenário, agora no comando da metade da população da América do Sul, que pode estar começando a assumir uma nova estratégia para os líderes de centro-esquerda da América Latina”. Bevins se referia à Dilma Rousseff.

Nesse artigo, o jornalista conta que a estratégia da esquerda, na América Latina, durante décadas, foi criar um projeto radical e alternativo ao capitalismo global e ao imperialismo ocidental. Mas, agora, com as economias em alta e a norte-americana titubeando, é a hora de fazer o próprio jogo e perseguir os desafios, em casa e no exterior. 

Bevins conta que Hugo Chávez se referia à George W. Bush como “demônio”, já  Evo Morales fez piada, quando Bush incluiu a Bolívia no “eixo do mal” e que Lula disse, pessoalmente, a Gordon Brown, que a crise financeira internacional foi causada por “banqueiros de olhos azuis”. “Eu suspeito que vamos ver menos disso em Dilma Rousseff, que parece estar confiante de que todos sabem a favor de quem a balança pende”, prevê o jornalista.

E o que será que diz o jornal norte-americano, com o maior número de prêmios Pulitzer, entre todas as empresas de notícias do mundo, sobre Dilma Rousseff? The New York Times, que também conta com a versão online mais popular nos EUA, publicou uma matéria, no dia 11 de outubro, com o título: “A liderança já não é um clube masculino”.

Segundo o texto, é impressionante a quantidade de mulheres, que está forjando papéis na cena internacional, como líderes do novo século, neste momento de tumulto econômico. A primeira mulher a quem o jornal se refere é Dilma Rousseff e a descrevem como uma economista, que lidera a sétima economia do mundo e que, no primeiro ano de mandato da primeira mulher a governar o Brasil, o país vivenciou o maior crescimento, em 25 anos.

The New York Times destaca os avanços obtidos pelo país, como o salto de 30 milhões de brasileiros da pobreza à classe média, em uma década. Informa que o mercado imobiliário está em alta, que o Rio de Janeiro é a cidade mais cara das Américas e chama a atenção para a descoberta das enormes reservas de petróleo. Aponta como grandes problemas a inflação, desaceleração da indústria, gastos expressivos com o bem estar e os projetos gigantes para a Copa de 2014 e Olimpíadas de 2016. E lança o desafio: “Como a senhora  Dilma vai administrar tal gigante – o mais rico, o maior e com a maior diversidade racial das nações da América do Sul?”

As outras mulheres com destaque internacional descritas pelo jornal são Hillary Clinton, Angela Merkel, Christine Lagarde, Michelle Obama e as três recém ganhadoras do prêmio Nobel da Paz: Ellen Johnson Sirleal, Leymah Gbowee e Tawakkol Karman. Mas o centro das atenções foi Dilma Rousseff, a quem o jornal dedicou sete parágrafos.

Bem mais perto do Brasil, na Argentina, um dos principais jornais do país vizinho, o La Nación, publicou um artigo, em 24 de julho, que começou com a pergunta: “Um novo rumo para a política, no Brasil? Esse parece ser o desafio que se propôs a presidente Dilma Rousseff…”. O diário se referiu à uma cruzada contra a corrupção empreendida pela presidente e publicou frases ditas por Dilma Rousseff, em entrevista coletiva, como: “Estamos fazendo uma renovação. Sairão todos, independentemente das cores partidárias”, “A limpeza não tem limites”, “O governante, o político, não pode ficar limitado ao pensamento de seu grupo. Defendo a convivência dos contrários. Eu não sou presidente de um partido ou de uma coalizão partidária, sou presidente da República”.

O China Daily, maior jornal de língua inglesa da China, foi na mesma direção e informou em 28 de outubro, que a reação rápida da presidente Dilma aos escândalos de corrupção reafirmou sua reputação como uma “administradora que não tolera corrupção” e aumentou sua popularidade com a classe média em expansão.

A presidente Dilma Rousseff é o novo retrato do Brasil. Um país que dá passos largos para corrigir problemas históricos, como a desigualdade social e a corrupção. Os jornais citados acima transmitem uma imagem muito positiva do país, sem se esquecer dos desafios a enfrentar. Sem o olhar apaixonado, os vínculos políticos, os atrelamentos, as idéias preconcebidas e os preconceitos, que podem embaçar a visão de quem está tão próximo. Um olhar distante, por mais contraditória que a frase possa parecer, pode nos revelar um Brasil com mais nitidez.

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por Eliane de Carvalho

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