A Redação
Goiânia – Parte do prédio da Secretaria de Educação, Cultura e Esporte (Seduce) permanece bloqueado nesta quarta-feira (27/1), um dia após a invasão de manifestantes. Segundo a assessoria de comunicação do órgão, o local ainda passa por perícia e também precisará de limpeza. O atendimento ao público está temporariamente suspenso. Os manifestantes continuam acampados no estacionamento.
A Seduce informou que o expediente foi cancelado para servidores do pavimento superior do prédio, onde fica o gabinete da secretária. O saguão de entrada, onde ocorre o atendimento ao público, a escada, os corredores e algumas salas estão completamente cobertas por pó de extintor.
Toda a sujeira aconteceu durante a invasão dos manifestantes no prédio. Pelo menos cinco tubos de extintor foram esvaziados durante a ação. A Seduce informou que está providenciando o reabastecimento de todos até que o expediente volte ao normal.
Manifestantes acampam no estacionamento do prédio (Foto: A Redação)
Uma servidora relatou que chegou a tentar fazer fotos da ação no corredor da secretaria, mas foi agredida por um dos manifestantes. O grupo se deslocou até o gabinete da secretária Raquel Teixeira, onde estavam 10 pessoas. Ainda segundo relatos da assessoria, eles gritavam, xingavam e diziam que "entrariam à força".
Manifestante encapuzado ameaça servidora que tira foto (Foto: Seduce)
O serviço de inteligência da Polícia Militar esteve no local e conversou com os manifestantes. Depois de quase quatro horas de negociação, os dez servidores que estavam na sede deixaram o local com segurança e foram para a Central de Flagrantes prestar depoimento.
No acordo com a PM, os manifestantes concordaram em não invadir a sede administrativa da Seduce. O grupo acampou no estacionamento do prédio, onde permanece por tempo indeterminado.
Entenda o caso
No dia 9 de dezembro do ano passado começou uma série de ocupações em escolas estaduais. Os secundaristas alegam ser contra a gestão compartilhada com organizações sociais, projeto que já é realidade na Saúde do Estado e que será implantado este ano na Educação. A expectativa do governo é que 200 escolas participem do novo modelo até o fim de 2016. A implantação vai começar por 23 escolas ligadas à Subsecretaria de Anápolis.
A Seduce registrou a ocupação de 26 unidades goianas, espalhadas por Goiânia, Aparecida de Goiânia, Anápolis, Cidade de Goiás e São Luís de Montes Belos. Durante o movimento, os manifestantes chegaram a fechar os portões das escolas, impedindo o acesso às dependências.
Na segunda-feira (18/1) que antecedeu o início do ano letivo, a secretária da Seduce, Raquel Teixeira, concedeu uma entrevista coletiva explicando a inviabilidade de iniciar as aulas nas unidades ocupadas. "Como a efetivação só pode ser concluída pelo diretor ou coordenador dentro da escola, que é onde ficam os documentos, temos uma situação variável no caso das ocupadas", disse a secretária.
Foi oferecida a opção de transferência aos alunos que quisessem começar o ano letivo no calendário comum. Já o aluno que insiste em estudar na unidade ocupada teria que aguardar a desocupação e vistoria de cada unidade. Um novo calendário deve ser elaborado para reposição de aulas.
Insatisfeitos com o atraso do cronograma de aulas previsto para 2016, pais e alunos iniciaram uma série de manifestações para retirar os ocupantes das escolas. Até terça-feira (26), a ação conseguiu desocupar oito unidades. Possivelmente irritados com a situação, manifestantes que ocupavam as escolas optaram por invadir o prédio da Seduce.