Samuel Straioto
Goiânia – A corrida ao governo de Goiás ganha tração neste início de ano, com os principais postulantes ao cargo retomando suas atividades após o recesso de fim de ano. Daniel Vilela (MDB), Marconi Perillo (PSDB), Wilder Morais (PL) e o campo progressista apresentam estratégias distintas para consolidar suas candidaturas, num cenário que promete disputa acirrada.
Para o cientista político Rodrigo Andrade, o momento atual é decisivo na construção das campanhas. “Observamos táticas completamente diferentes entre os postulantes. Há quem utilize a estrutura governamental, quem aposte no contato direto com eleitores e quem ainda precise definir sua representação. Essa pluralidade de abordagens indica uma eleição competitiva”, destaca.
Vice-governador aposta em agenda governamental

Daniel Vilela retomou suas atividades logo no início de janeiro, priorizando eventos oficiais que destacam realizações do governo estadual. Entre as principais ações, estão a entrega de aeronaves para a segurança pública, inauguração de obras hospitalares e apresentação de plano para o setor florestal.
A estratégia do vice-governador envolve presença marcante em cerimônias oficiais e crescente circulação pelo interior goiano. Auxiliares próximos indicam que a agenda deve se intensificar nos próximos meses, com ênfase em inaugurações de obras e programas sociais.
No início desta semana, Daniel Vilela conduziu reunião com deputados estaduais da base aliada para discutir a formação de chapas proporcionais, dando continuidade à articulação iniciada em 2025.
Contato popular
O ex-governador Marconi Perillo adota caminho oposto, concentrando esforços em visitas aos municípios goianos. O deputado estadual Gustavo Sebba, presidente estadual do PSDB, informou que o ex-governador manteve compromissos mesmo durante as festas de fim de ano e intensifica a agenda neste mês, percorrendo várias localidades diariamente.
O foco principal tem sido participação em sessões de câmaras municipais, consideradas pelos tucanos como espaço privilegiado para ouvir demandas da população. A estratégia busca reforçar a imagem de político experiente e conhecedor das realidades locais.
Rodrigo Andrade avalia que essa abordagem pode render frutos em regiões onde o relacionamento pessoal ainda pesa. “A circulação territorial continua sendo importante na política estadual. Perillo utiliza sua bagagem administrativa aliada à presença constante junto aos eleitores. É uma aposta em conquistar confiança através do histórico e da proximidade”, analisa.
Sebba demonstra confiança nos resultados da estratégia: “Considerando que Daniel dispõe de toda a estrutura governamental, o empate técnico ou até certa vantagem de Marconi nas pesquisas mostra a força dessa aproximação com o povo”.

Estrutura partidária
O senador Wilder Morais concentra esforços na organização interna do PL. Fontes próximas ao senador relatam que as conversas com lideranças visam principalmente estruturar as candidaturas proporcionais e atrair novas filiações ao partido.
Simultaneamente, o senador participa do Rota 22, projeto nacional do PL que realiza diagnóstico de demandas municipais. Em Goiás, a iniciativa prevê cerca de 20 encontros regionais até março, com pesquisas presenciais em todos os municípios para mapear necessidades locais.

Em construção
Enquanto outros postulantes avançam em suas movimentações, a esquerda goiana trabalha para definir quem representará o campo progressista. A deputada federal Delegada Adriana Accorsi, presidente estadual do PT, revelou que o Grupo de Trabalho Eleitoral (GTE) progride nas discussões sobre a escolha.
Seis lideranças manifestaram interesse em encabeçar a chapa progressista: o vereador Edward Madureira (PT-GO), o advogado Valério Luiz (PT-GO), Iure Castro (Cidadania), Gilvane Felipe (sem partido), superintendente do Iphan-GO, o professor Jerônimo, que concorreu a vice-prefeito em 2024, e o ex-governador José Éliton (sem partido).
O GTE, formado por representantes das diferentes correntes petistas, estabeleceu como meta anunciar o nome até o final deste mês. Atualmente, participam das tratativas a Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB, PV) e o Cidadania. Adriana Accorsi informou que as conversas prosseguem para incluir Rede, PSOL, PDT e PSB, que também podem sugerir nomes.
Para Rodrigo Andrade, a movimentação revela esforço de reorganização do campo progressista. “Há tentativa de construir alternativa competitiva através da ampliação de alianças e escolha de candidato consensual. A decisão de definir o nome ainda em janeiro indica preocupação em não perder tempo. A variedade de interessados mostra disposição de lideranças progressistas em enfrentar o desafio, mesmo num cenário adverso”, observa o cientista político.
A eventual candidatura de José Éliton ganha destaque. Com passagem pelo governo estadual e trânsito em diversos setores, o ex-governador surge como possibilidade de viabilidade eleitoral para a esquerda, que busca recuperar protagonismo após derrotas recentes.
Múltiplas frentes
A eleição de 2026 em Goiás apresenta pelo menos quatro vertentes principais: a situacionista, representada por Daniel Vilela e sustentada por Ronaldo Caiado; a tucana, com Marconi Perillo valorizando experiência e relacionamento popular; a do PL, onde Wilder Morais busca consolidar presença partidária; e a progressista, ainda em processo de definição.
Segundo Rodrigo Andrade, o pleito promete ser disputado. “Temos postulantes com características e táticas variadas. Daniel conta com a máquina e a transferência de capital político de Caiado. Marconi valoriza sua trajetória e reconhecimento. Wilder busca capitalizar o eleitorado bolsonarista. E o campo progressista trabalha para se reorganizar e oferecer opção diferenciada. Será disputa que exigirá propostas consistentes e capacidade de mobilização”, conclui o analista.
As próximas semanas devem consolidar definições e marcar o início efetivo da pré-campanha, com crescente movimentação de todos os interessados no Palácio das Esmeraldas.
