Lucas Cássio e João Unes
Goiânia – Lançada há um mês como pré-candidata ao governo de Goiás pelo PT, a professora Kátia Maria defende um modelo de gestão integrada entre as todas as áreas para promover soluções para os problemas do Estado. Na avaliação da petista, o modelo atual "privilegia" determinadas regiões em detrimento de outras.
“Queremos, dentro da gestão integrada, criar a possibilidade da participação das pessoas e descentralizar os serviços. Percebemos que existe uma concentração das oportunidades e dos serviços do Estado”, disse Kátia em entrevista ao Jornal A Redação, ao alegar, por exemplo, que os serviços na área da Saúde estão concentrados na capital. Ela também citou a área cultural. “Tem o Fica na cidade de Goiás e o Canto da Primavera em Pirenópolis. Além desses eventos, não temos outras ações do Estado”, afirmou a petista durante visita à sede do AR.
Segundo a pré-candidata, que também é consultora em planejamento e gestão e Mestre em Estudos Socioambientais, a distribuição de renda no Estado não é feita de forma eficiente e isso, conforme afirmou, "atrapalha o desenvolvimento de muitos municípios". Para ela, Goiás reproduz um modelo de nível nacional que concentra a renda em determinadas regiões. “Temos hoje em Goiás, segundo o IBGE, a concentração de 60% do PIB em apenas 10 cidades”, disse. “Queremos integrar essa gestão para que todas as áreas conversem entre sim, mas que isso seja feito de forma descentralizada, promovendo o desenvolvimento regional de forma equilibrada”.
Incentivos fiscais
Kátia Maria é a favor da oferta de incentivos fiscais para a atração de investimentos para o Estado, mas, segundo ela, é preciso aperfeiçoar a forma como eles são concedidos para não prejudicar os pequenos e médios empresários goianos. “Temos regiões que desenvolveram muito e regionais que não desenvolveram quase nada. Isso tem a ver com a política adotada pelo governo de Goiás, que priorizou algumas regiões”, alegou. “Não dá para dar isenção de imposto a empresas gigantescas que podem colaborar com o Estado e penalizar as empresas pequenas. São essas pequenas que, de fato, garantem geração de trabalho e renda”, acrescentou.
(Foto: Letícia Coqueiro / A Redação)
Segurança Pública, Saúde e Educação
Para a pré-candidata do PT, o modelo de gestão que o partido está apresentando vai ao encontro de soluções dos problemas que apresentam maior gargalho na administração pública: Segurança Pública, Saúde e Educação. “Segurança Pública não se resolve só com encarceramento ou só com policiamento. Resolve-se gerando emprego, distribuindo renda, criando políticas de educação, de cultura, inserindo o cidadão de forma mais emancipada na sociedade”, defendeu.

“Entendemos que precisamos reestruturar a máquina do governo para dar conta de fazer a Saúde funcionar. O modelo que está colocado hoje, no nosso ponto de vista, é um modelo esgotado. Um modelo que fracassou e não deu conta de mostrar resultados para a melhoria da Saúde para a população”, alegou Katia ao falar da gestão dos hospitais por meio de Organizações Sociais (OS). “Aumentou a aplicação dos recursos na Saúde, mas diminuiu o número de pessoas atendidas”, justificou.
Kátia Maria defende que os investimentos também sejam feitos em Saúde preventiva. “Precisamos pensar a área da Saúde de forma integrada. A gente fala de Saúde, mas hoje só estamos cuidado de doença. Não tem uma saúde preventiva. É importante cuidar da alimentação, possibilitar que as pessoas tenham acesso a uma atividade física, possibilitar que tenham saúde mental e emocional. Precisamos pensar a saúde preventiva em parceria com os municípios”, justificou.
Ainda sobre o modelo de gestão por OS, a petista acredita que “todo serviço fim do Estado, como Saúde, Educação, Segurança Pública, e todos aqueles que atendem diretamente a população, precisam ser prestados pelo próprio Estado”. “Não dá para terceirizar porque se perde a autonomia e o jeito de anteder bem o cidadão. Não funcionou na Saúde e não vai funcionar na Educação. OS é um modelo que não funciona para a gestão pública”, concluiu.