Logo

Pouco conhecido no exterior, choro atrai estrangeiros

WhatsAppFacebookLinkedInX
03.07.2011 - 20:53:54

Agência Brasil

Brasília – A israelense Salit Lahav diz que se sentiria orgulhosa de ser reconhecida como uma chorona. E tem se esforçado para isso. Embora não haja ainda, em hebraico, um termo adequado para traduzir o título que almeja, ela integra o único conjunto de que se tem notícia a tocar profissionalmente, em Israel, o mais genuíno gênero musical brasileiro, o choro. Ele também organiza encontros musicais semanais para divulgar o choro.

Apontado por especialistas como a primeira manifestação musical popular tipicamente urbana surgida no Brasil (há quem diga o mesmo da modinha e do lundu, mas ambos os estilos chegaram ao país à época da vinda da Corte portuguesa, em 1808, quando já eram praticados na Europa), o chorinho é hoje menos conhecido no exterior que o samba e a bossa nova. Ainda assim, como dizia o compositor Heitor Villa-Lobos, continua sendo considerado por muitos como a exata tradução da “alma musical do povo brasileiro”.

De acordo com os instrumentistas estrangeiros ouvidos pela Agência Brasil, o choro empolga não só o público com sua leveza e riqueza melódica e rítmica, mas também os músicos. Eles não só têm que ter pleno domínio de seus instrumentos para improvisar enquanto acompanham a melodia, como precisam absorver a harmonia e o ritmo característicos da música brasileira.

"Técnicamente, o choro é difícil. Ele tem uma particularidade rítmica que dificulta um pouco para as pessoas de outros países tocar", diz Salit, que tocava piano e acordeon antes de se dedicar à flauta, instrumento com que começou no jazz antes de chegar à música brasileira e se apaixonar pelo choro. "Mas eu também acho que é um gênero muito próximo da música clássica e que, por isso, para quem estudou música erudita, talvez seja mais fácil tocar choro do que o jazz. E nós, israelenses, também parecemos ter um pouco menos de dificuldade. Talvez porque sejamos muito parecidos com os brasileiros em termos de caráter e de energia", completa, em português carregado de sotaque.

Paixão
O primeiro contato de Salit com o gênero ocorreu em 1999, durante sua primeira visita ao Brasil. “Eu já gostava muito de música brasileira, mas só fui conhecer melhor o choro em 2006, quando voltei ao país. Aí eu me apaixonei e acabei ficando três meses no Rio de Janeiro só para aprender mais e tocar", contou a israelense, durante a rápida passagem do grupo por Brasília, onde se apresentou no tradicional Clube do Choro.

De volta ao seu país, Salit recrutou os brasileiros Gabriel Marques e Daniel Ring para formar o conjunto Chorolê (o sufixo lê vem do iídiche e corresponde ao diminutivo português `inho´). Para a percussão, convidaram o também israelense Oded Aloni.

“Eu conhecia pouco de chorinho, mas já vinha aprendendo algo com o pessoal do grupo e ouvia muita música brasileira”, conta Oded. Há cinco anos, ele conheceu o samba e os ritmos nordestinos durante uma viagem ao país. Decidiu, então, trocar o violão pela percussão e carregar o derbake, instrumento percussivo árabe, para as rodas de choro. “Eu demorei para conseguir começar a tocar, mas não considero que o choro seja muito mais difícil para um músico que outros estilos.”

Já para a flautista norte-americana Julie Koidin, com a prática, a técnica pode substituir a falta de “ginga” para o choro, mas o difícil é disfarçar o “sotaque musical” estrangeiro. “Com técnica você pode tocar não só o choro, mas qualquer outra música. A questão é o sotaque musical. Qualquer um que entenda de música sabe que não é um brasileiro quem está tocando. É como a fala. Talvez se passássemos mais tempo no país, tocando todos os dias com músicos brasileiros, conseguíssemos minimizar este sotaque,”

Com formação erudita, Julie também chegou a tocar jazz antes de conhecer o choro, na década de 1990. Seu primeiro contato se deu por meio de partituras que seu então parceiro musical, o violonista Jeff Kust, havia comprado durante uma viagem ao Brasil. "Eu não tinha nenhuma ideia de que aquilo era um gênero tradicional porque as música vinham arranjadas para concertos. Só que sob o título de algumas delas havia a anotação choro e era sempre elas que a plateia mais gostava.”

Julie então decidiu pesquisar mais sobre o assunto. Até descobrir um músico norte-americano que após morar por um tempo no Brasil voltou aos Estados Unidos apaixonado pelo choro e montou, em Boston, um negócio onde vendia discos do gênero.

compartilhar
WhatsAppFacebookLinkedInX
por Redacao Jornal

*

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Postagens Relacionadas
Cultura
17.10.2026
Capital da Boa Mesa vai premiar quem mostra a força da gastronomia goianiense

A Redação Goiânia – O Sindicato de Bares e Restaurantes de Goiânia (Sindibares) promove o 1º Prêmio de Comunicação Goiânia, Capital da Boa Mesa, que distribuirá R$ 75 mil em premiações, sendo R$ 15 mil por categoria. As inscrições são gratuitas e estarão abertas até 20 de novembro, conforme as regras do regulamento. Com o tema […]

Literatura
17.10.2026
Livros ajudam a compreender a diversidade histórica e cultural, afirma Narcisa Cordeiro

Jales Naves Especial para o jornal A Redação Goiânia – “Meus livros são parte de um esforço permanente para compreender Goiás em sua diversidade histórica, cultural, territorial e humana”, afirmou a arquiteta e pesquisadora Narcisa Abreu Cordeiro ao falar sobre “Histórias Escritas e a importância da Leitura” no projeto idealizado por Rômulo Vaz, ‘Café com […]

História
17.10.2026
Mineira, Alvina Naves, tecelã e cozinheira, fixou-se em Porangatu

Jales Naves Especial para o jornal A Redação   Goiânia – Tecelã que transformou fios em tecidos no entrelaçamento de tramas e urdiduras em teares manuais, Alvina Rosa Naves, mineira de Nova Ponte, também se revelou na cozinha, sendo elogiada por seus trabalhos, em especial nas festas religiosas da época, quando produzia os doces e […]

Dança
17.10.2026
Basileu França é destaque em competição internacional de balé

A Redação Goiânia – A Escola do Futuro de Goiás (EFG) em Artes Basileu França terá a maior delegação da última seletiva brasileira do Youth America Grand Prix (YAGP), uma das principais competições internacionais de balé para jovens bailarinos. Ao todo, 56 alunos da instituição participam da etapa, realizada de 20 a 24 de outubro, em […]

Lazer
17.10.2026
Goiânia recebe corrida que une esporte e música sertaneja

Ludymila Siqueira Goiânia – A Capital goiana vai receber, no dia 6 de dezembro, uma corrida que une esporte e música sertaneja em um percurso de 6 quilômetros em cinco ondas de largada. O Complexo Serra Dourada vai ser o ponto de concentração, que ao final, irá receber o show da dupla Matheus e Kauan. […]

GOIÂNIA
16.10.2026
Instituto Rizzo prepara 18ª edição da Cantata de Natal com atrações gratuitas

A Redação Goiânia – Os preparativos para as celebrações de Natal do Instituto Rizzo, em Goiânia, que neste ano chega à 18ª edição, estão a todo vapor. No dia 27 de novembro, das 16h às 22h, uma série de atrações vai emocionar o público. A entrada é gratuita. A expectativa é receber mais de 2 […]

Cultura
16.10.2026
Basileu França apresenta segunda temporada do balé “Dom Quixote” em Goiânia

A Redação Goiânia – A Cia Jovem Basileu França apresenta o balé “Dom Quixote”, inspirado na clássica obra do escritor espanhol Miguel de Cervantes, neste final de semana (17/18), às 20h, no sábado, e às 16h, no domingo, em Goiânia. Os ingressos estão à venda pela plataforma Sympla, por R$ 35, mais R$ 3,99 de taxa […]

Teatro
16.10.2026
Aparecida de Goiânia recebe o espetáculo “1888” em três espaços culturais

A Redação Goiânia – O município de Aparecida de Goiânia recebe o espetáculo “1888”, nos dias 22, 23 e 24 de outubro, em três espaços culturais. As apresentações são gratuitas e integram a Temporada 1888 – Dramaturgia Afro-Latinoamericana. O projeto propõe uma reflexão sobre as memórias afro-brasileiras e latino-americanas, abordando temas como a escravidão, as violências […]