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Por um olhar mais atento sobre as nossas crianças

05.04.2019 - 14:12:00
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O ambiente estudantil é parte fundamental do desenvolvimento da individualidade da criança e do adolescente, interferindo em seus valores, pontos de vistas e comportamentos perante situações comuns ou adversas da vida. Assim, nossa responsabilidade, como educadores, é fazer da escola parte da rede de proteção dos direitos de crianças e adolescentes.
 
Em meio ao bombardeio de notícias sobre o ataque na Escola Raul Brasil, no município de Suzano, em São Paulo, assim como a popularidade de vídeos infantis contaminados com mensagens de violência, encontramo-nos em meio a uma necessidade de reflexão muito valiosa: qual realmente é o papel da educação?
 
Antes de tudo, é preciso cautela ao abordar esse tipo de tema. Tratando-o com desnecessário alarde e contribuindo para disseminação de informações falsas, a conversa despertará apenas a curiosidade dos jovens, que entrarão em contato com conteúdos que nem sabiam que existiam.
 
Entretanto, fingir que o perigo não existe é o pior posicionamento! É preciso conversar com as crianças e descobrir o que elas sabem sobre o tema, para que a orientação adequada evite possíveis perigos. Acolher, refletir e converter esse momento de dor em uma oportunidade de aprendizado é importante para estimular ações positivas, solidárias e mais humanas. Aqui, aproveito para ressaltar também o papel dos pais, primeiros e maiores modelos para os filhos e seus supervisores permanentes. 
 
Ressalto que não se pode alienar os jovens de seu contexto – pais que permitem que os filhos passem algum tempo no tablet ou no celular não são pais ruins. No entanto, é dever destas pessoas estabelecer limites, monitorar o que está sendo assistido e, ainda, firmar um diálogo sobre os conteúdos e descobrir o que a criança ou o jovem está absorvendo deste entretenimento.
 
Sendo assim, a segurança mental dos nossos jovens deve ser uma preocupação da família e da escola. Sobre esta última, há a responsabilidade de desenvolver as habilidades socioemocionais das crianças desde os primeiros anos escolares, como também proporcionar um ambiente de suporte psicológico, no qual as crianças possam superar situações que as abalam e lidar com seus problemas diários. 
 
Sem a contribuição familiar, no entanto, esse esforço nem sempre será o suficiente, já que o cuidado com a saúde mental não deve ser tomado apenas em casos de emergência ou para tentar 'curar' alguma ferida, deve fazer parte da rotina de aprendizado.
 
Para nós, pais e educadores, esses episódios trágicos em Suzano não representam a vitória da violência, mas nos impelem a estreitar os laços de convivência e fortalecer a certeza de que tragédias como essa não irão sobrepor-se à maior arma de transformação que a humanidade tem – a educação. Em tempos de incertezas e mudanças, tais acontecimentos reafirmam que a escola é muito mais do que um espaço para aprender conteúdos conceituais; é também um lugar para se construir relações, superar frustrações, viver as experiências transformadoras, que formam valores como empatia e respeito.
 

*Thiago Oliveira é diretor-geral do Colégio Integrado 

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por Thiago Oliveira

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