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Por que o acordo de paz entre Irã e EUA acabou e o que acontece agora? (Foto: Reprodução)

Por que o acordo de paz entre Irã e EUA acabou e o que acontece agora?

Trump disse que planeja atacar o território inimigo ainda nesta quarta (8/7)

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08.07.2026 - 21:15:48

São Paulo – Menos de um mês após a assinatura do memorando de entendimento que estendeu o cessar-fogo entre Washington e Teerã, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira (8/7), que a trégua “acabou”.

O acordo preliminar, assinado em 18 de junho, previa a reabertura do Estreito de Ormuz para a navegação comercial e mais tempo para negociar o fim definitivo do conflito, que já durava meses. No entanto, as tensões entre os dois países nunca diminuíram.

Em 26 de junho, os EUA bombardearam instalações militares iranianas sob a justificativa de que, no dia anterior, o Irã havia atacado um navio em Ormuz com um drone. Na época, o Comando Central dos EUA (Centcom) afirmou que o suposto ataque iraniano “violou claramente o cessar-fogo”. Trump, por sua vez, classificou a ação como uma “violação insensata” da trégua. No dia seguinte, Washington voltou a atacar instalações militares iranianas pelo mesmo motivo.

Na terça-feira (7/7), os EUA revogaram uma licença que suspendia temporariamente as sanções ao petróleo iraniano, após considerarem as ações de Teerã em Ormuz “totalmente inaceitáveis”. Horas depois, o Centcom confirmou novos bombardeios contra o território iraniano, alegando que a ofensiva era uma resposta a supostos ataques de Teerã contra três navios que navegavam pelo estreito.

Troca de acusações

O governo iraniano não reivindicou a responsabilidade pelos ataques às embarcações. Após os novos bombardeios americanos, o presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, acusou os EUA de violarem cláusulas do acordo entre os dois países. “A era da intimidação e da extorsão acabou. Isso não leva a lugar nenhum. Não vamos nos curvar”, escreveu Ghalibaf em uma publicação nas redes sociais.

O Quartel-General Central Khatam al-Anbiya, que coordena as Forças Armadas do Irã, classificou as recentes ações americanas como um “ato flagrante de agressão” e advertiu que o país daria “uma resposta esmagadora”.

A reação ocorreu na madrugada desta quarta-feira (8/7), quando a Guarda Revolucionária do Irã anunciou ter atingido 85 instalações militares americanas no Kuwait e no Bahrein. A operação empregou mísseis e drones e, segundo os militares iranianos, também resultou na derrubada de um drone americano modelo MQ-9.

Ao ser questionado por jornalistas sobre a situação do cessar-fogo, Trump respondeu que, para ele, a trégua havia acabado. “No que me diz respeito, acabou”, disse o republicano durante a cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), realizada em Ancara. “Eles podem conversar, mas acho que estão perdendo tempo”, acrescentou, em referência aos negociadores americanos. “Eles são escória, são pessoas doentes, são liderados por pessoas doentes, e são pessoas perversas e violentas. E se tivessem uma arma nuclear, eles a usariam”, afirmou.

O presidente americano também acusou o Irã de distorcer o acordo entre os dois países. “Todos concordaram: nada de arma nuclear. Nós fizemos um acordo. Eles saem, fazem piada com a imprensa, dizem que nunca falamos sobre isso. Tem alguma coisa errada com eles, são malucos”, acrescentou.

Reação do mercado

Após a fala de Trump, os preços do petróleo, que já vinham em alta após os ataques na região, subiram mais de 6%. O barril do Brent avançou 6,3%, para US$ 78,80, enquanto o petróleo de referência dos EUA registrou alta de 6,4%, para US$ 75.

O futuro do conflito ainda é incerto. As negociações estão suspensas até o fim do funeral do ex-líder supremo do Irã, Ali Khamenei, morto no primeiro dia do ataque conjunto dos EUA e de Israel a Teerã. A cerimônia, que já dura dias, deve ser concluída na quinta-feira, 9.

Em meio à tensão, o secretário-geral da Organização Marítima Internacional (OMI), Arsenio Dominguez, pediu que operadores de navios evitem enviar embarcações por Ormuz. Segundo ele, a medida evitaria expor os quase 6 mil marítimos retidos no Golfo Pérsico a um “perigo desnecessário”.

Capítulo mais recente

O capítulo mais recente do conflito no Oriente Médio também repercutiu em outros países, inclusive na cúpula da Otan. O secretário-geral da aliança, Mark Rutte, afirmou que os ataques americanos foram “absolutamente necessários”. “O Irã está basicamente violando o cessar-fogo”, disse Rutte. Ele também atribuiu ao Irã os ataques contra navios comerciais em Ormuz e afirmou que o país seria um dos principais temas de discussão na cúpula.

Já a vice-presidente da Comissão Europeia, Kaja Kalla, afirmou que os novos ataques “complicam ainda mais as negociações já tensas para encerrar a guerra” e classificou os bombardeios ao Bahrein e ao Kuwait como “inaceitáveis”. “De acordo com o memorando, Teerã se comprometeu a reabrir o Estreito de Ormuz. Seus recentes ataques a navios perto do estreito violam esse compromisso e ameaçam perturbar a retomada do fornecimento de energia”, escreveu Kaja em uma publicação nas redes sociais.

Ela também afirmou que, na próxima segunda-feira (13/7), os ministros das Relações Exteriores da União Europeia se reunirão com seus homólogos do Golfo para discutir como podem “trabalhar juntos para apoiar a implementação do acordo e preservar a liberdade de navegação no estreito”. (Agência Estado)

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por Michelle Rabello

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