Lis Lemos
A Corregedoria da Polícia Civil prendeu, na manhã desta segunda-feira (28/11), dois policiais civis. Eisenhower Kardeck Silva, lotado no 4º DP de Aparecida de Goiânia e Carlos Renner de Sousa, do 2º DP da mesma cidade, e outros dois homens, Bowelorys Silva Vieira, 25 anos, e Douglas Araújo da Silva, 18 anos. Eles são acusados de integrar uma quadrilha que extorquia comerciantes que mantinham máquinas caça-níqueis em seus estabelecimentos.
O outro envolvido é Virgílio Araújo Silva, considerado o líder do grupo, que foi preso no início do mês por estuprar a esposa, filhos e sobrinhos. Segundo o corregedor adjunto Murilo Gonçalves Martins de Araújo, responsável pelo caso, a quadrilha atuava em bairros da periferia de Aparecida de Goiânia, como Colina Azul e Garavelo.
Os três civis se disfarçavam de policiais e entravam nos bares, onde apreendiam os equipamentos de caça-níquel. Os policiais davam cobertura do lado de fora dos estabelecimentos. As máquinas eram desmontadas, o dinheiro era dividido entre os membros e os componentes eletrônicos eram revendidos.
Os coletes, duas armas, bonés e pranchetas para preenchimento de Boletins de Ocorrência usados eram fornecidos pelos próprios policiais. A viatura usada pelo grupo também era da Polícia Civil. A corregedoria apreendeu também duas armas sem registro em poder do agente Eisenhower Kardeck. De acordo com a corregedoria, o grupo atuava uma vez por semana, sempre à noite e percorriam de três a quatro estabelecimentos por período.
Até o momento, a polícia ainda não sabe quantas máquinas foram levadas pela quadrilha e nem o valor encontrado nos equipamentos. A expectativa é que com os depoimentos dos presos a polícia consiga chegar a um “cemitério” onde essas máquinas eram jogadas. Embora ainda não haja suspeita de demais policiais envolvidos, a corregedoria não descarta essa possibilidade, já que foram encontradas cópias de Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO), que devem ficar retidas nas delegacias, em poder do grupo.
O delegado corregedor Cleoviton Neris Costa afirma que uma das dificuldades em chegar ao grupo é que os comerciantes não denunciavam a ação do grupo, devido ao fato das máquinas caça-níqueis serem consideradas ilegais. Os quatro envolvidos ficarão presos temporariamente por cinco dias, prorrogáveis por mais cinco. No entanto, é possível que seja pedida a prisão temporária até que os fatos sejam elucidados. “Como as máquinas são proibidas, as pessoas não denunciavam, o que auxiliava na ação dos policiais e falsos policiais”, afirmou o delegado adjunto.
Início
Embora, a corregedoria suspeitasse das atividades do grupo, o caso só foi confirmado após a prisão, no dia 7 de novembro, de Virgílio Araújo da Silva. O homem, que trabalhava como segurança em um supermercado, foi preso por estuprar oito jovens entre 10 e 18 anos e a esposa. Na casa dele foram encontradas três máquinas caça-níqueis e uniformes da Polícia Civil. Com a investigação, Virgílio apontou o nome dos demais envolvidos, sendo Douglas Araújo da Silva, seu sobrinho.
Segundo o delegado Murilo Gonçalves Martins de Araújo, testemunhas afirmaram que Virgílio obrigava a sobrinha, que era menor de idade, a manter relações sexuais com o agente Eisenhower Kardeck Silva.