Michelle Rabelo
“O Entorno tem sido chamado de Palestina”, assim o novo comandante da Polícia Militar (PM), coronel Edson Costa Araújo, falou sobre os altos índices de violência na região, em entrevista coletiva, logo após ser empossado no cargo, na última segunda-feira (28). O Entorno do DF, que sofre desde 28 de outubro com a paralização dos policias civis, foi palco, nesta terça-feira (29/11), de uma manifestação que ratifica a greve e pede o apoio da população. As reinvindicações não mudaram: aumento no quadro de servidores com concurso para 3 mil novos policiais, melhores condições de trabalho, gratificação no valor de R$ 800, aplicação de promoção automática e reposição salarial correspondente aos últimos seis anos, respeitando a taxa inflacionária de 42%.
No dia 29 de agosto, uma paralização foi ensaiada, mas foi suspensa mediante compromisso do governo em cumprir as exigências feitas pela classe. Como não aconteceu, os policiais voltaram a divulgar a pralização. De acordo com o presidente do Sindicato dos Policiais Civis de Goiás (Sinpol), Silveira Alves, há um motivo para se comemorar: a criação de uma academia da polícia em Luziânia, que deve começar a ser construída em janeiro de 2012. Um convênio já treria sido assinado entre a prefeitura do município, que doará o terreno, e o governo federal, que vai disponibilizar os recursos.
Hoje, os policias apresentaram para a população de Água Lindas uma carta explicativa, justificando a paralização e pedindo apoio de quem mora e trabalha na região. A carta pede pressão na aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 170, apresentada em outubro de 2007, pelo deputado federal João Campos (PSDB). A PEC exige a destinação de parte do fundo de organização e manutenção das Polícias Civil e Militar e do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal aos Municípios do Estado de Goiás, localizados no entorno de Brasília. O projeto aguarda posicionamento da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC).
“Por ser uma região violenta, a população está totalmente a nosso favor. Estamos procurando informar, explicar que o nosso objetivo maior é atender bem a quem precisa. A adesão dos agentes à greve é de prtaicamente 100%, mas cumpre ainda 30% da carga horária, conforme o estipulado em lei”, afirma Silveira.
A pedido do governador Marconi Perillo, a Força Nacional de Segurança Pública vai permanecer por mais 90 dias, contados a partir de 18 de novembro, no Entorno. A determinação é do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo.