Durante o processo criminal, a acusação apontou que a motivação para o crime seria o inconformismo de Vadinho com uma decisão da justiça, que reverteu a guarda de sua neta para o pai, o empresário Petrônio Reis que era cliente de Walmir Cunha na época. O atentado então, segundo demonstrou os autos, foi uma represália ao trabalho do advogado.
Conforme a representante do Ministério Público, Renata Marinho, os depoimentos dos três motoboys, que reconheceram Ovídio (irmão de Valdinho e apontado como co-autor) como sendo a pessoa que entregou o pacote com a bomba para ser levado ao escritório de Walmir Cunha, foram decisivos.
Acompanhando o tempo todo com seus pais, Walmir Cunha se manifestou ao fim do julgamento. “Recebo a notícia da condenação dos dois acusados do atentado contra minha pessoa com as esperanças renovadas no Judiciário e demais instituições brasileiras. Agradeço a toda a sociedade goiana e a toda advocacia brasileira que sempre estiveram ao meu lado nesta luta contra a impunidade. Essa decisão condenatória não é uma vitória minha, mas sim de toda a sociedade. É uma vitória sobretudo para o exercício pleno da advocacia, que não pode em hipótese alguma ficar refém de qualquer ato de violência física ou psicológica”, disse Cunha ao fim da sessão de julgamento.
Por causa do atentado, a vítima sofreu amputação de três dedos e parte da mão esquerda, fraturas expostas no pé, queimaduras de segundo grau nas pernas e teve o abdômen também atingido com estilhaços de bomba. Segundo, Walmir foram necessários mais de seis de um intenso tratamento de fisioterapia para ele retomar plenamente suas atividades rotineiras no trabalho e em casa.
Perfil
A acusação conseguiu demonstrar aos jurados o perfil agressivo de Valdinho, especialmente contra o pai da criança, por meio dos relatórios feitos por psicólogas que participaram de 12 visitas assistidas durante o processo de regulamentação de visitas requerido pelo empresário Petrônio, cliente de Walmir.
Em sua exposição no tribunal do júri a representante do MP afirmou ainda que os dois suspeitos assumiram claramente o risco de matar não só a vítima mas outras pessoas. “Quando eu envio uma bomba, estou assumindo o risco de matar outras pessoas também. E se o motoboy abrisse o pacote? E se ele tivesse caído? E se o trepidar da moto acionasse a bomba? E se matasse um transeunte. E se a secretaria tivesse aberto? E se tivesse mais gente na recepção. Deus colocou a mão. E também a atitude de Walmir, que ao perceber a bomba colocou sobre a mesa e avisou a secretária para correr, mas como ela ficou paralisada, acabou voltando para pegar a caixa com o explosivo para tirar da frente dela. Ele.poderia ter fugido, mas escolheu salvá-la", relatou a promotora durante sua sustentação no julgamento.